Uxmal e Kabah

E fomos conhecer o segundo (ou primeiro, para alguns) sítio arqueológico (favor não dizer ruína, eles não gostam) de Yucatan: Uxmal. Tomamos um tour de um dia (cobram 425 pesos por pessoa ou algo em torno de 37 dólares) e viajamos 1 hora e meia até lá. É um lugar menor e muito mais organizado do que Chichén Itzá. Não há vendedores de bugigangas pelo meio do percurso, tem muito menos gente e mais árvores pra fugirmos do calor fustigante. As construções apresentam mais detalhes, fazendo parte da arquitetura Puuc.

Aqui consegui ver, o que não vi em Chichén por causa do calor: o campo do jogo de pelota. É uma coisa interessante e meio frustrante: não se consegue saber como as coisas aconteciam aqui de fato. O jogo de pelota, por exemplo. Há controvérsias sobre se se matava ou não o time perdedor, se se matava o time ganhador, se se matava o que fazia o gol, ou se não se matava ninguém. O que se informa é que a bola tinha que atravessar o circulo, mas não se podia usar pés ou mãos. O propósito de cada construção também é uma coisa que ninguem sabe ao certo. Os guias nos dão todas as informações sobre as construções, mas não do que acontecia nelas.

O lugar é repleto de camaleões (iguanas), alguns enormes, que se mimetizam perfeitamente com as pedras locais.

Kabah é um outro trecho da rota Puuc, que fica a alguns poucos quilômetros de Uxmal. A estrada que se construiu e que passa por lá destruiu mais da metade do sítio, e ai sobraram apenas 2 edificações.

Mérida, cidade da música

Na verdade Mérida é uma cidade voltada para as artes. Somente na rua 60 existem 2 teatros em quarteirões seguidos e muitas galerias de arte. Super comum voce ver pessoas passando com instrumentos musicais em seus estojos, como se fossem ou viessem de alguma aula. Em duas noites que voltamos pela Plaza Santa Lucía, por volta das 10 da noite, havia um grupo de jovens ensaiando um tipo de dança.

Nos finais de semana é preciso se preparar, porque há quase que uma virada cultural: coisas acontecendo em vários pontos da cidade. Na sexta-feira assistimos uma seresta, que acontece desde o ano de 1962. Lindo! Uma orquestra tocando e um senhor idoso cantando boleros.

E não é coisa para turista, não. Quem assiste são os da cidade mesmo. Depois dos boleros, vimos a apresentação do grupo de dança da Universidade de Yucatan (uma das 3 que existem na cidade), com apresentação de jaranas, a dança típica daqui. Todas essas apresentações são grátis, ao ar livre, num ambiente bem familiar.

No domingo a coisa vira uma festa total. A rua lateral a Plaza Santa Lucía é fechada para o tráfego e se transforma em uma enorme pista para bicicletas. Essa rua liga a Plaza Sta. Lucía a Plaza Grande (ou Zócalo), ai, enquanto na Plaza Grande acontece feira de artesanatos, barracas de comidas, brincadeiras em um palco, no outro lado está acontecendo um animado baile popular. Isso mesmo, as pessoas vão lá para dançar boleros, merengues, salsa e os ritmos típicos daqui. Acreditem: vimos isso por volta das 10 horas, mas quando voltamos, por volta das 2 da tarde, com um sol de rachar e 39 graus de temperatura, as pessoas continuavam dançando. Fantástico!

Era meio dia, com o calor peculiar, e olha a fila de gente pra entrar no teatro! E, vejam, nenhum tem cara de turista.

 

 

Mérida, a terra da guayabera

Conta a história que antigamente os ricos fazendeiros de Mérida iam a Cuba comprar suas guayaberas, sendo, portanto, uma vestimenta da classe alta. Até que os alfaiates meridanos começaram a confeccionar aqui mesmo, popularizando a utilização dessa camisa tão peculiar. Assim, hoje guayabera é a vestimenta que todos usam. Preferentemente branca, usada com calça branca e umas sandálias tambem brancas, com um saltinho 3. Essa é a indumentária de 9 entre 10 meridanos. Impressionante. Para onde voce se vira está um senhor de guayabera. Com isso a venda delas tambem está em toda a parte. É impossível sair de Merida sem levar uma na mala.

Para as mulheres a vestimenta é o hipil, um vestido com uma gola quadrada de uns 20 a 30 cms, toda bordada e uma saia com a barra também bordada. Geralmente branco. Existem de varias qualidades, desde bordados refinadíssimos até golas e barras de crochet. Os bordados são sempre muito coloridos, lindos. Esses vestidos tambem são usados normalmente. É uma roupa típica tradicional, que não é usada somente em festas para turistas, mas no dia a dia das mulheres, como uma roupa mais alinhada.

E existem os chapéus estilo panamá, aqui feito de uma fibra chamada henequén, que é um tipo de sisal. Reza a lenda que esses “sombreros” são confeccionados em cavernas para que mantenha a humidade que permite que a fibra seja tecida. E que, dado a delicadeza da tecitura, são feitos por crianças (!). Claro que comprei um porque sempre que viajo compro um chapeu 😀

 

 

 

 

 

 

O nosso Hotel em Merida

Quero compartilhar com voces a gracinha que é nosso Hotel aqui. Não estou fazendo nenhum marketing, apenas gostei mesmo. Ele chama-se Medio Mundo e é daquelas casas que quando voce vê de fora não dá nada por ela, parece mais um casarão grande. É só abrir a porta e entrar para o mundo se transformar. De cara nos encontramos com um jardim interno, com uma fonte d’agua, plantas, flores e corredores em arcadas e paredes pintadas com cores maravilhosamente mexicanas.

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O casarão tem dois pisos; ficamos no segundo, que deixou o nosso quarto mais fresco. O nosso quarto deve ter mais de 4 metros de pé direito, tem o piso em azulejos friozinhos e camas queens bem gostosas.

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O café da manhã é servido no jardim de trás, onde está a piscina. Olha que coisa linda é a cozinha onde arrumam nosso cafe!

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Os detalhes me encantam e quando vi essa pia no nosso quarto, me apaixonei perdidamente. Quero uma dessas no meu banheiro!!!!!! Se alguem souber onde comprar no Brasil, por favor me diga!

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O que se come em Yucatan

Acho muito legal comer o que o povo come. Não é a adaptação sofisticada da culinária local, mas o que o povo come mesmo, nos restaurantes deles. Dai que no dia que chegamos pedimos indicação a José (um descendente maya que é um dos gerentes do Hotel) e ele nos indicou o Chaya Maya. E lá fomos nós. Logo ao olharmos o cardápio já nos deparamos com comidas com nomes bastante diferentes da que conhecíamos da Cidade do Mexico (ou Mexico Capital Federal, como eles dizem aqui). E o mais surpreendente, com a versão para o maya.

DSC00567   A base da refeição é o milho, que entra como pães, tortillas ou misturadas ou fazendo a “liga” de pratos de carne, principalmente aves ou porco. A banana (plátano) entra como complemento muito frequentemente, como ela própria ou suas folhas.

o prato que pedi: mucbill pollo

Existem barraquinhas na rua vendendo coisas interessantes para comer. Provei a marquesita dorada, que é uma massa de crepe recheada com queijo ralado e enrolada. Se quiser pode pedir que coloque algo de geleia. Eu pedi, ficou delicioso. Outra era o elote, mas essa não tive coragem de comer: milho em grãos cozidos colocado em um copo e ai se acrescenta: creme de leite, maionese, queijo ralado. Um bomba calórica! Provei também a sopa de lima, que é um canja sem legumes, com pedaços de frango e tortilla frita e um toque de laranja-lima, que dá um sabor muito legal.

Para se ter uma idéia dos preços, agora 1 dolar vale em torno de 11 a 12 pesos mexicanos.

Em Mérida, Mexico

Enfim, depois de um dia no ar e uma noite na Ciudad de Mexico, estamos em Mérida, no estado de Yucatan, terra da Guayabera e do Mayas. Estávamos com receio do calorão que rola por aqui, afinal sair de Natal com 33 graus Celsius e encontrar 40 aqui não era uma boa perspectiva para quem pretendia passar 7 dias por aqui. Estávamos decididas a sair correndo, se o inferno se mostrasse insuportável.

Mas chegamos e encontramos uma cidadezinha adorável. Tipo cidade do interior. Tipo as nossas cidades pequenas. Mesmo tipo de arquitetura, mesmo trânsito tranquilo, e um povo super, super, super simpático. Com uma diferença (talvez outras mais que ainda não percebi): a cidade é superlimpa! Não vejo lixo nas calçadas nem amontoado de coisas pelos cantos. Em algumas esquinas existem barraquinhas vendendo comida, mas no chão está tudo limpinho. Uma beleza!

Ontem fizemos um tour pela cidade, como gostamos de fazer, para ter uma idéia do todo. Observamos que, como todas as cidades, ha uma região mais rica, com alamedas largas e arborizadas, uma delas, inclusive inspirada nos Champs Elisee, e uma outra região bem popular, mais animada. A cidade tem muitas praças. E o povo vai. Passeia, descansa, namora. E Mérida é uma cidade “gay frendly”. Vimos vários casais nas praças e ninguem dava muita bola pra o namoro deles. Achei muito legal. Acho que, apesar de ter tambem muitas igrejas católicas, não vi nenhuma dessas evangélicas midiáticas, logo não deve ter Felicianos ou Malafaias.

Os Champs Elisee de Merida
Os Champs Elisee de Merida

A cultura Maya está presente em todos os cantos. Na verdade ela é uma cultura viva porque as pessoas falam o idioma maya e ele é ensinado nas escolas, a comida é típicamente maya e diferente do resto do Mexico.

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Mas é o calor? Ora, nada que duas nordestinas não possam suportar. Além do mais tem sempre uma brisa gostosa, que ameniza muito a sensação térmica. E depois estamos em um hotel maravilhoso. Um casarão antigo, com um lindo jardim interno e uma piscina, super bem transado, cheio de detalhinhos graciosos e com uma decoração desta maravilhoso colorido mexicano. Mostro umas fotos depois. Ai, some a simpatia contagiante de povo, a tranquilidade da cidade, o hotel maravilhoso, o calor suportável, resultado: vamos ficar por aqui os 7 dias.