Valparaíso, como chegar

Apesar da idéia inicial de alugarmos um carro, como fomos à Isla Negra no esquema do tour, resolvemos ir a Valparaíso assim, tipo jovem: tênis nos pés e mochila nas costas (ai, minhas costas!). E é super fácil.

O terminal de ônibus está praticamente dentro de uma estação do Metrô, a estação Universidade de Santiago. Cuidado que nessa linha existem três estações com nome de Universidades. Não prestamos atenção e descemos na Universidade do Chile. Errado!

Praticamente tem apenas uma linha que faz o percurso, a TurBus. A passagem nos custou 8.500 pesos, ida e volta por pessoa, mas nos pareceu que em dias fora dos feriados, ela é 8.000 pesos. Voce pode, inclusive, comprar pela internet: https://www.turbus.cl/wtbus/indexCompra.jsf

O terminal de ônibus é uma loucura, ou estava uma loucura nesses dias de fim de ano. Chegamos lá antes do meio dia e só conseguimos passagem para as 13:30hs. Tivemos que encarar um PF na rodoviária, e aquele almoço maravilhoso que havíamos pensado em ter em Valpo, ficou prá próxima vez.

São pouco mais de 2 horas de viagem em um ônibus confortável, e você chega à rodoviária de Valparaíso, que é muito, mas muito pior que a de Santiago. A cidade tem vários ascensores para os cerros e quando buscamos informação de como chegar ao do Cerro Concepción, nos disseram que eram uns 20 minutos de caminhada. Não nos atemorizamos, intrépidos  fomos. Mas não contávamos com alguns fatores: o sol inclemente das 3 horas da tarde, um vento fortíssimo que levantava poeira e, last but not least, a nossa idade. Foi dureza. Para pessoas assim, como direi, mais vividas, recomendo tomar um taxi. É barato.

O ascensor é uma caixa de madeira que cabe umas 5 pessoas, se tanto. De repente ele dá um tranco e começa a subida íngreme. Que não dura 5 minutos. Pelo menos o do Cerro Concepción. E custa baratinho, coisa de 50 centavos de real. Aproveite e gaste suas moedas.

Na volta, descemos a pé, numa descida absolutamente possível e rápida.

 

Valparaíso, ou Valpo para os íntimos

Moro em uma cidade de praia, numa região das mais belas praias do Brasil, assim, quando viajo, lugares de praia não me chamam a atenção. Quando vou a Argentina nunca penso em ir a Mar del Plata, nem ir a Punta del Este no Uruguai, e nunca tinha pensado em ir a Valparaíso até que li um post no blog do Ricardo Freire (http://www.viajenaviagem.com/) falando muito bem de lá. Além do mais, Ary tinha a informação que se fossemos de carro, ficava muito perto da Isla Negra de Neruda, o que é verdade. 

Valparaíso e Viña del Mar são cidades gêmeas, mas, ao que parece, gêmeas bivitelinas, porque são bastante diferentes uma da outra. Enquanto Viña del Mar é o balneário clássico e elegante, Valparaíso nem um balneário é. Antigo principal porto do Chile, ela trás as marcas de uma certa decadência no prédios descuidados que estão na sua parte baixa. O comercio é bastante popular e agitadíssimo; o trânsito, uma loucura. Mas é tranquilo caminhar no longo parque que acompanha a Av. Brasil, ainda que ele esteja mal cuidado. 

Vimos na Praça, mas não sabemos o que significa, nem tinha ninguem pra informar
Os prédios da parte baixa

Ai voce olha para os morros (cerros) ao redor e imagina que está vendo uma Rocinha arrumada. Casas à perder de vista, em todos os cerros. Mas de forma ordenada, moradias de classe média, artistas e curtidores em geral. E aí está a parte descolada da cidade. A mim lembrou incrivelmente Olinda, com um pouco de Santa Tereza, no Rio. Ruas estreitas, com calçamento de paralelepípedo, algumas ladeiras e casario de outras épocas transformados em restaurantes, bares, café, galerias de arte, pousadas.

Poderia ser Olinda, poderia ser Santa Tereza

Uma característica interessante, e que não tem nada a ver com Olinda, é a grande quantidade de prédios de zinco. Na verdade, com revestimento de zinco, coloridos, dando um ar muito alegre a cidade. Ficamos especulando o porquê do zinco e nos ocorreu que deve ter a ver com proteção contra o vento frio. Será?

Lindas!
Outro exemplar

Mas, o que mais me chamou a atenção foram os grafites. Quem me conhece sabe como eu gosto dessa arte de rua. Me encantam! Fotografei o que pude, mostro os melhores.

Infelizmente tivemos somente uma tarde por aqui, com tempo apenas para um sorvete em uma galeria de arte, olhando o mar lá embaixo. Valpo é para se passar pelo menos três dias. Mas ela não perde por esperar. Voltaremos.

Claro que não fomos a Viña del Mar. Nada mais entediante do que um balneário elegante depois de se passar pelo pitoresco de Valparaíso.