7 coisas a comentar sobre a (o?) Google

Andar por aqueles corredores, observar as pessoas, sentir o clima, faz a gente pensar um bocado em como e por que aquilo lá funciona. Claro que não tenho respostas, mas quero resgistrar algumas coisas que me impressionaram:

1. O silêncio. Nunca pensei que fosse assim. Claro que não imaginava que houvesse muita agitação, gente falando alto e tal, afinal é um ambiente de trabalho, mas como tenho um filho que conseguia estudar, ouvir música e jogar videogame ao mesmo tempo, não imaginava que houvesse aquele silêncio quase eclesiástico. Na verdade é o silêncio respeitoso de quem sabe que está com gente trabalhando ao seu lado e precisa também desse silêncio. 

2. Jovens, todos são incrivelmente jovens. Creio que a media de idade deva ser 28 anos. Estava em um restaurante cheio e a pessoa mais velha que vi deveria ter uns 38, no máximo 40 anos. E era um só!

3. Lembra daquelas cabines que antigamente a gente usava nas empresas telefônicas para falar, em ligações interurbanas? Pois tem um monte espalhada pelos andares. Justamente para que, se alguem quiser telefonar em uma situação mais privada, não ter que usar o telefone de sua sala e atrapalhar quem está trabalhando.

4. As pessoas têm caras normais. Isso pode soar meio maluco, mas sempre imaginamos que os nerds são seres meio esquisitos, se vestem de modo peculiar e se comportam idem. Ou não tem nerd (o que definitivamente não é verdade) ou os nerds da (do?) Google fogem aos padrões.

5. As pessoas não estão lotando os salões de jogos ao invés de estarem trabalhando. Ao contrário, vi vários pegando sua comida e voltando para comer na sua mesa de trabalho. Parece haver uma consciência geral que trabalhar é legal, que a tarefa que se tem que desenvolver é um desafio legal prá se encarar, portanto não se quer brincar enquanto não se termina.

5. Você quer tomar um café, comer um iogurte, tomar um suco? Ok, vá na cafeteria e faça. Não tem uma mocinha sorridente preparando teu café. Não tem ninguem nem prá te ensinar como mexe nos equipamentos. Amei!

6. Caramba, essa é uma empresa que mima muito seus funcionários! Onde já se viu um local de trabalho assim?! E sabe o que mais? Se você quiser pode levar “quentinha” do almoço prá casa, pode levar pacotes de biscoito, de batata frita, de granola, potes de iogurte, copos de agua de côco e de açai (sim, eu vi isso nos refrigeradores!), agua, refrigerante… o que tiver, o que quiser. 

7. Deve ser muito legal trabalhar naquele lugar!

“O” Google ou “a” Google?

Nós no Google

 

Ontem fizemos nosso tour no (na?) Google. Até tarde da noite ainda estávamos sob o impacto da visita. Tudo que já se falou sobre essa empresa ainda é pouco quando se anda pelos seus corredores e se conversa com um funcionário de lá, no caso o meu filho. Vamos por parte.

Em Nova York a (o?) Google ocupa alguns andares de um prédio na 18o. avenida, em pleno Chelsea. Assim, para você entrar tem que se identificar duas vezes: uma para entrar no prédio, outra pra entra lá. E quando você entra se depara logo com uma cafeteria, uma estante enorme com milhões de peças de Lego, mesas para montar Legos e puzzles e um estacionamento de patinetes. Primeiro impacto: não havia barulho, não havia agito. Algumas poucas pessoas preparavam calma e sileciosamente seu café expresso. O silencio era tanto que naturalmente começamos a falar sussurando. 

cafeteria
A cafeteria da entrada

O espaço é super bem arranjado. As cores primárias que compõem o nome da empresa estão nas paredes, separando seções. Por todo lugar há bolas de Pilates, quadros com os principais “doodles”  (que são aquelas adaptações da logomarca para datas comemorativas ou alusivas a algo), poltronas, mesinhas com abajour convidando a sentar. Os espaços de trabalho dos engenheiros estão arrumados de acordo com o gosto de cada um, mas eu imaginava que fosse uma coisa muito mais, digamos, louca, assim tipo, cada um arrumando de maneira mais criativa. Não, não é assim. A maioria, inclusive, é decorada apenas com fotos e poucos objetos pessoais. Em quase todos há um squeeze ou uma caneca grande para café. E aqui também o silencio é grande. Como se tivesse um cartaz advertindo: “silêncio, gênios trabalhando”.

Sim, há os espaços de lazer. Uma enorme sala com mesa de ping-pong, videogames, sinuca, cadeiras de massagem, esteira para correr e outros apetrechos de academia, almofadas, televisões enormes. O que eu imaginava? Que um espaço assim estaria sempre cheio de gente, até porque era hora de almoço, logo as pessoas deveriam estar buscando um lugar para relax. Pois estava vazio assim.

sala de jogos
O salão de jogos

Depois fomos comer. O restaurante principal recebe periodicamente “chefs” de restaurantes novaiorquinos que são convidados a preparar suas especialidades para o pessoal da empresa. Demos sorte e ontem tinha um raviole de lagosta delicioso. Mas as opções do cardápio são imensas: saladas, comida vegetariana, comida caseira, frutos do mar, carnes grelhadas. Você faz seu prato com o que quiser, quantas vezes queira. No restaurante há um simpático espaço ao ar livre, com um vista simplesmente fantática

 

vista do restaurante
Vista desde o terraço do restaurante, com o Empire State imponente

Tomamos café em outra cafeteria e depois fomos conhecer o escritório que funciona em outro prédio vizinho. Trata-se do Chelsea Market, um predio antigo que foi preservado na suas estruturas principais e modernizado no que fazia falta. O escritório é belíssimo, nessa mistura do antigo com o moderno. Nele trabalha o pessoal de vendas. O bom gosto é o mesmo do prédio anterior e o silencio continua. Passamos por várias salas pequenas onde as pessoas conversavam por videoconferencia de frente para um telão de LCD. Depois de entrarmos na sala de lazer usando um escorregador e deixarmos nossas assinaturas em um enorme mural, encerramos nossa visita.