Nos sentindo quase em casa, chegamos a Lisboa

A-MA-MOS Lisboa!!! De coração. Uma pausa aqui antes de retornar ao Brasil é praticamente obrigatória. Adoramos a comida, adoramos os vinhos verdes, adoramos o povo e a maneira como falam um português que, muitas vezes, mal entendemos.

Ficamos sempre em um hotel (o Borges) no Chiado, pegamos um quarto que dá para a frente e nem precisamos sair de casa para ouvir show de jazz, banda caboverdiana, música clássica, o sino da igreja tocando, o burburinho do povo no café “A Brasileira”, tá tudo ali aos nossos pés. Muitas vezes dançamos dentro do quarto ao som rebolante dos africanos. É divertidíssimo!

Uns passinhos e estamos no Rossio, na Praça do Comércio, tomando uma ginjinha na Baixa, comendo um porco na Casa do Alentejo. Menos passinhos ainda, somente descendo uma pequena ladeira, e temos lojas de todo tipo e poder aquisitivo. Tem uma H&M, mas entramos em uma loja que tinha uma parka de uma mesclita tipo jeans, que custava 229 Euros. Nem olhamos pro nome, corremos com medo de ter que pagar a olhadela.

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Lisboa para nós, seus irmãos temporãos, é como uma viagem ao passado. Descer ao Rossio e ver uma loja de 1800 e tanto que ainda está lá e vende chapéus, luvas e suspensórios, dobrar na rua da Conceição e encontrar um quarteirão cheio de armarinhos como os de antigamente, vendendo botões, sianinhas, galões, bicos de renda, com balcão de atendimento e mostruários bagunçados, abrir a janela do quarto do hotel e se deparar com uma loja chamada “Paris em Lisboa”, gente, é muito, muito, muito legal. Isso tudo sem abrir mão de ter, na rua do Carmo (a dois passinhos do nosso Hotel), uma big loja da Apple, com a tecnologia mais moderna. Demais!!!

Por essas e outras é que amamos Lisboa. E que prá cá sempre voltamos. Alimento o sonho de viver aqui uns tempos. Quem sabe?

Lisboa em 2000

18.09.00 – Uma manhã inteira andando para resolver a ida para Évora. Passagens compradas no terminal de auto-carros, no Arco Cego, perto do Metro Saldanha. Preço: 1.4000 escudos.

Tomamos o metrô até o Chiado, um café n’A Brasileira. Descemos a pé até a Praça da Figueira e comemos por ali mesmo. Nada digno de nota. Jantamos na casa de Tina, com Steve e Cristina, seu filho e nora. Ótima noite! Na volta prá o Hotel. Uma passada por Mirasintra, onde fica a casa de Cristina.

19.09.00 – Chico Zé aparece logo cedo às 8:30. Todo elegante de “fato e gravata”. Conversamos, almoçamos no Primo Basilio que fica vizinho ao Residencia Alicante, o hostal onde estamos hospedadas. Chico tras seu album de fitas e essa é uma história à parte. Já na casa de Tina havíamos sido apresentadas a esta reliquia tradicional portuguesa. São fitas coloridas, largas, de cetim, cujas cores indicam categorias. Essas fitas são organizadas em um álbum depois que o aluno se forma, mas durante o curso ele as usa presas ao manto negro usado nas solenidades. De acordo com as cores tem as da Universidade, as do curso e outras escolhidas para caracterizar parentes, amigos, namoradas, etc. O formando pede às pessoas que escreva alguma coisa em uma fita e ao final elas são guardadas com todo amor e carinho nos ditos albuns de capa de couro. É interessante… Ah! há uma solenidade que reune todas as Universidades, onde a autoridade religiosa benze as fitas. No momento em que a Universidade é nomeada, os alunos agitam suas fitas, fazem bagunça, enquanto os outros vaiam. Hum… cada qual com seu cada qual. 

Lisboa, Évora e sul da Espanha

Em setembro de 2000 a cidade de Evora, em Portugal, abrigou um congresso sobre Paulo Freire. Eu tinha começado meu doutorado e estava super interessada em tudo que dissesse respeito a ele. Fui com minha orientadora e amiga Marta e meu amigo Paulo. Depois do congresso ficamos ainda uns dias passeando pelo sul da Espanha. Nosso percurso foi: Lisboa – Évora – Sevilha – Granada – Madrid – Lisboa.

16.09.00 – Chegamos a Lisboa, Tina nos esperava. Logo depois chega Luiz e a imensa surpresa de todas nós: ele não tem dentes! Nenhum!
Fomos almoçar em Sesimbra, uma praia perto de Lisboa, que pertence ao distrito de Setubal. Comemos peixe tambaril e arroz de mariscos, que nos custou 15.300 escudos. O percurso foi muito bonito, com mar e montanha. Vimos Setubal, que tem a enfeirar (é só chegar em Portugal e já começo a usar os verbos no infinitivo) uma fábrica de cimento cinzenta. De Sesimbra só vimos mesmo uma parte da orla marítima, mas me surpreendeu ver mulheres em  topless, mesmo mulheres mais maduras. Ora, pois, o conservador Portugal. No Brasil elas seriam presas.
Sesimbra
Depois do almoço continuamos o passeio. Fomos ao Cado do Espichel, com o Atlantico rugindo embaixo, lembra o Cabo da Roca em Sintra. Há tambem um castelo, mas ninguem sabia nada sobre ele. Na verdade de castelo mesmo ele só tinha os muros externos, dentro é um espaço vazio e uma casa de chá ou algo assim, em estilo mais moderno.
Cabo do Espichel
Cabo do Espichel

17.09.00 – Domingo. Amanhece chovendo. Zeca telefona e passa cedo no Hotel para irmos passear na Alfama. Por sorte parou de chover e fizemos um belo passeio à pé, que é como merece ser feito nesse bairrozinho charmoso, cheio de ladeiras e becos. Almoço na Casa do Alentejo, comendo porco alentejano (carne de porco com almeijas) e estufado de burrego (cabrito ao forno), acompanhado pelo vinho da casa.

Depois do almoço tomamos um comboio (trem) no Cais de Sodré para Cascais. Mais ou menos 20 minutos até lá. Cidade a beira do Tejo, com muitas praias. Lá fomos ao bar “Palm Tree”, um lugarzinho muito legal de um amigo de Zeca, o João Paulo e onde trabalha Flávio, um brasileiro de Mato Grosso. Retorno às 8 da noite, com dia claro.

Chegando a Lisboa

Ô, pá, como pode? Já fazem 3 dias que cá estou e não escrevi nada? Estou a dever noticias, pois!

Chegamos no domingo de uma manhã radiosa. Sol lindo, calorzinho ameno e uma Lisboa tranquila. No Hotel – bem o hotel merece um post a parte – tivemos que esperar uma hora antes do checkin, porque chegamos umas 11 hs. E ai fomos dar uma volta pelos arredores. Tudo fechado, inclusive os restaurantes. Interessante. Região turística e os restaurantes fechados. Porque era domingo. Cada um com seus costumes. Mas fizemos as primeiras fotos. Olha ele ai, na sua estreia em terras lusitanas