Helsinki? Gostei muito!

E estamos chegando ao nosso último destino nessa viagem. Eu não tinha nenhuma opinião formada sobre Helsinki. Sabia da excelência do ensino na Finlândia, do belíssimo design de móveis e objetos e do idioma cheio de letras repetidas. Assim, cheguei a Helsinki sem nenhuma expectativa. E me surpreendi. Helsinki é muito legal! Até agora estou em dúvida se gostei mais de Copenhagen ou de Helsinki. Talvez das duas porque é difícil comparar. Copenhagen me pareceu vibrante, animada, cheia de surpresas. Helsinki me pareceu aquela beleza plácida, calma, que é bonita de nascença, por assim dizer.

Parque Sibelius, com escultura em sua homenagem

Andar pelo centro de Helsinki é se deparar pra todo lado com água. São lagos (aliás a Finlândia é o país dos lagos), pedaços do Mar Báltico, praias (cuja temperatura mais alta, em pleno calor do verão é de 23 graus). Ocorre que esses lugares congelam durante o verão, então para isso existem piscinas públicas com aguas aquecidas. Sem falar nas famosas saunas, que além de existirem para uso público, existem nas próprias casas. A casa pode não ter garagem, mas se não tiver uma sauna ela perde o valor de revenda. Outra curiosidade é que o porto de Helsinki é o único da Europa que congela no inverno! Dai que estão sempre à postos navios quebra-gelo para permitir o acesso dos navios.

No centro de Helsinki duas belas construções se destacam: a Igreja Ortodoxa, em uma elevação do terreno, e a Igreja Luterana, alguns metros adiante, em outra elevação. São estilos arquitetônicos distintos, bem como seus interiores. Os Luteranos, sóbrios, os Ortodoxos, com seus ícones dourados. Ao visitarmos a Igreja Luterana estava ocorrendo uma celebração (missa? culto?) e quem a oficiava era uma mulher. Claro que isso deve ser comum em igrejas protestantes, mas eu nunca tinha visto e achei o máximo. Mas uma coisa curiosa é que para frequentar a igreja a pessoa precisa se inscrever e pagar um imposto, que lhe dá direito a batizar seus filhos e oficiar casamentos. Se você não paga o imposto, não pode casar no religioso. Isso tem esvaziado a igreja, já que o povo não é bobo.

Não é possível falar em igreja em Helsinki sem fazer uma referencia especial a Igreja de Pedra, a Temppeliaukio kirkko. É uma coisa impressionante. Escavada na rocha, por fora se vê apenas uma cúpula baixa e uma entrada que parece de um prédio qualquer. Mas quando se entra… nossa! que coisa linda. O teto é de fitas de cobre e na sua lateral abrem-se feixes verticais de luz natural. Ela é circular e as paredes são da própria rocha. Linda, linda!!

O mercado de Helsinki é outra visita indispensável. Na verdade, durante toda a viagem onde encontramos mercado entramos e comemos muito bem. O de Helsinki tem suas lojinhas em madeira, vendendo comida, muitos frutos do mar, mas também carne de alce e rena empacotadas para se levar. Do lado de fora, numa ampla esplanada, barraquinhas vendem frutas e servem comida como peixes e linguiças fritos na hora. Se resolver comer aqui, o cuidado é com as gaivotas que fazem vôo rasante e arrancam a comida de sua mão sem dó nem piedade.

No enorme “calor” de 14 graus que estava fazendo, as pessoas estão de bermudas, tomando sorvete e lavando seus tapetes (!). Isso mesmo, existem lugares nas margens do mar, tipo um deck de madeira, específicos para as pessoas lavarem os tapetes. E alguns varais para secá-los. Vimos uma senhora fazendo isso e, de maiô, aproveitando para tomar sol. A questão imediata é: como lavar com agua do mar? e o sal? Supresa! a agua do mar é mais doce que salgada. E isso se deve a agua do degelo das montanhas vizinhas que escorrem para o mar, diminuindo bastante a salinidade.

A partir da esplanada do mercado se extende um grande bulevar, com lojas finas e restaurantes idem. E no fim dele, o comercio mais popular, que não é o mesmo popular que estamos acostumados. Na verdade o popular é Zara, H&M e a Stockmann, a mais importante loja de departamento daqui.

Uma visita que deixei de fazer e me arrependi muito foi à nova Biblioteca Nacional. Os meus amigos foram e voltaram completamente encantados não só com o prédio em si, mas também com o que funciona lá dentro. Não se trata somente de uma biblioteca no sentido clássico do termo, mas de um enorme centro de informação multimídia e tecnologia.

Fotos de Andre Salgado

A uma distância de alguns minutos de barco (5 euros, ida e volta), está uma pequena ilha que foi uma fortaleza militar: a fortaleza de Suomenlinna. Um espaço muito bonito, com parques bem legais para concertos ao ar livre. E uma cervejaria! Parece muito com Governors Island, em Nova York.

Enfim, Helsinki não é para apenas um dia, como ficamos. Fiquei com desejo de bater perna ainda pelo menos mais dois.

O mico de visitar Papai Noel é inevitável

Alguém me imagina visitando Papai Noel? Não, né? Pois é, eu fui. Esse foi o segundo “programaço” de Rovaniemi. A vila de Papai Noel é uma coisa impressionante de estratégia de consumo. Tudo está à venda, tudo é pago. Logo que você entra encontra o Santa Claus Post Office, onde se pode mandar um cartão para o próprio ou pode-se postar um cartão como se fosse ele lhe respondendo. E você pode pedir para o cartão só ser entregue no dia de Natal. Fofo. Confesso que paguei um Euro por um postal e escrevi para o velhinho.

Uma coisa interessante (se de fato for verdade, nessa vila de mentira) é que justamente aqui passa a tal linha imaginária que marca o inicio do Circulo Polar.

Depois você segue para a “caverna” onde ele está lhe esperando para pousar pra filmes e fotos. Chamo de “caverna” porque o lugar é meio esquisito mesmo. Depois de ultrapassar inúmeras lojinhas de bugenir, você entra em um corredor meio escuro, sobre umas escadas meio escuras, chega a um corredor que no fundo tem uma cortina guardada por uma “duende”, que controla a entrada na sala propriamente dita. E lá está ele, lindinho, rosadinho, branquinho, com uma barba encaracolada longa. E – surpresa – não está de vermelho da cabeça aos pés. Ele é uma simpatia. Conversou conosco, sabia algumas palavras em português e eu lhe disse que tinha enviado um postal para ele com um pedido, que ele por favor atendesse, que eu prometia continuar boazinha. E com ele tiramos uma foto tipo família feliz. O que não sabíamos era que desde a nossa entrada somos filmados e que além da foto nos é oferecido também o filme (55 euros!). 

A família Do Mundo 😀

Ainda tem na vila o lugar onde estão os cães ruskies, que quando tem neve são atrelados a trenós e dão um passeio com quem quer pagar. Aliás pra vê-los também precisa pagar. Ainda vimos que tinha um castelo do chocolate e outras coisas assim, mas nem olhamos onde era. Demos mais um giro, encontramos mais lojas e fomos embora.

E rumamos para o aeroporto com destino a Helsinki.

Dois programaços em Rovaniemi. #SQN

Nossa programação do dia seguinte previa uma coisa dita como “flutuação em um lago gelado”, e lá fomos nós, eu curiosa pra ver como seria aquilo exatamente. A empresa responsável nos levou para a beira de um lago, distante uma meia hora desde nosso hotel. O lugar é lindo, deslumbrante mesmo. Um bosque, um lago, cabanas, um resto de neve. Lindo! A água deve estar gelada, mas não há gelo no lugar onde está o deck. 

E aí começa a parte realmente divertida dessa tal flutuação: vestir a roupa. É uma roupa usada em resgate em águas geladas. Ela é de borracha pesada e cobre desde os pés até a cabeça. Para os que me conhecem, imaginem o “tamanhozinho” da minha. Você se enfia dentro daquilo, sem, obviamente, tirar a roupa que você está vestindo, inclusive os casacos, e os pés já ficam grande demais. Depois você enfia os braços e as luvas ficam dançando na sua mão. Daí você põe uma balaclava para cobrir os cabelos e puxa o capuz pra cabeça. A essas alturas alguém tem que fazem isso pra você porque as mãos estão completamente inoperantes. Um imenso zíper é puxado até sua cara. Vejam, não é até o pescoço, e até a lateral do rosto, do lado da orelha. Quando ele faz isso seu queixo sobe, suas bochechas são empurradas para perto dos olhos, seu pescoço fica duro e você mal consegue falar. Mas a gente ria e ria e ria. Naquelas alturas estávamos todos iguais, ninguém conseguia saber quem era quem.

Daí a gente entra na água e deita de costas para flutuar. Só que tem dois complicadores: o vento vai carregar você e levantar ondinhas, e você não pode deitar a cabeça na água para não entrar água no traje. Então a posição deve ser com a cabeça ligeiramente erguida e você vai “remar” com as mãos para sair do lugar. E voltar, naturalmente.

Atrevidamente fui a segunda a entrar na água. E a primeira a sair, menos de 5 minutos depois. A coisa de ficar com a cabeça erguida, do traje não permitir movimentar o pescoço, e a certeza de que minhas vértebras estropiadas iriam reclamar me expulsaram de dentro da água rapidinho. Mas teve quem ficou bem e curtiu o barato por algum tempo. Então, não foi ruim. Mas também não foi bom. Só valeu por uma sopa de rena que os caras prepararam e nos serviram depois.

Ah, na programação estava também a pesca nesse mesmo lago. Eu imaginava que seria aquilo que a gente vê nos filmes, de fazer um buraco no gelo no meio do lago e pescar ali. Mas não, era aquela coisa sem graça de colocar uma minhoca no anzol e ficar esperando um peixe fisgar. Claro que não se pescou nada.

Enfim foi uma programação que só valeu porque nosso grupo é muito animado, alegre e que ri de tudo, até da própria desgraça.