Catania, de cinzas e laranjas

Confesso que só passei a saber que existia uma cidade chamada Catania (pronuncia-se com o 2o. “a” aberto) ha cerca de um mês. Na verdade, de todas essas cidades que estou visitando, só sabia da existencia de Palermo e Siracusa. E essa última acho que nos livros de História. Então, quando pensamos em fazer uma parada em Catania era muito mais pela sua localização entre Taormina e Siracusa, até porque todos os guias e blogs que consultamos deixavam mil reticências quando se referia a ela. Pela falta de referencias já estávamos decididas a ficar em Siracusa, até que o recepcionista do Hotel Amici, em Agrigento, nos disse que Catania era “a MIlão do sul”. Resolvemos arriscar.

Tomamos um trem. Péssima escolha. A viagem é demoradíssima. Foram 4 horas para chegar, em um trem desconfortável e parador. Talvez de ônibus seja melhor. Ah, devo dizer que desistimos de alugar um carro quando encontramos 2 brasileiras que vinham viajando de carro desde a Toscana e nos disseram que o pior lugar pra dirigir era justamente a Sicilia. Não pelas estradas, que são boas, mas quando se entra nas cidades não há sinalização, não há placas indicando as ruas, enfim…

Como diz o guia de Fá, Catania é a cidade das cinzas e das laranjas. De fato, durante boa parte do percurso do trem vimos laranjais até nos canteiros das rodovias. O problemas são as cinzas. Toda a parte mais antiga da cidade tem seus predios com uma tonalidade “suja”, com a cor das cinzas do vulcão Etna se misturando ao branco do reboco original. Fica muito esquisito. Parece realmente sujo. Fiquei pensando em minha cunhada, que diria algo como “não dava pra eles darem uma limpadinha?”

De fato, Catania tem uma rua enorme, a Via Etneia, que tem uma parte de comercio chic e outra (mais no topo) de um comercio mais pobrinho. E é onde fica o B&B que ficamos. Descemos a pé e nos deparamos com um jardim imenso e de uma beleza diferente do jardim dos ingleses de Palermo: o Giardino Bellini. Aliás, Bellini, o famoso músico, nasceu aqui e é homenageado de varias maneiras.

Confesso que não gostei muito do estilo meio “over” (meio over é otimo!) da Catedral. A bela fonte que esta próximo a ela está escondidinha num canto da praça.

A grande curtição foi mesmo passear pela feira. Verduras e legumes belissimos, alguns desconhecidos para nós.

Olha esse couve-flor rosa, que coisa linda!
Tomate cereja, uma especialidade da Sicilia. Se usa refogado.

A idéia de pegar uma excursão daqui para Taormina e para
Siracusa não funcionou. Não há esse tipo de excursão. Se voce quiser pode pegar trem ou ônibus e se virar, mas excursão organizadinha, em ônibus com ar condicionado (o calor continua infernal)), guia, essas coisa, não tem. Excursões por aqui só para o Vulcão Etna, e só em pensar em subir uma encosta calorenta, já nos dava desanimo.

Enfim, Catania é isso: uma beleza diferente.

 

A experiência de se hospedar em um B&B

Sempre achei que um Bed and Breakfast fosse uma dessas hospedaria para jovens, com banheiro coletivo, tipo Albergue da Juventude. Como não tenho mais idade para não ter um banheiro só para mim (aliás, acho que nunca tive essa “idade”), os B&B nunca me interessaram. Até buscar hotéis em Catania. A quantidade que encontrei no Booking.com foi enorme. E não eram baratos. Alguns com preços mais altos que hotéis. Um particularmente nos chamou atenção pelas fotos e pelos comentários dos que se hospedaram por lá: o In The Garden. Como se situa na via Etnea, uma das principais de Catania, resolvemos reservar lá.

O problema inicial foi que não havia nenhuma placa ou indicação que aquela casa era um hotel. E quando paramos o taxi, ficamos em dúvida se o endereço era aquele mesmo. Trata-se de uma casa antiga, provavelmente século XIX, com uma decoração muito legal, um jardim gracioso e um moço super simpático (que fala espanhol!) nos recepcionando.

De cara me causou estranheza que ele tenha nos mostrado a cozinha, a sala e somente depois foi que nos mostrou nosso quarto. Claro, deve ser exatamente assim nos B&Bs, mas eu não sabia. O nosso quarto era bastante grande com um piso em mosaico lindo, um papel de parede de florzinhas e uma luminária bem anos 30. Mas o banheiro, apesar de exclusivo, não era dentro do quarto e sim em uma porta bem em frente. E é lindo, lindo!

Mas o que realmente nos causou bastante estranheza – um pouco de ansiedade mesmo – foi que a noite ficávamos sozinha naquele casarão, donas da casa. Ouviamos barulhos no andar superior, que é onde mora a dona, mas nenhuma comunicação. Na verdade nos sentimos meio desamparadas. Se precisássemos de alguma coisa, como fazer? Se faltasse luz, se o banheiro entupisse, se acabasse o papel higiênico, a quem recorrer? Concluimos que apesar da sensação de estar “em casa”, precisamos de uma portaria 24 horas por dia. Afinal somos “anziani”

Merece uma menção especial o moço que nos atendeu. Simpático, gentil, disponível, uma gracinha. Chegava todo dia em torno das 7 e meia da manha, aprontava nosso café e quando retornávamos dos passeios ele já não estava. Mas conversamos muito com ele. Chama-se Simone Maria, o coitado. Na Italia Simone é nome masculino, vejam só. Ele vai estar no Brasil no próximo ano para o Congresso Internacional da Juventude, da Igreja Catolica. Claro que dissemos que tratasse de encontrar outro nome para usar no Brasil porque com aquele ia ter muitos problemas. Explicamos porquê e rimos bastante pensando nas situações possíveis. Foi ótimo tê-lo conhecido e a sua amiga Martina.

Olha o piso do nosso quarto, que lindeza!