Woodstock: o pitoresco a 2 horas de NYC

Desde que vi o filme “Paz, Amor e Muito Mais”, com Jane Fonda como uma hippie velha, fiquei com vontade de conhecer essa cidadezinha que está tão perto da cidade de Nova York. Agora fui. E ela é realmente encantadora.

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Pequenininha, com uma população de menos de 6 mil pessoas, basicamente uma rua principal e outras pequenas transversais, Woodstock vive da fama do Festival. Lojinhas com roupas dos anos 70, muitos brechós, umas figuras meio folclóricas no meio da praça, uns caras com cara de Hell’s Angels, e logo você se sente deslocado no tempo. Mas retorna rapidinho quando entra nos bares, restaurantes e cafés transados e bem novaioquinos que também tem por lá. É uma cidade que sabe aproveitar o melhor dos dois mundos. Encontrei lá, por exemplo, uma loja de roupas de linho, no melhor estilo oversized, blusas e vestidos lindos. Pena que meu orçamento não seja tão “oversized” assim.

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A cidade tem pouca oferta de hospedagem, basicamente Bed & Breakfasts. Tivemos sorte de conseguir vaga em um dos poucos hotéis, que, por sinal tem apenas 4 apartamentos. Mas nosso apartamento era uma lindeza com uma decoração meio “psicodélica”, móveis antigos, detalhes indianos. Se alguém se interessar ele chama-se White Dove Rockhotel.

Então, quando a gente diz que vai a Woodstock todo mundo logo pensa em hippies, rock e marijuana, que a cidade vai estar cheia de “bicho-grilo”, como se dizia antigamente, e que o cheiro de patchuli estaria pairando no ar. Nada mais equivocado. Primeiro porque no estado de Nova York a comercialização da Canabis é proibida, segundo porque o Festival de Woodstock não aconteceu em Woodstock.

Por mais chocante que isso possa parecer, a cidade onde aconteceu o Festival chama-se Bethel e está a mais de uma hora de carro desde o centro de Woodstock. Então por que tem esse nome? Woodstock promovia periodicamente festivais de rock nos anos 60/70 e os organizadores do famoso festival o planejaram para acontecer lá. Ocorre que a prefeitura negou a licença porque eram esperadas 50 mil pessoas e a cidade não tinha infra-estrutura para isso. De ultima hora eles encontraram uma fazenda em Bethel e como todo material de divulgação já tinha o nome de Woodstock, assim ficou. No fim foram mais de 400 mil pessoas! E Woodstock ficou com a fama, a pobre da Bethel nem é lembrada. E nem vale a pena ir lá, porque é um grande descampado com uma placa dizendo que lá ocorreu o festival. Nem uma lojinha de souvenirs tem.

E se tudo isso ainda não for incentivo suficiente para dirigir essas duas horas, no meio do caminho você pode dar uma desviada e visitar o Storm King Art Center, um imenso museu de esculturas a céu aberto. O parque é maravilhoso, a maior parte da esculturas são monumentais e contemporâneas. Não conheço Inhotim, mas imagino que seja algo parecido.

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