De volta ao Mexico: Coyoacan

Por questões de roteiros de vôo, tivemos que voltar pelo México e lá passar um dia. Fátima sugeriu que arranjássemos hotel no bairro de Coyoacan, um lugar que fica ao sul da Cidade de México, longe do centro histórico. E como essa nossa viagem se caracterizou por ficarmos em locais mais caseiro, menos hotelzão, ficamos em um B&B lindinho já no nome “Casita del Patio Verde”. Uma casa que tem apenas 3 apartamentos, mas com um jardim gostoso e aquele clima de que estamos em casa. Nosso quarto – o “cuarto del árbol” -, tinha uma varanda que dava para o pátio da frente, para um flamboyant lindo, com passarinho fazendo algazarra pra nos acordar.

O bairro de Coyoacan é um daqueles lugares que quando voce pensa no México não acredita que exista. É o bairro mais antigo do Distrito Federal e foi o lugar onde o invasor Córtes iniciou seu ataque à antiga cidade azteca. Pelo que vimos hoje é um lugar bastante residencial, com casas em estilo colonial espanhol enormes, onde, imaginamos, só devem morar gente de grana. As ruas são bastante arborizadas, com aquelas arvores enormes que só vimos no México, o calçamento é de pedras, mas sua característica maior é a existencia de ruas estreitinhas e inúmeros bequinhos (callejónes). Em alguns aspectos me lembrou certos lugares de São Paulo, que voce sai de uma avenidona e cai em um labirinto de ruas, praças, árvores. No começo (ou fim?) da Heitor Penteado tem um lugar assim.

Bem perto do nosso Callejón estão dois lugares muito incríveis: a Plaza de Santa Catarina e a Casa de Cultura Jesús Reyes Heroles. A praça é um lugar tranquilo, com dois restaurantes típicos e a simpática igrejinha de Santa Catarina de Siena.

A Casa de Cultura é um enorme casa colonial antiga, com lindos jardins, onde fervilham as manifestações culturais de todos os gêneros. No dia que visitamos estava havendo uma festa em comemoração a derrotada do fascismo na Italia. Mas estavam programados concertos, exposições, cursos. Um lugar muito especial.

Mas adiante chegamos no Parque Centenário. E ai a inveja e o despeito bateram em mim. Inveja por existirem lugares assim, da mais pura convivencia comunitária, onde de fato as pessoas se encontram para tudo e qualquer coisa: namorar, passear com os cachorros, soltar as crianças para correrem, vender doce, tirar a sorte com o realejo, se embebedar e dormir nos bancos, se vestir bem alinhada e sair com as amigas para paquerar, se sentar nos bancos para ler, ir com o grupo encenar um texto de teatro, ir com os amigos oferecer abraços gratis, enfim, aquela coisa maravilhosa que infelizmente não temos em nossa cidade Natal. E ai fiquei com o maior despeito. E lastimei por existirem shoppings center. Esse ai é o coreto da praça, enfeitado com os graciosos papéis picados, como eles chamam esse tipo de bandeirinha.

Nesse Parque há uma sorveteria imperdível: a Tepoznieves. Só a decoração já vale uma visita: mais mexicana impossível. E os sorvetes artezanais tem nomes lindos como “Arrullos de Luna”, “Besos de Angel”, “Reina de la noche”.

Enfim, Coyoacan nos surpreendeu. E minha mais grata surpresa foi encontrar no nosso caminho, na Calle Francesco Sosa, uma lindinha loja de lãs. E olha o nome: “Club de la Araña”. Infelizmente (ou felizmente?) estava ja fechando.

Mérida, cidade da música

Na verdade Mérida é uma cidade voltada para as artes. Somente na rua 60 existem 2 teatros em quarteirões seguidos e muitas galerias de arte. Super comum voce ver pessoas passando com instrumentos musicais em seus estojos, como se fossem ou viessem de alguma aula. Em duas noites que voltamos pela Plaza Santa Lucía, por volta das 10 da noite, havia um grupo de jovens ensaiando um tipo de dança.

Nos finais de semana é preciso se preparar, porque há quase que uma virada cultural: coisas acontecendo em vários pontos da cidade. Na sexta-feira assistimos uma seresta, que acontece desde o ano de 1962. Lindo! Uma orquestra tocando e um senhor idoso cantando boleros.

E não é coisa para turista, não. Quem assiste são os da cidade mesmo. Depois dos boleros, vimos a apresentação do grupo de dança da Universidade de Yucatan (uma das 3 que existem na cidade), com apresentação de jaranas, a dança típica daqui. Todas essas apresentações são grátis, ao ar livre, num ambiente bem familiar.

No domingo a coisa vira uma festa total. A rua lateral a Plaza Santa Lucía é fechada para o tráfego e se transforma em uma enorme pista para bicicletas. Essa rua liga a Plaza Sta. Lucía a Plaza Grande (ou Zócalo), ai, enquanto na Plaza Grande acontece feira de artesanatos, barracas de comidas, brincadeiras em um palco, no outro lado está acontecendo um animado baile popular. Isso mesmo, as pessoas vão lá para dançar boleros, merengues, salsa e os ritmos típicos daqui. Acreditem: vimos isso por volta das 10 horas, mas quando voltamos, por volta das 2 da tarde, com um sol de rachar e 39 graus de temperatura, as pessoas continuavam dançando. Fantástico!

Era meio dia, com o calor peculiar, e olha a fila de gente pra entrar no teatro! E, vejam, nenhum tem cara de turista.

 

 

Mérida, a terra da guayabera

Conta a história que antigamente os ricos fazendeiros de Mérida iam a Cuba comprar suas guayaberas, sendo, portanto, uma vestimenta da classe alta. Até que os alfaiates meridanos começaram a confeccionar aqui mesmo, popularizando a utilização dessa camisa tão peculiar. Assim, hoje guayabera é a vestimenta que todos usam. Preferentemente branca, usada com calça branca e umas sandálias tambem brancas, com um saltinho 3. Essa é a indumentária de 9 entre 10 meridanos. Impressionante. Para onde voce se vira está um senhor de guayabera. Com isso a venda delas tambem está em toda a parte. É impossível sair de Merida sem levar uma na mala.

Para as mulheres a vestimenta é o hipil, um vestido com uma gola quadrada de uns 20 a 30 cms, toda bordada e uma saia com a barra também bordada. Geralmente branco. Existem de varias qualidades, desde bordados refinadíssimos até golas e barras de crochet. Os bordados são sempre muito coloridos, lindos. Esses vestidos tambem são usados normalmente. É uma roupa típica tradicional, que não é usada somente em festas para turistas, mas no dia a dia das mulheres, como uma roupa mais alinhada.

E existem os chapéus estilo panamá, aqui feito de uma fibra chamada henequén, que é um tipo de sisal. Reza a lenda que esses “sombreros” são confeccionados em cavernas para que mantenha a humidade que permite que a fibra seja tecida. E que, dado a delicadeza da tecitura, são feitos por crianças (!). Claro que comprei um porque sempre que viajo compro um chapeu 😀

 

 

 

 

 

 

A serpente da pirâmide de Kukulcan

Estávamos almoçando hoje em um restaurante e de repente vejo na parede uma foto, da qual tirei essa que coloco aqui. Ela mostra o que eu falei no post anterior: a serpente visível em uma determinada hora do dia do solstício. Ela está na lateral da escadaria da esquerda e é o resultado da luz nos degraus. Olha a multidão esperando ela aparecer! É ou não é um espetáculo magnífico?

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Chichén Itzá

Chichén Itzá é um imenso sitio arqueológico maya, resquicios de uma cidade importante politica e economicamente. Fica a 130km de Mérida e fomos em tour de um dia. Pode-se ir de carro tambem, porque a rodovia é ótima, bem conservada e sinalizada. Problema: não vi nenhum povoado, nenhum posto de gasolina, nenhuma lanchonete nos 130km. Somente arvores ressecadas e mais nada. O trânsito também é bem pequeno, pelo menos no dia que fomos. Assim, quem vai de carro deve ir prevenido para não ter nenhum contratempo no meio do caminho.

Apesar do pouco trânsito na estrada, quando chegamos lá tinha uma multidão de gente, alguns infames até levavam seus bebês de colo, num calor de 38 graus à sombra. Mas a entrada é organizada. É necessário se pagar 2 tickets, um estadual e outro municipal. E entrega-los a pessoas diferentes também. Ficamos imaginando que deve ter tido uma disputa grande entre as duas instâncias e ai resolveram separar o pagamento.

A cidade é imensa, como disse, várias pirâmides e construções, a maioria restaurada com as pedras originais. O interessante é que, apesar de não fazer muito tempo da destruição do império Maya e de ainda existirem muitos descentes diretos deles, a maior parte das construções não se tem certeza de qual teria sido realmente sua utilidade.

Uma das construções impressionantes é o chamado Observatório, construido de modo a indicar, através da luz do sol, o início das estações do ano. Outro muito bonito é o chamado Convento, apesar de não se saber exatamente sua utilização.

O Observatório
O Observatório
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Las Monjas
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Palacio de Kukulcan, a pirâmide principal

A pirâmide principal é magnífica! Nos dias de solstício um fenômeno provocado pela incidência do sol faz com que se perceba, nas laterais das escadarias, a imagem de uma serpente subindo ou descendo, dependendo de ser solstício de inverno ou verão. Segundo o guia junta-se multidões para observar isso. Se nos postamos diante de uma das escadarias e batermos palmas, o som do eco é o som como de um pássaro piando. Testamos e funcionou.

Mas, o constrangedor disso tudo é o intenso comércio de bugingangas ao longo de todo o caminho. Muito desagradável porque eles insistem, ficam chamando, oferecendo. Gosto disso não.

O nosso Hotel em Merida

Quero compartilhar com voces a gracinha que é nosso Hotel aqui. Não estou fazendo nenhum marketing, apenas gostei mesmo. Ele chama-se Medio Mundo e é daquelas casas que quando voce vê de fora não dá nada por ela, parece mais um casarão grande. É só abrir a porta e entrar para o mundo se transformar. De cara nos encontramos com um jardim interno, com uma fonte d’agua, plantas, flores e corredores em arcadas e paredes pintadas com cores maravilhosamente mexicanas.

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O casarão tem dois pisos; ficamos no segundo, que deixou o nosso quarto mais fresco. O nosso quarto deve ter mais de 4 metros de pé direito, tem o piso em azulejos friozinhos e camas queens bem gostosas.

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O café da manhã é servido no jardim de trás, onde está a piscina. Olha que coisa linda é a cozinha onde arrumam nosso cafe!

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Os detalhes me encantam e quando vi essa pia no nosso quarto, me apaixonei perdidamente. Quero uma dessas no meu banheiro!!!!!! Se alguem souber onde comprar no Brasil, por favor me diga!

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