Purmamarca, o mais lindo de Jujuy

Depois da decepção de Tilcara, seguimos o planejado e fomos a Purmamarca. São apenas 12 km até a entrada da estrada que leva até la, o que significa mais uns poucos quilômetros. E ai, depois de uma das suaves curvas, voce tem que parar porque a paisagem é de tirar o fôlego (não fossemos já estarmos a mais de 2.000 metros de altura). Uma das coisas mais deslumbrantes que já vi na vida: a sua frente, ao longe, se descortina um conjunto de montanhas listradas, coloridas, com a moldura de um céu absurdamente azul. Para mim, só essa visão já me pagou a viagem.

Los colorados
Los colorados

Entramos no pueblo, que tal qual Tilcara quase não tem ruas calçadas. A diferença é que Purmamarca é colorida. Não as casas, mas o entorno da pracinha. Existem árvores, as lojas de artesanatos são muitas e algumas com coisas de muita qualidade e muitos e bons restaurantes. Existem bons e caros hoteis (vimos um que tinha diária de 800 reais), alem dos hostais e hoteis mais simples. É uma cidadezinha acolhedora, que nos deu vontade de ficar por ali vendo a lua nascer nas montanhas.

Pracinha
Pracinha
Igrejinha
Igrejinha

Comemos em um restaurante cuja dona é cantoautora, uma palavra que não conhecia, mas que é perfeita para o que quer designar. Chama-se Claudia Vilte. No seu restaurante ela promete música 365 dias por ano, a partir das 21 horas. E ai, nesse restaurante, devo confessar uma coisa que fiz e que me causa vergonha até agora: comi um assado de llama 😦  Podem me xingar, mas a carne é muito macia e gostosa. Que horror!

Essa é um algarroba de mais de 700 anos
Essa é um algarroba de mais de 700 anos

A conclusão é: se voce for a Jujuy, não precisa ir até Tilcara, fique em Purmamarca, uma cidade muito mais bonita e acolhedora. Lamentamos muito não termos feito isso.

Os cardones ou cactos gigantes

Por todos os lados que andamos encontramos cactos semelhantes aos que temos no Nordeste brasileiro, só que muito mais altos (vimos alguns com mais de 3 metros de altura) e com maiores circunferências. Aqui são chamados “cardones”. Passeando pelas lojinhas de artesanatos ainda em Salta, comecei a observar objetos de um tipo de madeira que, apesar de dura, apresentava uns espaços abertos, como se tivessem feito uns furos oblongos. Eram caixinhas, molduras para quadros, depósitos para levar o mate. Curiosa, perguntamos a uma senhora que madeira era aquela tão interessante. E ela nos disse: cardones. Mais uma vez, cara de espanto. Então aquelas plantas “suculentas” se transformavam em uma madeira assim tão dura? Foi uma surpresa.

Cardones
Cardones

Não soube exatamente qual o processo de endurecimento, se se dá no envelhecimento da planta ou se ela é submetida a algum procedimento especial. O fato é que vimos exemplares ainda no solo e já totalmente ressecados.

Cardone já seco
Cardone já seco

E vimos que a madeira não é usada somente para objetos decorativos, mas também em construções. A igreja católica de Tilcara tem o madeirame de seu teto em tabuas de cardone, o púlpito é em cardone e até o painel onde está o Cristo crucificado. Pena que os objetos sejam tão mal acabados e sem originalidade. Acho que, do ponto de vista do artesanato, o cardone ainda é um material a ser descoberto criativamente.

Púlpito
Púlpito
teto
Os caibros são de outra madeira, mas as ripas do teto são de cardone
Painel do altar
Painel do altar

Tilcara, nosso ponto mais ao norte

Depois de um pernoite no meio do caminho, em um charmoso hotel na beira da Rota 9 (“Posta de Lozano”), renovadas, seguimos viagem rumo a Tilcara. Não entramos em San Salvador de Jujuy, as informações que tínhamos nos diziam que não valia a pena.

No caminho para Tilcara tínhamos a referência do pueblo de Purmamarca, mas preferimos ficar 3 dias em Tilcara e de lá faríamos o recorrido pelos arredores. Tomamos essa decisão porque havíamos lido em um blog de viagem de uma brasileira que vive em Buenos Aires, que Tilcara era linda, que tinha restaurantes “fusions”(seja lá o que isso signifique), cafés, musica ao vivo e até poderíamos ouvir Billie Holiday em bares. Terminava dizendo que Tilcara era o Soho do norte da Argentina. Claro que uma descrição dessas nos encheu de vontade de fazer de lá a nossa base.

Chegamos umas 11 horas da manhã, deixamos as malas no hotel e saimos para dar um giro na cidade e almoço. E ai é o seguinte: a cidade é ocre, toda ocre, porque há uma eterna poeira subindo. A maioria das ruas não são calçadas, de modo que cada carro que passa levanta mais poeira. As casas são rústicas, sem graça e ocres, com calçadas ocres. Nas ruas corre esgotos a céu aberto. Na praça principal uma feira de artesanato está sempre montada em barracas cobertas de plástico e armação de tubos de ferro, vendendo coisas não originais (encontramos coisas chinesas até). Ao redor da praça vimos 3 restaurantes bastante simples e em apenas um deles havia música ao vivo. Não vimos um só café.

Rua de Tilcara

Mas a pior coisa mesmo é a altitude (2.600 metros), que nos deixou com o coração disparando por qualquer mínimo esforço que fazíamos, e o ar tão extremamente seco que todo hidratante que passávamos no corpo desaparecia em segundos. Não fez calor, mas o sol era inclemente, deixando os locais fechados com uma sensação opressiva de abafado.

No dia que chegamos havia uma festividade na praça lembrando o “outubro rosa” que também temos no Brasil. Umas senhoras maduras com roupas típicas dançando ritmos típicos. Todo mundo achando muito engraçadinho como as velhotas dançavam. Eu particularmente não gosto desse tipo de exposição.

Comemoração do Outubro Rosa
Comemoração do Outubro Rosa

Assim que, ou há uma outra Tilcara escondida nas montanhas que parece com o Soho, ou eu não sei o que é o Soho, porque o que vimos foi uma cidadezinha pobre em atrativos, com uma gastronomia precária e artesanias comuns e pouco inspiradas.