Um pouco mais de Ronda

No nosso último dia resolvemos não subir os mais de 60 degraus e conhecer as cercanias de nossa linda Pousada, que fica fora das muralhas da cidade e vizinho aos Banhos Árabes, uma das atrações da cidade. Fomos conhece-los.

É um lugar muito interessante e ainda preservado desde os tempos mouros. Era um lugar de encontros sociais, de purificação para as orações, de cuidados com o corpo que incluía um amplo salão para massagens, sauna úmida e seca, piscinas, e era frequentada, claro, só por homens.

Mas, o mais interessante e engenhoso era a maneira como eles faziam essa sauna funcionar. Acima de toda a construção há um mecanismo que trazia água do rio que passa por baixo, sob a forma de um moinho d’agua de muito metros de altura, movido por um pobre de um jumentinho que passava todo dia andando em círculo, coitado. Essa água era jogada em uma canaleta que a levava até uma fornalha – alimentada por um escravo humano, que ficava o tempo todo jogando lenha. A água quente circulava pelo piso, soltando fumaça nos quartos da sauna e agua quente para as piscinas. Abaixo o que restou do poço. Olhar pra baixo dá vertigem.

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Dos Baños se tem tambem uma bonita vista da ponte árabe.

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Saindo dos Baños, passeamos ainda um pouco seguindo pelo lado de fora das muralhas, mas o tempo não permitiu ir até a parte de cima por esse lado. Fica prá próxima.

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Pueblos Blancos, Ronda

Não, nós não estávamos com saudade das escadas e ladeiras de Positano. Mas, não teve jeito. Depois de uma Córdoba bem retinha, tivemos que encarar as escadas e ladeiras de Ronda. Primeiro porque nosso hotel fica na parte mais baixa, junto à Ponte Árabe e os Banhos Árabes, cujo acesso ao centro se dá por 60 degraus (contadinhos) e mais umas 4 ladeiras de pedrinhas simpáticas, mas estafantes. Nesse percurso vemos as 3 pontes que dão fama ao lugar: a árabe, a “viejo” e a “nuevo” (lembrando que ponte é uma palavra masculina em espanhol). Embaixo dessa pontes está uma espécie de garganta ou cânion, que em espanhol se chama “tajo”, com o rio Guadelevín passando bem abaixo. É uma coisa linda de ser ver. A cidade foi toda construída entre essas duas partes do desfiladeiro, que é todo seu encanto.

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A cidade tem ainda muita construção árabe. A melhor preservada é a Casa do Rey Moro, porque ao longo do tempo foi sofrendo restaurações (e modificações). O acesso a ela é feito pelo Arco de Felipe, monumento feito quando se construiu a Ponte velha e se precisava dar uma melhor imagem à entrada da cidade.

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Outra atração da cidade é sua Plaza de Toros. Passamos perto, mas não quisemos entrar. Somos contra essa prática bestial. Seguimos batendo perna e nos deparamos com um “Museo do Peinado”. Eita, vamos lá, quem sabe não aprendemos sobre os penteados da época moura por aqui. Fomos. Era o Museu Joaquim Peinado, um senhor rondeño que gostava de artes. Também nos chamou atenção o Museu do Bandolero, aí sim, com um significado semelhante ao nosso, bandolero era o assaltante dos viajantes pelos caminhos das montanhas, e aqui na Andalusia era um dos lugares onde eram mais frequentes. Porque existe um museu dedicado a eles, não me perguntem.

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Ronda é uma cidade cercada por plantações de oliveiras e por vinhedos. Existem passeios às bodegas, mas nosso tempo escasso não permitiu faze-los. O que não nos impediu de tomar bons vinhos rondeños, do qual destacamos a bodega Chinchilla, com vinhos muito legais. Também se pode comer “bocadillos” (sanduíches) de jamón ibérico ou serrano. Aprendemos a diferença: o ibérico é o “pata negra”, de melhor sabor e qualidade que o serrano. E mais caro, claro. Mesmo assim, um sanduíche, em um pão grande, de jamón ibérico sai por 6 euros. Se você compra uma garrafa de vinho por 8, está com seu jantar garantido.

Assim é Ronda, uma cidade pequena (cerca de 40 mil habitantes), mas muito peculiar, bonita, limpa e, claro, branca.

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