A Semana Cultural de Andrequicé

É uma vilinha linda. Pequenina, parece perdida no tempo. Não há comércio próprio e todas as coisas parecem ser resolvidas em Três Marias. Mas que fofura de cidade! Lá está o Museu do Manuelzão, na casa onde ele morou, onde estão fotos, documentos, objetos, móveis.

Minha amiga Fátima conhece todo mundo aqui, de modo que fomos chegando e tomando café aqui, comendo broa ali, abraçando gente por onde andava. Uma festa. Duas grandes figuras: Madalena (Dalena, para os íntimos), uma danadinha de dinâmica, alegre, risonha, organizando todas as coisas, a outra, uma xará minha: D. Vera, dona de uma casa lindinha, onde hospeda pessoas nesse período de festas. Linda, cabelo branquinho, risonha, “uma casa aberta”, como dizia minha mãe. Adorei as duas.

Depois desse circuito alimentício-engordativo, a forma regional do comfort food, fomos assistir aos espetáculos da noite. Ontem havia uma apresentação da Dança do Gamba – uma dança típica do lugar – por um grupo de jovens da terceira idade. Umas meninas e meninos animadíssimos, elegantes e garbosos.

Mas, mais lindo ainda era o pano de fundo do palco. Bordados belíssimos. Fiquei babando. Olha ele e um detalhe.

Do lado de fora do circo, a decoração tambem é linda e supercriativa. O teto está assim, ó

Bom, a impressão que está me ficando é que a festa aqui em Andrequicé é muito mais organizada do que a de Cordisburgo. Me parece que aqui as pessoas participam mais, se envolvem em fazer um evento bonito. Talvez porque a cidade seja menor, talvez porque a característica é de um evento para mostrar a cultura da região e não personalizar em ninguem. Não sei, não tenho condições de fazer uma análise consistente, mas o fato é: gostei muito mais daqui!

Citação

Andrequicé é um “pueblito” perto da represa de Três Marias e foi onde nasceu e viveu Manuelzão, personagem e amigo íntimo de Guimarães Rosa. Por conta disso, Andrequicé entra nos roteiros dos “roseanos”, que se dividem entre ele (o “pueblito”) e Cordisburgo. Há uma Semana Roseana, em Cordisburgo e uma Semana Cultural Manuelzão, em Andrequicé. Este ano os dois eventos meio que se sobrepuseram, de modo que os grupos se desencontraram.

Andrequicé não tem nenhuma estrutura de hospedagem formal. As pessoas ficam em casas das familias de lá, em um esquema bastante precário. Dai que preferimos nos hospedar em Três Marias, que fica a 30 km de lá em uma estrada bastante legal. Como estamos de carro, não tivemos nenhum problema.

Chegamos a Três Marias depois de mais ou menos 2 horas e meia de viagem desde Cordisburgo. A estrada é a BR-040 e é excelente.

A cidade de Três Maria é feinha, coitada. Lindo mesmo é o imenso lago formado pela arrochada que deram no Velho Chico, que sai do outro lado, lindo e garboso, como se nada.

Por que “Três Maria”? Achei interessante a historia que o Wikipedia conta:

Há muitos e muitos anos, residia às margens do Rio São Francisco uma família que montou uma pequena hospedaria na fazenda, com o passar dos anos, os pais morreram e as filhas Maria Francisca, Maria das Dores e Maria Geralda continuaram com a hospedaria, ponto de parada obrigatória. Aquela pequena hospedagem tornou-se popular como as ‘Três Marias’: ‘Hoje vou pernoitar, lá, nas Três Marias…’; ‘Quando atravessar o Rio São Francisco vou almoçar nas Três Marias…’

Certo dia, como de costume, as Três Marias foram nadar, sem saber que vinha vindo uma cabeça de enchente. As águas vinham revoltas, arrastando animais, árvores, plantações, carregando e destruindo tudo a sua passagem. As Três Marias, ao sentirem a chegada das águas, tentaram sair do rio, mas Maria Geralda rodou nas águas, Maria Francisca tentou salvá-la e rodou também. Quando Maria das Dores viu as suas irmãs debatendo-se nas águas, numa luta mortal, tentou levá-las para as margens do Rio. Tudo em vão: as águas carregaram as Três Marias para o fundo do Rio. Após o acidente trágico, o nome de Três Marias tornou-se mais popular ainda, ficando aquela região assim conhecida.