NY: o metrô de Nova York e seus tipos

Nova York é uma cidade vibrante, multicultural, com parques belíssimos, tudo de mais avançado em cultura, moda, gastronomia. Tem paisagens bonitas e bairros super simpáticos, como o que eu moro. É um imenso prazer andar por suas ruas ouvindo os mais diversos idiomas, vendo os mais diversos tipos. Mas, me desculpem, no conjunto da obra Nova York não é exatamente uma cidade bonita. Acho que carrego um viés complicado, porque depois do Rio de Janeiro é difícil achar outra cidade grande, bonita. Tampouco ela é feia, como achei Dubai e Bangkok. Mas, se tem uma coisa que é realmente feio em NYC é o metro.

Desde a primeira vez que estive aqui, que isso me surpreendeu. Contei aqui: https://veralu.wordpress.com/2008/09/16/o-metro-de-nova-iorque/. Continua me incomodando muito as estações muito estreitas, a sujeira, a falta de acessibilidade. Não é por ser antigo, porque o metro de Paris é até mais velho e tem umas entradas lindas em art deco.

O espaço das estações é quase sempre muito estreito, sem proteção. Se o sujeito se descuidar, cai na linha. E se cair e não morrer vai ser comido por ratos. Juro que vi ratos passeando entre os trilhos, numa sujeita de agua estagnada. Poucas estações possuem acessibilidade, ao contrário, são muuuitas escadas. As estações que estou utilizando agora, nenhuma tem elevador ou escada rolante. E tem mais um complicador: se você errar a direção – ao invés de uptown, você pegar a direção downtown, por exemplo – em algumas estações você vai ter que descer do trem, sair da estação e entrar de novo pelo outro lado, pagando nova passagem. Para quem está viajando liso, isso não é bom.

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Maaaas, o metro de Nova York tem duas coisas ótimas. O primeiro é ter linha pra todo canto que você quiser ir e a todo hora. E se anda tanto de metro que outro dia eu me assustei vendo um ônibus de linha. Achei que nem existia.

A segunda coisa realmente fantástica do metro é porque ele carrega microcosmos da população novaiorquina, com todas as suas peculiaridades, cacoetes e esquisitices. E Nova York tem gente esquisita, viu?

Dessas esquisitices tenho duas pra contar. Estava eu indo pro curso, 8 hs da manhã, entra uma mãe com duas filhas, uma de uns 10 anos e outra de uns 7. A mais nova, lourinha de cabelos compridos, com um casaco de moletom com o capuz puxado cobrindo a cabeça, senta-se no banco em frente ao meu. E começa a me encarar. Não desgruda em nenhum momento os grandes olhos verde água de mim, com uma cara muito séria. Eu olho, rio, e ela lá séria, me encarando. Chega na estação dela, ela levanta me encarando ainda, segue até a porta me encarando, sem nem pestanejar. Cara, tive medo! Sabe aqueles filmes de terror que tem criança do mal, bonitinha mas do mal? Pois foi o que eu pensei. Vade!

Ai, outro dia, entro no meu trem e dou de cara com um ser. Um ser. Creio que humano, mas não tenho certeza. O ser era absolutamente branco, supreendentemente magro, mas magro mesmo, um nariz de águia e uns cabelos ralos meio comprido, tipo fiapos, e… verde! Vestia uma camisa xadrez vermelha e branca e umas calças extremamente justas e curtas, mostrando os calcanhares. Gente! Fiquei, obviamente, olhando (apesar de mais ninguém no trem olhar, o que é bem novaiorquino) e tentando descobrir o que era aquilo. Vontade enorme de sacar o telefone e tirar uma foto, mas fiquei intimidada. Confesso que fiquei sem saber o que era, mas desconfio que era um ET.

Uma outra característica do metro de NYC é que os condutores em todas as paradas falam coisas. Você não entende nada, mas eles falam. Segundo Daniel, você pode se considerar com um excelente inglês, quando você consegue entender o que esses caras falam. Agora, imagine quando junta uns caras falando complicado e uma idiota que ainda está no intermediate!  Estava voltando pra casa e de repente o cara começou a falar algo. Eu só entendia o “ladies and gentleman“. E ele repetiu, e repetiu, dizia “once more time, ladies and gentleman” bla bla bla. Não entendi nada! Eu via algumas pessoas saindo às pressas do trem, mas não sabia porque. Quando foi chegando perto da minha estação me levantei, toda boçal. E o trem passou direto. Era essa a noticia que ele tanto repetiu.

 

NY: e segue o curso

 

Essa semana ocorreram mudanças no nosso curso. Mudamos de sala, de professora e de livro. Não que eu tenha saído do intermediate (a sina!), mas trabalhávamos com livros de um inglês britânico e agora estamos com o inglês americano. Todas as professoras estavam exultante com essa troca, que ia ser muito melhor, que nós íamos perceber como o livro era bom. E os alunos também assim, tipo, “oh, que maravilha”, mas eu acho que era só onda porque eu confesso que não vi nenhuma diferença.

A mudança de professora foi interessante. Nos informaram que esse tipo de rodízio faz parte da política da escola, que é importante que a gente experimente outros estilos de ensinar, etc, etc. Não sei, porque não vi outras turmas mudarem, mas para mim não teve o menor problema, afinal meu objetivo não é me tornar fluente e sim conseguir me comunicar (já ia dizendo, continuar no intermediate).

No fim está sendo muito interessante. Saímos de uma professora que me lembrava muito os personagens de Wood Allen, para uma que me lembra os filmes dos anos 50. A primeira tinha aquele modo inquieto e gaguejante de falar, cheia de ahn, uhn. Meio desengonçada, anda sempre com um copo de café (sim, café não é em xícara, é em copo aqui) na mão e umas roupas tipo Annie Hall. A segunda parece com Doris Day, só que velha. Baixinha, toda rechonchudinha, rostinho redondo, bochechas coradas, cabelo bem louro e arrumadinho. Se veste com estilo mais antigo, mas não vintage, antigo mesmo e parece ser uma “bela, recatada e do lar”, se é que me entendem. Fala com uma voz meio estridente e, com certeza foi namorada do melhor jogador de futebol da escola. Ah, e os exemplos que dá quase sempre inclui “my husband” (dela!). Uma gracinha. Eu fico rindo por dentro, porque não tenho com quem comentar. Virei pro meu colega e perguntei se ele não achava ela parecida com Doris Day e ele “who???“. Essa juventude que nunca viu Doris Day e Rock Hudson não está com nada.

A nossa Doris Day é bem professora primária no seu método. Escreve tudo no quadro, fala pausado, dá carão, faz chamada e cobra rigorosamente o horário de chegada. Como eu sempre fui obsessiva com horário, isso não me preocupa. A maior parte das vezes sou a primeira a chegar. Sou uma “early bird“, como disse uma das professoras.

Mas, enfim, o curso segue muito legal. Creio que estou melhorando bastante meu inglês e que está super valendo a pena. Vamos ver se dessa vez eu avanço pelo menos para um “upper intermediate

NY: meu encontro com Obama

Domingo passado foi a colação de grau de minha nora. Ela terminou o doutorado, defendeu tese no começo do ano, mas a tradição universitária aqui é que haja uma colação de grau única, reunindo todos os alunos, de todos os cursos, de todos os níveis. Imaginem a quantidade de gente. Como professora, fiquei super curiosa pra ver como era que isso funcionava, mas o que me motivou mesmo a ir (e que também motivou meu filho e minha nora) foi a presença de Barak Obama na solenidade. Todo ano ele escolhe, dentre o monte de convite de Universidades, apenas uma para ir. E esse ano foi a Rutgers University, uma Universidade pública, em New Jersey. Apesar de pública, a Rutgers é paga. E cara. E nós, com as nossas públicas e gratuitas, heim?

O evento ocorreu no estádio de futebol deles, que me pareceu menor que o do nosso futebol. Pois, acreditem-me, estava absolutamente lotado. Os alunos ocuparam lugares no que seria o gramado e as famílias, as arquibancadas.

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A entrada nesse local foi uma onda. De antemão eles avisaram aos alunos que não se podia levar bolsa, por menor que fosse. O que se tivesse que levar, se levaria nos bolsos ou nas mãos mesmo. Era indispensável uma identificação com foto. Os lugares dos familiares era marcado e o controle de entrada foi semelhante ao dos aeroportos, com o FBI revistando o que levávamos nas mãos. Claro que tudo isso era pela presença do presidente.

Uma meia hora antes do inicio da cerimônia, começou a passar sobre nossas cabeças uns 3 tipos de helicópteros. E a cada um todo mundo se virava e aplaudia imaginando que o presidente estaria ali.

A solenidade em si foi interessante porque foi relativamente curta. Primeiro  os professores, com as vestes talares de seus cursos ou escolas, “desfilaram” no meio dos estudantes e depois sentaram em umas arquibancadas reservadas pra eles. Alguns deles ocuparam cadeiras no palco, não sei por qual critérios, talvez os decanos. Depois o Reitor deu as boas vindas, num discurso curto e bem dirigido ao estudantes. Foram conferidos três títulos de doctor honoris causa e em seguida chegou Obama. A galera foi à loucura. Todo mundo de pé, aplaudindo. Muito bonito o respeito que se tem pelo presidente nesse país. Impossível não lembrar da nossa grosseria e má educação no trato com nossos presidentes, ao ponto de em uma solenidade gritarmos palavrões. Imaginei que se isso acontecesse aqui, imediatamente uns 3 “armários” do FBI pulariam em cima do idiota.

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Obama falou por mais de uma hora e em nenhum momento as pessoas demonstraram desrespeito. Claro que perdi muito do que ele falou, mas vê-lo só consolidou a minha impressão de um homem bastante carismático, inteligente, com uma excelente performance como orador para grandes platéias.

O interessante do seu discurso foi que em nenhum momento ele fez algo tipo dizer como suas gestões foram maravilhosas, como ele melhorou as coisas. Ele mostrou isso de forma indireta, num discurso cheio de humor e referencias a coisas tipicamente americanas.

O cara é muito bom. Não é porque ele comanda o “Império” que eu vou deixar de admira-lo.

E enquanto o homem falava eu observava as pessoas que estavam por perto. A Rutgers me pareceu uma Universidade bastante multicultural. Vi muitos negros, muitos asiáticos, muitos latinos. A política da própria Universidade privilegia essa diversidade, o que é bastante interessante em país tão diverso.

Agora pensem essa multidão deixando o estádio ao final da solenidade! Que loucura! Creio que passamos umas boas 2 horas entre sair do estádio e deixar o campus da Universidade.

NY: primeira semana do curso

Hoje terminei a primeira semana do meu curso de inglês, apesar de ser uma segunda-feira, e o que se espera é que as coisas terminem numa sexta. Mas, como temos avaliação cada segunda, considero que a prova que fiz hoje corresponde ao fim da primeira semana.

E como está sendo? Está sendo ótimo!

Como era de se esperar fui incluída em uma turma do nível intermediate. De novo. Lembram do filme O Anjo Exterminador, de Bruñuel? Que as pessoas não conseguiam sair da sala? Pois assim estou eu com meus cursos de inglês: não consigo sair do intermediate. Porque sempre que termino esse nível, largo o curso e quando volto, volto pro… intermediate. Mas, tudo bem, um dia supero esse “trauma”.

Minha turma é verdadeiramente multicultural. Tem 6 japoneses, 4 turcos, 1 colombiana, 1 argelino, 1 francesa, 1 saudita e 1 brasileira, eu. Como eu já disse, não existe curso para pessoas com mais de 40 anos, então fui colocada na turma das crianças. A maioria tem em torno de 20 anos, um ou outro com 25, 26 e nenhum com mais de 30. Afora eu, a anciã. Mas tenho me dado bem com a galerinha porque me trouxe de volta o tempo em que era professora e meu povo tinha essa idade. De qualquer maneira eles ainda me olham com uma certa condescendência e tentam me ajudar, tipo escoteiro quando precisa fazer a boa ação do dia. Eu nem ligo e rio por dentro.

O curso é legal. Com metodologia não muito diferente do que eu já tinha experimentado em cursos no Brasil; o material didático muito parecido com o que usei no Yazigi. Gramática, com os malditos tempos de verbo, conversação (ainda bastante tosca e gaguejante) e o maldito de todos os malditos, o listening, escutar e entender o que o povo fala. Mas eu também vou superar isso.

Oficialmente sou estudante nos EUA, com carteirinha e tudo. Posso pagar meia nos cinemas, nas entradas de museu, nos espetáculos de teatro.

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O problema é que o horário do curso não é moleza. Começamos às 9:10 da manhã e vamos até as 12:50, com um intervalo de 15 minutos. Além disso temos tarefa de casa (dever de casa!!!!) todos os dias. O segundo problema é que, quando eu tiver tempo para passear (depois que terminar o curso), a carteira terá expirado. Mas achei legal ter essa carteirinha, até porque fiquei ótima no retrato hehehehehehe.

Quanto ao Club 40+, que eu tinha me matriculado, cancelei a matricula depois do primeiro dia. Não achei a proposta interessante. Achei que poderia ser bom ter alguém para me mostrar NYC, me falar de seus aspectos históricos, me apresentar coisas importantes nos museus. Mas a coisa não foi bem assim. Achei desorganizado e inútil. O bom foi que eles devolveram o dinheiro integralmente.

Essa é uma tomada da sala de entrada da escola. Bonita, nova e com uma vista linda, como já mostrei.

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Em casa, vou levando. Lavando roupa, cozinhando e limpando. Encontrei um monte de material de limpeza, mas, afora um Pinho Sol, não tinha ideia qual servia para o que. Precisei da assessoria de minha nora para me explicar o que era e como usar. É estranho para nós, mas aqui não se usa vassoura nem pano de chão. Você passa uma espécie de pano absorvente no piso, com um determinado produto quando for cozinha, outro produto quando for taco da sala, e por ai vai. De qualquer maneira a cozinha já deixou as marcas características de uma cozinheira fora de forma.

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Comprei umas costelinhas e convidei meu filho e nora pra jantar. Minha idéia era faze-las no forno, mas na hora, cade que não tinha uma travessa?! Vamos fazer fritas, então. Comecei a fritar e começou a, logicamente, fumaçar. E a fumaçar, e a fumaçar. E ai dispara o detector de fumaça do apartamento, apitando num barulhão enorme dentro de casa. Corremos pra abrir as janelas, abanar o detector. Um estresse. Felizmente os meninos já sabiam como agir em casos assim. Se eu estivesse sozinha ia ficar doidinha.

NY: começando o curso de inglês

Quando decidi passar uns tempos por aqui, duas coisas eram importantes para mim: não ficar todo o tempo na casa dos meus filhos (além de não encher o saco deles, queria também ter meu espaço próprio) e aproveitar para ver se eu conseguia melhorar meu inglês, que é daquele tipo quebra-galho em viagens, mas que não resiste a uma resposta a um pedido de informação. Tipo, sei até perguntar, mas quando respondem fico com aquela cara de idiota, de boca aberta, sem entender metade do explicado.

Minha idéia era um curso mais light, que não me tomasse muito tempo porque também queria bater perna pela cidade, e que, se possível, não estivesse em uma classe rodeada de adolescentes nerds engraçadinhos. Conversei com uma amiga em Natal, fucei a internet e terminei optando por uma instituição que prometia um programa chamado Club 40+, para pessoas de mais de 40 anos. Achei super legal! Ficaria numa turma onde eu não seria a vovó, talvez a mãe, vai, mas tudo bem. Fantasiei que seria uma classe com adultos que queria realmente aprender inglês e não apenas buscar um certificado que justificasse a imigração. Me matriculei por 4 semanas pra ver o que acontecia.

Hoje foi o primeiro dia. Um dia ainda somente de informações e testes para se saber em que nível me colocaria. Mas, oh surpresa! Não existe turma de inglês para pessoas com 40 anos ou mais. O tal Club 40+ é, na verdade, um programa paralelo ao curso regular, com atividades culturais, visitas a pontos interessantes da cidade, museus, etc. E creio que vou terminar caindo numa turma onde serei a vovó 😦

A escola se situa no décimo andar de um prédio moderno em pleno Distrito Financeiro, perto da Wall Street, na pontinha sul da ilha de Manhattan. Do décimo andar a vista é linda.

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Terminada a manhã, com um dia deslumbrante, fui caminhar pela rua, com o mapa do Google no celular, procurando uma estação do metro. Quando me dei conta estava indo pro lado oposto. Sou assim, tenho problemas de direita e esquerda. Mas vi que estou pertinho do Battery Park, um lugar que sempre quis conhecer. De repente vejo uma multidão cercando alguma coisa. Me aproximo e vejo um bando de turista ao redor do touro da Wall street, tirando fotos debaixo do bicho, segurando os testículos do bicho, pegando nos chifres do bicho. Passei longe. Idiota tem em todo canto, aff!

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Continuo andando. Olho pro chão e, por coincidência olhem o que vi:

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NY: agora no meu canto

Me mudei. Vim para meu apartamento, onde vou ficar pelo tempo que ficar por aqui. Ele é uma gracinha. Um quarto, sala, cozinha e banheiro amplo, iluminado e super bem arrumadinho, em um estilo que gosto demais, uma coisa assim meio anos 60. Aluguei pelo AirBnB e os donos são um casal que trabalha com design e arquitetura, então, já viu o bom gosto, né? O prédio é antigão, talvez anos 30, e está meio mal conservado, o que é uma pena porque os ladrilhos do piso são lindos.

A rua é uma lindeza. Tranquila e calma, mas do lado das principais ruas do comércio nessa região. Ou seja, tenho tudo que preciso a um quarteirão da minha casa. E quando digo tudo, é tudo mesmo. De lugar que ler a mão e põe carta de Tarô a loja de roupa cara. O interessante é que por aqui pelo Park Slope não vi ainda nenhuma loja dessas grifes conhecidas. E tem brechós, muitos. Essa é a minha rua. Chama-se Garfield Place.

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Como nem tudo são flores, estou no quarto andar do prédio, o que significa que tenho que subir 3 andares até em casa (o primeiro não conta, é o térreo). Foi péssimo pra subir com as malas, mas até agora não tenho tido dificuldades.

E fui com meu filho fazer supermercado. Fomos na Cooperativa da qual eles são sócios, que é uma experiência muuuito interessante. É um supermercado com tudo que se precisa, com produtos de alta qualidade, onde os cooperados se revesam no seu funcionamento. Todos que são sócios necessariamente precisam dar um tempo de dedicação à cooperativa, em todas as funções. Assim, ficar nos caixas, repôr produtos, administrar as filas, receber mercadoria dos fornecedores, controlar estoque, enfim, todo o funcionamento é feito pelos cooperados. Com isso os produtos, além de serem de qualidade, saem cerca de 40% mais barato que nos supermercados normais. Uma beleza de iniciativa que já dura anos. Já foi, inclusive, tema de um Globo Repórter. Se quiser ver, olha o link aqui: http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2015/12/moradores-ganham-desconto-em-troca-de-trabalho-em-mercado-de-ny.html

 

 

 

 

NYC: Cadê a primavera?

Desde que cheguei que o tempo anda carregado, quilômetros de nuvens, dias brancos, às vezes chuvona, às vezes chuvisco. Não que eu ache muito ruim, porque ainda trago a luz do sol do meu país nos olhos, mas, me disseram que eu precisava trazer somente um casaquinho, que a temperatura iria girar em torno do 14 graus, etc., etc. Tem feito 9 graus! Resultado? Para meu grande pesar, tive que sair pra comprar um casaco, coisa que, como todos que me conhecem sabem, detesto. SQN! 🙂

E comprei um lindo casaco amarelo limão siciliano, daqueles de nylon, mas não dos que a gente fica parecida com pneus Michelin, e sim dos que tem quadrados, que dá uma arrumada melhor no corpitcho. Uma coisa que nunca compreendo completamente é porque as pessoas se vestem de preto ou cinza no inverno. Você sai a rua e não vê cor. Já não bastam os dias penumbrosos e ainda mais vestindo preto?! Por isso amei meu casaco. Mas… quando fui pegar minha sombrinha, vi que tinha trazido a de cor laranja neon, e ai pensei que, com um casaco limão siciliano, uma sombrinha laranja neon e meu cabelos vermelho cobre, eu ia estar parecendo quase um semáforo. Mesmo não entendendo os tons escuros do inverno, achei que era demais. Pedi uma sobrinha emprestada, foi o jeito. Olha como ele é lindo!

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Por enquanto tenho batido perna por aqui. Me mudo pra minha casa hoje a tarde e minhas aulas começam segunda-feira, por isso ainda estou ao léu. E vou vendo, revendo e aprendendo coisas.

Algumas são verdadeiros rituais aos quais não estamos acostumadas no nosso país. Por exemplo:

Em um restaurante, quer voce peça ou não, a primeira coisa que eles fazem é trazer um copo grande de agua fresquinha. Legal, né?

E ai tem o ritual da pedida ao garçom. Não tem aquela coisa nossa de “trás uma batata frita, duas cervejas e uma carne na brasa”. Nã nã não! Pri-mei-ro o garçom (ou o maitre) lhe entrega o cardápio e se retira. Minutos depois retorna e toma nota DAS BEBIDAS somente. Depois que trás as bebidas é que pergunta se voce já escolheu a comida. E ao invés de você pedir dizendo “eu quero” (I want), você vai dizer “eu tenho” (I have). Não é hilário??

Coisa complicadinha por aqui é a tal “tip”, a gorjeta. Se dá gorjeta para tudo e o cálculo é confuso, sobretudo para pessoas como eu que sou bloqueada para números. Porque a percentagem varia de serviço para serviço. É 15% para umas coisas, 18% (!) para outras. Um horror!

Mas mais chato ainda é não colocarem o imposto no preço das mercadorias. Pode até ter seu lado vantajoso de se saber exatamente quanto se está recolhendo de taxas, mas, pra quem não está acostumado, é estranho. Fui num brechó legal que tem aqui perto e comprei um relógio por 5 dólares. Puxei a nota e entreguei pro cara e ele “um momento que vou calcular a taxa”. E eu fiquei com cara  de tacho… Mas meu relógio de 5 paus é lindo e vou mostrar aqui pra vocês. Percebem que o fundo é de madrepérola?

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Outra coisa legal que revi por aqui é um tipo de perfuminho que se borrifa no vaso sanitário antes de se fazer o número dois. A idéia é retirar o odor do dito cujo, mas vejo também outra função: quando você senta, há emanações de retorno e você também sai com as partes traseiras, por assim dizer, perfumada. Quem imaginaria que se fosse pensar em coisas assim?!!!!! Se você quiser comprar o nome é esse ai. 😀

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Em New York City por um tempo

Estou em Nova York. Apesar da situação política do meu país, da iminência de um golpe de estado contra uma presidenta honesta e legitimamente eleita, tive que vir. Há mais de um ano venho planejando passar uns tempos por aqui, com meu filho e minha nora, e aproveitar para estudar inglês. Aluguei apartamento, matriculei-me no curso e vim e aqui estou.

Minha idéia é ir contando como será essa experiência de viver por aqui, morando sozinha e voltando a ser estudante, nessa minha idade provecta (nem tanto, nem tanto… hehehehe).

Primeiro quero dizer que estou no Brooklin. Por 4 dias na casa de meus filhos e a partir de sábado, na minha própria casa. E dizer que estou no Brooklin significa dizer estar no melhor lugar de NYC, sem sombra de dúvidas. O Brooklin, ou pelo menos o Park Slope que é a região onde estou, é aquela região que se vê nos filmes, de prediozinhos de tijolo aparente, escadinha com corrimão de ferro na entrada e ruas super arborizadas. Então, em primeiro lugar é uma região linda e tranquila. Depois, tem duas avenidas importantes, a 7a. e a 5a. Na primeira podemos encontrar o típico comércio de bairro: lavanderias, salões de beleza, lugar para fazer unha (nossa, como tem isso por aqui!), supermercado, barbearia e lojinhas com aquele tipo de comércio em que o dono lhe atende, conversa com voce, e lhe deseja “a nice day”. A 5a também tem essas coisas, mas tem muitos restaurantes e bares. Não restaurantes luxuosos ou para novos ricos, mas restaurantes pequenos, charmosos e das mais diversas especialidades, mais para o descolado, vamos dizer assim.

Logo que cheguei tive que providenciar algumas coisas práticas, como um chip americano para meu celular e fazer cópia das chaves. O novo chip foi resolvido me incluindo na conta pós-paga do meu filho, que dá direito a várias linhas e uma velocidade de dados de 6 Giga!!!! Ora, na minha casa no Brasil, a velocidade que a Cabo Telecom me entrega é de 30 Mega, então estou assim embasbacada.

E fui fazer cópia das chaves. Olho pro outro lado da rua e vejo um lugar pequeno que oferece serviço de conserto de sapatos e cópia de chaves. Entro no lugar e me deparo com algo absolutamente caótico. Não tive condição de dar mais que dois passos porque a loja é literalmente entupida de coisa. E tudo bagunçado! Não vejo ninguém, digo um “hello”, e aparece do meio dos “escombros” uma cabeça me respondendo. Peço as cópias das chaves, olho ao redor não acreditando no que vejo e quando vou me sentar (numa cadeira que avistei por acaso), o cara já me entrega as cópias prontas. Me pergunta de onde sou e quando digo ele desanda a falar, e eu só entendo quando, no meio da frase, ele diz “Dilma Rousseff”. E ai, feito uma idiota oligofrênica, fico balançando a cabeça, dizendo que ela é muito boa presidente. Ele ainda pergunta se é melhor que Lula, vejam só! E o cara é tão bem informado sobre o Brasil que me perguntou sobre o acidente de avião que matou um candidato a presidente! Claro que eu não entendi a frase toda, mas pelos pedaços que entendi, acho que foi isso que ele perguntou. No final perguntei de onde ele era e ele me disse: “russian”. Ahá!

Não podia deixar de pedir permissão para uma foto, que saiu meio fora de foco, mas dá uma ideia daquela bagunça.

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