Cefalù, uma cidade muito graciosa

Cefalù está a apenas 50 minutos de trem desde Palermo, numa viagem bonita, margeando quase todo tempo o Mediterrâneo. Então dá para fazer um bate-volta tranquilo, porque há trens praticamente de hora em hora.

O Mediterrâneo, como todos sabem não tem marés nem ondas, apenas marolinhas (lembrar o uso desta palavra pelo nosso ex-presidente, que estava certo. Como sempre), o que permite que se construa à beira d’água. E nessa costa vamos vendo o tempo todo casas assim.

 A cidade esta construída ao redor de uma imensa e achatada montanha (La Rocca), que tem em seu topo um templo grego, o Templo de Diana. Não, nós não subimos até lá. Só tem acesso por uma escadaria e imaginem o que é subir escada até o fim do morro!

Por tras do predio, o topo de La Rocca, dando pra ver o Templo de Diana

Mas percorremos ruazinhas estreitas, lindas, com quase todas casas com balcões de ferro e roupas penduradas, lojinhas, cafés e sorveterias. Fátima comprou um chapéu e eu fiquei babando por uma cortina que vi numa loja. Depois que Fatima comprou o chapéu, encontramos uma chapelaria especializada em fazer à mão o boné siciliano, que eu não sabia, mas é aquele tipo de boné cuja aba não se confunde com a cúpula e que eu imaginava que fosse português.

E ai chegamos na praia. Sol de 35 graus, 1 e meia da tarde, praia lotada. E é uma praia até bonita, sem aquelas pedras comuns no mediterrâneo, que temos que entrar no mar com sapatos. Aqui há areia e o mar estava convidativo. Fomos comer em um restaurante indicado pelo guia que Fátima tem. É um guia dos anos 90, o que nos fez pensar que se esse restaurante ainda existisse, deveria ser muito bom. Existia, mas a comida era péssima. Pedimos os pratos que  guia indicava: um risota de frutos do mar (veio um arroz misturado com um caldo de peixe e uns 3 camarões, nunca um risota) e um prato com peixe (que eram 4 ensopadinhos, servidos em um prado imenso com 2 pedaços de limão). Saimos revoltadas com o tal guia e juramos nunca mais seguir indicações gastronômicas dele.

Palermo, porta de entrada da Sicilia

Quando pensava em Palermo, mesmo sabendo que era a capital da Sicilia, imaginava uma cidade antiga, pequena, cheia de morros e pedras. Qual o que! Palermo é uma cidade grande, agitada, com avenidas largas e belos parques. Claro que tem o seu centro histórico, mas tem também, Louis Vitton, Prada, Hermès.

O nosso hotel (Hotel Europa, menos de 60 euros por apto. duplo) fica em uma rua transversal a Via della Libertà, uma avenida linda onde está justo esse comercio mais chic e a 15 minutos à pé do centro histórico. Achei a localização do Hotel excelente porque fica fora do agito da parte velha, mas não tão distante que não dê pra uma caminhada até lá.

O centro histórico praticamente começa na praça onde está o Politeama Garibaldi, um imenso teatro construído na segunda metade dos anos 1800. Um pouco mais adiante está um outro teatro enorme e belo, o Teatro Massimo, teatro lírico construído pela mesma época e onde foi filmado uma das cenas do Poderoso Chefão III. Aliás, a cara de Marlon Brando está em muitos souvenirs por aqui, não deixando a gente esquecer que foi por aqui que eles filmaram.

A Catedral de Palermo também é um prédio imenso, mas, se você só tiver que ver uma coisa por aqui, pelo amor de Deus não deixe de ver a Capela Palatina. Ela está no andar térreo do Palacio dos Normandos ou Palacio Real. Construída em 1132, quando a Sicilia estava ocupada pela Normandia, ela é um belíssima mistura da arte normanda, bizantina e árabe. Os afrescos são decorados com ouro, o teto é um belíssimo trabalho em madeira entalhada, o piso e algumas paredes são decoradas com uns “rendilhados” e desenhos bem mouro. Sai tonta de tanta beleza.

Um outro lugar interessante é a Piazza Pretória, onde fica uma imensa fonte que havia sido construída para uma residência. Durante anos ela foi considerada a Praça da Vergonha em função das estátuas que a compõe. Acho que a vergonha é por isso ai, ó

Enfim, Palermo é uma cidade muito agradável, mas prefira visita-la em meses menos calorentos. Quando chega por volta das 2 da tarde o calor é tão intenso, que a vontade é entrar em um ambiente com ar condicionado e só sair depois das cinco. E estamos já em fins de setembro.

Em Roma, rumo a Sicilia

Planejamos esta viagem meio rápido, com a idéia de fazer a coisa mais improvisada mesmo. A idéia era chegar a Roma, ficar por 3 dias e depois seguir de avião até Palermo na Sicilia. Ficariamos por lá por 3 dias e lá decidiríamos como percorrer o resto a ilha. Pensamos em alugar um carro, mas precisávamos ver se as estradas não eram daquele tipo com subidas de montanhas, curvas fechadas e despenhadeiros, o que não dos deixaria nem um pouco tranqüila para desfrutar o passeio. De todo modo o planejado é ir a Agrigento, Siracusa, Taormina.

Com essa idéia na cabeça e os euros no bolso rumamos para o aeroporto de Natal na noite da quinta-feira, para um vôo da TAP que chegaria em Lisboa, faríamos uma conexão e na noite da sexta estaríamos em Roma. E ai começa a “viagem”. Como já parece ser costume a TAP cancelou o vôo e só sairíamos no dia seguinte ao meio dia, de modo que chegaríamos a Roma apenas na tarde do sábado. Iamos voltar pra casa? Nunca! Pedimos voucher para o hotel, que era um 5 estrelas da Via Costeira. Dormimos esplendidamente! Chegamos a Lisboa a meia-noite e, obviamente perdemos nossa conexão. Mas o pessoal já tinha nos recolocado em um vôo que sairia as 7 de manhã. E lá fomos nós para outro 5 estrelas.

Enfim, chegamos a Roma na tarde do sábado. Largamos as malas e fomos conhecer a região. Nosso hotel fica numa rua que começa na igreja Santa Maria Maggiore e termina no parque Vitorino. Lugar muito legal, cheio de turistas iguais a nós.

Abro um parêntese para dizer que quando viajo sou turista mesmo. Não fico naquela de querer negar o óbvio e ficar querendo passar por nativos. Sou turista. Logo, não me importa nem um pouco sair 2 ou 3 vezes com a mesma roupa, não me importo de sair com um mapa na mão olhando as placas das ruas, não me importo de comer onde os turistas comem, nem de andar de sandálias havaianas (aliás, um luxo!).

Nossa primeira visita foi à igreja da S. Maria Maggiore. Ela é a primeira igreja construída em Roma, ainda quando Cleopatra vivia por aqui. Claro que foi reconstruída algumas vezes, mas existem ainda algumas estruturas originais. Ela é realmente belíssima e merece uma visita. O teto é uma beleza a parte, todo em madeira trabalhada, um deslumbre. O altar-mór achei “over”. Douradíssimo, desenhos rococó demais e piora a impressão quando nos damos conta que aquele ouro todo veio de nossa America do Sul.

O parque Vitorino é engraçado. Enorme, mas muito bem organizado: tem o lugar dos velhos, dos cachorros, dos indianos, dos gays e dos pais jogando bola com os filhos. Claro que isso não é uma separação oficial, mas achamos muito divertido observar isso. Vale lembrar que quando passamos pelo lugar dos velhos (alguns em cadeiras de rodas), fizemos sucesso enquanto velhinhas ainda enxutas.

Como só tínhamos mais 1 dia em Roma, resolvemos dar aquele rolé geral, fazendo um city tour. E sob um sol escaldante descemos à pé até o Coliseu (Colosseu em italiano). Digo que não achei impressionante. A torre Eiffel me emocionou muito mais. Havia uma fila colossal (desculpem o trocadilho) pra entrar e, como somos preguiçosas, ficamos do lado de fora, num alto, vendo/ouvindo umas bandas de músicas que fazem apresentação nos domingos. Foi ótimo! De lá tomamos o ônibus e fomos rodando.

E o que achei?

Imaginava a Praça de S. Pedro no Vaticanos uma coisa enorme, com aqueles corredores laterais. Não é. Achei pequena até. E a própria basílica não é nada de mais por fora (não entramos, não dava tempo). A de Firenze é infinitamente mais bonita.

Por todo lugar de Roma existem resquícios de construções originais dos tempos do Império. São colunas, muros, estruturas de antigos palácios. É uma coisa impressionante! Eu fico pasma com essas coisas, imaginando o que aquele pedaço de muro já significou. Está preservado, inclusive, um bom trecho da muralha original que cercava a cidade. Lindo de ver!

Impressiona o que tem de construção que era originalmente residência das famílias dos papas, do clero do um modo geral. Essa igreja Católica…

Vimos a casa onde morou (mora?) Sofia Loren e De Cicca. Uma cobertura na Praça Veneza, de fronte ao Capitolino. Como soubemos? Pescamos uma conversa de um guia com seus guiados. Se for mentira, é dele.

Sorvete! Não deixe de tomar um sorvete! Minha amiga Tatyana tinha me dito e eu comprovei: é isso mesmo! Pedir uma Coppa Picola de gelato, sentar em uma mesinha de calçada e ficar mangando do povo é a melhor coisa pra se descansar de tanta igreja.

Comemos muito bem a preços bastante razoáveis. Fomos em um restaurante perto do Hotel pedimos um linguine ao pesto e um abbrachio (carré de baby carneiro), tomamos um bom vinho do Piemonte, e pagamos 67 euros. Mas é possível comer uma massa por 9 euros.

Para vir do aeroporto para a cidade existem 3 opções: trem, que custa 4 euros; ônibus, que custa 8 euros, ou taxi que tem preço fixo de 48 euros.

30a. Bienal de SP: primeiras impressões

A nova Bienal de Artes de SP inaugurou ontem e fomos lá dar uma olhada. Andamos por umas boas 3 horas e ainda não conseguimos ver toda a exposição, mas do que vi fico me sentindo completamente idiota, burra, ignorante. Porque a pergunta que me martela o juízo o tempo todo é “o que é Arte, afinal?”

O lindo espaço da Bienal

Até onde vimos grande parte da exposição se constitui de projeções de pequenos filmes e documentários, fotografias e instalações. Será arte? Por exemplo, fiquei uns 20 minutos em uma sala escura onde se projetava vários documentários sobre os mais variados temas: taxidermia, uma fábrica de jeans, um relojoeiro desmontando e montando um relógio.

Algumas “obras” fiquei horas olhando, sem entender o significado e me sentindo completamente ignorante. Como Arte pode ser entendida como aquilo que nos desperta sentimentos, vai ver que é justamente o sentimento de auto-depreciação que a obra quer alcançar. Olhem alguns exemplos e se souberem o significado me digam, plís.

Dois pegadores de acrílico?
Duas estantes com quadros embrulhados em papel bolha

Aqui o cara recortou manchetes de jornais sensacionalista e os arrumou por ordem alfabética. Vejam que esse é a letra “R”.

E por ai seguia. Até que chegamos a uma sala grande cheia de buginganga. Minha primeira impressão foi “isso aqui é uma feira de mangaio”.

E começamos a olhar mais detalhadamente. E nos demos conta que eram as obras de Arthur Bispo do Rosário. Ai meu coração ficou alerta. E me emocionei vendo aqueles objetos tão toscos, mas tão refinadamente articulados.

Que coisa linda esses botões!

Os mantos e os bordados são belíssimos!

Olha, acho que somente por essa exposição a Bienal já valeu prá mim. Me tocou profundamente, talvez por minha formação, talvez por me lembrar dos preconceitos contra a loucura, talvez por me lembrar da Dra. Nise da Silveira. Enfim, o Bispo do Rosário merecia uma Bienal inteira. Porque, olha quem é ele:

Se quiser ver outras fotos: https://plus.google.com/photos/110120927426990195369/albums/5785836158023707425

A festa de N. S. de Achiropita

Em todos os meus anos de católica praticante já usei aquelas fitas de filha de Maria, já fiz as 9 primeiras sexta-feiras, estudei 4 anos no Maria Auxiliadora, já fui da Juventude Estudantil Católica, enfim, percorri todos os caminhos mas NUNCA tinha ouvido falar de uma Nossa Senhora de Achiropita. Pois tem aqui em São Paulo uma festa que dura todo o mes de agosto, em homenagem a ela. E é uma festa super organizada pela paróquia, que tem até site: www.achiropita.org.br

A festa é tida como a mais tradicional da colonia italiana no Brasil e se realiza em ruas do bairro do Bixiga. E é uma festa para voce se empanturrar de comida. Tem barraquinha de espaguete, de pizza (claro! aqui em SP tem tanta pizzaria quanto tem farmacia em Natal), de foccacia, enfim, todas as massas tradicionais.

Imagem

Por mais que voce goste de massas, não deixe de provar o sanduíche de linguiça. Uma verdadeira maravilha! Ai voce vai na barraca de bebidas, pede uma cervejinha e pronto. Perfeito! Os pratos de massa são generosíssimos e custam 8 reais.

Imagem

Além de comer, voce pode brincar um pouco nas barracas de tiro ao alvo, pescaria e essas coisas típicas de quermesse. Durante toda nossa caminhada por lá ouvimos nos auto-falantes cantores de musica italiana, mas não conseguimos achar o local onde estava acontecendo o show.