30a. Bienal de SP: primeiras impressões

A nova Bienal de Artes de SP inaugurou ontem e fomos lá dar uma olhada. Andamos por umas boas 3 horas e ainda não conseguimos ver toda a exposição, mas do que vi fico me sentindo completamente idiota, burra, ignorante. Porque a pergunta que me martela o juízo o tempo todo é “o que é Arte, afinal?”

O lindo espaço da Bienal

Até onde vimos grande parte da exposição se constitui de projeções de pequenos filmes e documentários, fotografias e instalações. Será arte? Por exemplo, fiquei uns 20 minutos em uma sala escura onde se projetava vários documentários sobre os mais variados temas: taxidermia, uma fábrica de jeans, um relojoeiro desmontando e montando um relógio.

Algumas “obras” fiquei horas olhando, sem entender o significado e me sentindo completamente ignorante. Como Arte pode ser entendida como aquilo que nos desperta sentimentos, vai ver que é justamente o sentimento de auto-depreciação que a obra quer alcançar. Olhem alguns exemplos e se souberem o significado me digam, plís.

Dois pegadores de acrílico?
Duas estantes com quadros embrulhados em papel bolha

Aqui o cara recortou manchetes de jornais sensacionalista e os arrumou por ordem alfabética. Vejam que esse é a letra “R”.

E por ai seguia. Até que chegamos a uma sala grande cheia de buginganga. Minha primeira impressão foi “isso aqui é uma feira de mangaio”.

E começamos a olhar mais detalhadamente. E nos demos conta que eram as obras de Arthur Bispo do Rosário. Ai meu coração ficou alerta. E me emocionei vendo aqueles objetos tão toscos, mas tão refinadamente articulados.

Que coisa linda esses botões!

Os mantos e os bordados são belíssimos!

Olha, acho que somente por essa exposição a Bienal já valeu prá mim. Me tocou profundamente, talvez por minha formação, talvez por me lembrar dos preconceitos contra a loucura, talvez por me lembrar da Dra. Nise da Silveira. Enfim, o Bispo do Rosário merecia uma Bienal inteira. Porque, olha quem é ele:

Se quiser ver outras fotos: https://plus.google.com/photos/110120927426990195369/albums/5785836158023707425

A festa de N. S. de Achiropita

Em todos os meus anos de católica praticante já usei aquelas fitas de filha de Maria, já fiz as 9 primeiras sexta-feiras, estudei 4 anos no Maria Auxiliadora, já fui da Juventude Estudantil Católica, enfim, percorri todos os caminhos mas NUNCA tinha ouvido falar de uma Nossa Senhora de Achiropita. Pois tem aqui em São Paulo uma festa que dura todo o mes de agosto, em homenagem a ela. E é uma festa super organizada pela paróquia, que tem até site: www.achiropita.org.br

A festa é tida como a mais tradicional da colonia italiana no Brasil e se realiza em ruas do bairro do Bixiga. E é uma festa para voce se empanturrar de comida. Tem barraquinha de espaguete, de pizza (claro! aqui em SP tem tanta pizzaria quanto tem farmacia em Natal), de foccacia, enfim, todas as massas tradicionais.

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Por mais que voce goste de massas, não deixe de provar o sanduíche de linguiça. Uma verdadeira maravilha! Ai voce vai na barraca de bebidas, pede uma cervejinha e pronto. Perfeito! Os pratos de massa são generosíssimos e custam 8 reais.

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Além de comer, voce pode brincar um pouco nas barracas de tiro ao alvo, pescaria e essas coisas típicas de quermesse. Durante toda nossa caminhada por lá ouvimos nos auto-falantes cantores de musica italiana, mas não conseguimos achar o local onde estava acontecendo o show.

Um bar de tapas em Vila Madalena

Desde que fui comer uma feijoada no Pé de Manga que eu estava de olho no Venga!, restaurante espanhol que fica na mesma simpática pracinha da Vila Madalena. Neste fim de semana fomos lá.

O Venga! é na verdade um bar de tapas, com um cardápio cheio de coisas que pareciam deliciosas. O espaço é interessante, com uma “barra” enorme e algumas mesas espalhadas nas varandas.

Como era hora do almoço resolvemos pedir uma das poucas opções de comida em maior quantidade. É assim, o cardápio de tapas é enorme e de pratos servidos no “almuerzo” é um cartazinho com 3 ou 4 opções. A chuleta, nossa primeira opção, não tinha mais (segundo o garçon, as que tinham foram devolvidas pelo chef porque eram muito duras), então pedimos a paella marinara, uma paella somente de frutos do mar. E estava mesmo deliciosa!

Mas o grande barato desse bar são as sangrias. Feitas na sua frente (se voce estiver no balcão, claro), elas podem ser de vinho tinto, branco ou um rosé espumante. Uma delícia que pode lhe deixar completamente “borracho”.

Bom, agora preciso voltar lá para provar umas quantas tapas que “marquei” no cardápio.

Ele fica na Rua Delfina, 196 – Vila Madalena

A exposição do Angeli

Angeli, com seus desenhos, marcou prá caramba a minha geração. Rebordosa é a minha preferida, mas que dizer de Meia Oito, o revolucionário, Bibelô, o machista peludo, os Skrotinhos? Geniais! Pois Angeli está em exposição aqui no Centro Cultural Itau.

 

Infelizmente a mostra está confusa, em um espaço muito pequeno, com tirinhas colocadas em locais de absoluta impossibilidade de se ler. Mas vale a pena rever os personagens. Morri de rir com a serie “cartunista velho” e “cartunista em crise”. Sem falar que as entrevistas dele são ótimas.

Senti falta tambem de algo como um espaço para venda de coisas referente a exposição, quem sabe números da revista Chiclete com Banana, ou posteres com alguns dos cartoons. Esses bonequinhos abaixo estavam lá, mas não para venda. Uma pena.

 

Um excelente restaurante grego em SP

No século passado eu tinha conhecido um restaurante grego aqui em São Paulo, levada por meu amigo Cantalice, que desde que cheguei queria me lembrar onde era. Semana passada sai com meu irmão e ele disse “vamos num restaurante grego?”. E para minha grata surpresa era aquele mesmo que eu estava procurando.

Chama-se Acrópolis e fica no centro da cidade (sei que existe outro nos Jardins, mas fomos mesmo no original). É um restaurante pequeno, apertado, barulhento, com aquele tipo de decoração (se é que se pode chamar assim) confusa de um bom botequim, mas a comida, a comida, hummmmmm. Gostosa, farta, variada. No dia que fomos o serviço era interessante: voce se dirigia ao balcão, olhava a comida, dizia o que queria e voltava pra mesa porque o garçom lhe traria. Pode-se pedir uma porção, e faça isso se voce estiver verdadeiramente com a fome de um leão, ou meia porção, que foi o que pedi e mesmo assim não consegui comer tudo.

O cabrito estava divino e apesar de ter ficado de olho na mussaka, não consegui espaço no estômago. Fica prá próxima. O ponto fraco são as sobremesas, pouco convidativas. Mas, por favor, coma a salada que é trazida de entrada. Apesar de ser uma simples salada de alface, tomate, pepino, etc, o tempero é demais! Será que é por conta de umas lasquinhas de parmesão?

O endereço: Rua da Graça, 364 – Sta Cecília / Bom Retiro  São Paulo
(0xx)11 3223-4386

As joias de Thereza Collor

E vou eu passeando pela Av. Paulista dia desses e me deparo com um enorme cartaz: “Joias do Deserto, de Thereza Collor de Melo”. Claro que logo me peguei pensando “o que aquela dondoca esta fazendo aqui? Expondo suas joias?”. Mas logo me lembrei que meu irmão havia me contado que ela é uma viajante exótica, que adora viajar só com sua câmera fotográfica para lugares pouco turísticos. Entrei.

Entrei e me extasiei. São umas 2.000 peças belíssimas de adorno dos povos dos desertos africanos e asiáticos. Coisas inacreditavelmente bonitas como colares, adornos de cabeça, bolsas, brincos, roupas, cintos. Nunca imaginei que povos vivendo em desertos pudessem ter uma arte tão refinada.

A exposição está super bem organizada e é uma verdadeira aula de História. Quem estiver por aqui ou pretender vir, não pode deixar de ver.

GALERIA DE ARTE DO SESI-SP – CENTRO CULTURAL FIESP RUTH CARDOSO
End.: Av. Paulista, 1313 (metrô Trianon-Masp) – Tels.: (11) 3146-7405/06

Até o dia 10 de junho. E quem quiser mais informação, tem aqui

O louco tempo no Trópico de Capricornio

Em minha terra, a 5 graus da linha do Equador, é assim: o tempo tá firme.. começa a aparecer nuvens em cima do oceano… 2 horas depois as nuvens ficam mais espessas… 2 horas depois o ceu fica escuro…. 2 horas depois começa a chover. E ai, sobe aquele cheiro deliciosa de terra molhada, cheiro de chuva, como a gente diz, e que minha mãe dizia que era tiro e queda pra um resfriado.

Aqui a coisa é tenebrosa. O dia está lindo, sol a pino, ventinho gostoso, de repente… estrondos de estremecer as janelas e o ceu negro riscado de raios.

Na primeira vez quase morro de medo. Achei que seria uma tempestade de arrasar a cidade e eu estava sozinha em casa, que o povo não ia conseguir chegar por conta das inundações, que ia faltar energia e que se eu não estivesse no 3 andar, teria que ir subindo os móveis. Depois vi que era normal e que ninguem nem liga. E que as vezes cai até pedaço de gelo.

O fato é que um pouco mais de 1 hora depois disso, a chuva parou e o ceu ficou como se  nada. Afffff.

Comer feijoada em São Paulo II

A Feijoada da Lana

Por incrível que possa parecer, esse é mesmo o nome  do restaurante. No coração de Vila Madalena, numa casinha apertada, comum, adaptada para ser um restaurante, está a casa que só serve feijoada, que, diga-se de passagem,  é uma delícia. Pela primeira vez encontramos aquelas coisas sebosas deliciosas tipo rabo e pé de porco, além das carnes comuns. Também pela primeira vez encontramos uma feijoada muito pouco gordurosa, mas não sei se foi mera coincidência.

O preço é que é mais salgado que as carnes: 55 reais por pessoa e inclui caldinho e caipirinha, que estava praticamente  limonada (será que todos são assim? ou meu paladar já não distingue?), e um pequeno buffet de sobremesas com doces caseiros tipo pudim de claras, quindão, pudim de leite.

O ambiente inclui mesas na lateral e no quintal da casa. Lá deveria estar mais fresquinho, porque dentro de casa o calor estava quase insuportável, com apenas um esquálido ventilador de teto tentando dar conta.

Confesso que não me animei muito. Apesar da feijoada gostosa, o preço é alto e o ambiente (pelo menos o interno) não é acolhedor. Mas, acolhedor mesmo é o Silvio, o garçom super simpático que nos informou que a partir de março eles estarão abrindo para o jantar, com um cardápio que vai variar para além da feijoada, naturalmente.

Quem não conhece o Sujinho, não conhece São Paulo

A primeira vez que ouvi falar do Sujinho foi em finais dos anos 70, quando nós, na contramão da onda, vinhamos do Rio passar os finais de semana em São Paulo. Rezava a lenda que era um lugar que nunca fechava e era frequentado por jornalistas e senhoritas de má fama e vida difícil.

Gostávamos do Sujinho primeiro porque era um lugar de comida farta e barata e, depois, porque parecia muito com os botequins do Rio de Janeiro, no seu jeito descontraído, nas paredes com azulejos e ventiladores no teto.

Pois ele continua assim até hoje: simples, descontraído, agradável. Parece que as “meninas” não aparecem mais, mas, será que ainda existem “meninas” na cidade? Numa época em que os restaurantes teimam em cozinha contemporânea, seja lá o que isso signifique, ele continua com a cozinha brasileira autentica. Criou fama de ter a melhor bisteca da cidade, e tem mesmo. É uma bistecona do tamanho do prato, carne suculenta e assada na medida. Mas o cardápio é enorme, tem qualquer coisa e se não tiver a cozinha dá um jeito. Voce come e ao final não sai com a sensação que foi enganado.

Quando o conheci ele situava-se na Consolação, onde ainda está até hoje, mas agora tem uma filial do outro lado da rua e uma outra no centro da cidade. E agora, na Rua Maceio, do lado da Consolação, tem uma Hamburgueria Sujinho. Novos tempos.

Para terem uma ideia do cardápio:

Para saber mais: http://www.sujinho.com.br/

O expresso turístico: um passeio de trem

Gosto muito de trens. De uma maneira geral são mais amplos e mais confortáveis do que ônibus, as estações costumam ser lugares muito interessantes, e ficar olhando o mundo passar lentamente pela sua janela é uma experiência que curto. Pois por conta disso resolvemos conhecer um trem dito turístico da Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos. São 3 roteiros, um aos sábados e dois aos domingos, com percurso que vão até cidades proximas, como Jundiai, Mogi das Cruzes e Paranapiacaba. O trem sai às 8:30 e retorna às 16:30.

Como são apenas duas composições do trem e a procura é muito grande, é preciso comprar as passagens com antecedência. No dia que fomos comprar só encontramos o roteiro para Mogi das Cruzes. As passagens são compradas em um guichê da Estação da Luz e logo do lado dele há um balcão de uma empresa de turismo vendendo passeios nas cidades de destino dos roteiros. Caros! Para dar uma ideia, no roteiro de Mogi há um passeio a uma fazenda de criação de orquídeas com o preço de 50 paus por pessoa. Resolvemos não comprar passeio nenhum. Iriamos conhecer a cidade, dar uma volta a pé, almoçar por lá. Se fosse o caso de encontrarmos algum passeio lá, mais barato, quem sabe.

A viagem é muito legal, o trem é razoavelmente confortável, o pessoal é gentil. Durante todo o percurso uma senhorita vai nos dando informações sobre a importância histórica da região, significado dos nomes dos municípios, das estações.

O trem sai da Estação da Luz, que é um lugar muito bonito

A duração da viagem é de mais ou menos 1 hora e meia, de modo que chegamos em Mogi por volta das 10 horas. Conseguimos um mapa da cidade, tomamos um cafe e começamos a andar. E nada. Era domingo e a cidade estava toda fechada. Não tinha nada que se pudesse fazer, ver, ouvir. Nada. Bem, para não dizer que  não havia nada, quando passamos em frente a catedral estava começando uma missa. Mas nós não queríamos rezar. Em uma das praças há um quiosque turistico, mas parece que apenas para vender aqueles tais passeios para a fazenda de orquideas. Impressionantemente não há nada que se possa fazer, nenhuma alternativa é dada ao turista, que fica perdido na cidade deserta.

A cidade não é bonita. Um ou outro casarão interessante, mas no geral é uma cidade mal cuidada, sem atrativos, pelo menos nessa parte central. A impressão que ficamos é que o trem trás pessoas para os passeios da empresa turística, não trás para Mogi. E que Mogi não está nem ai para quem chega naquele trem. Ficamos imensamente decepcionados.

Um dos poucos casarões interessantes

Com o centro da cidade todo fechado, restou-nos comer em um restaurante chines, que tinha até uma comidinha boa. E nós que imaginávamos entrar um lugar agradável,  ao ar livre, para tomar um cerveja e ver o tempo passar.

Enfim, só vale a pena fazer esse roteiro se voce estiver a fim de gastar dinheiro com os  passeios. E voltar carregada de jarros de orquídeas.

Uma ideia interessante completamente desperdiçada, infelizmente. Quer saber mais? http://www.cptm.sp.gov.br/E_OPERACAO/ExprTur/