O Museu do Ipiranga, aliás Museu Paulista da USP

Gosto de museus, mas gosto à minha maneira, passando horas em umas coisas e nem olhando para outras. Ou seja, em museus tenho um olhar seletivo. E aprecio outras coisas além do acervo: a beleza da arquitetura do prédio, a forma de organizar as mostras, a preocupação com a maneira como o visitante vai circular. Uma boa cafeteria e uma excelente lojinha de lembranças são fundamentais.

Aqui em São Paulo já visitei museus que comentei aqui e aqui, alem da Pinacoteca do Estado, que é linda, bem organizada, com um acervo muito legal. Esse fim de semana fomos visitar o Museu do Ipiranga.

Há muito eu tinha ouvido falar dele, dos jardins inspirados no jardim das tuileries, na arquitetura pomposa e etc e tal, mas como fica um pouco distante de casa, fui adiando. Domingo, com o sol maravilhoso depois de tanta chuva, fomos.

A primeira surpresa foi observar que o nome verdadeiro dele não é Museu do Ipiranga, mas Museu Paulista da USP, ou seja é um museu da Universidade. De todas as maneiras ele foi construído como um monumento a independência do Brasil e fica às margens do rio Ipiranga, onde ocorreu o famoso grito do mesmo nome.

A imponência do predio impressiona. Um imenso palácio no alto de uma colina, em um estilo que lembra os de Paris. Voce imagina que vai entrar e se perder nos salões e corredores. E ai voce entra, e ai começa a decepção. Ele foi construído como um monumento e é isso que ele é. Não é um palácio. Explico: são dois andares de um único corredor com quartos de um lado as arcadas que dão prá fora, do outro. Como se fosse um imenso cenário, com nada atrás.

Mas o que impressiona mesmo é o descaso com tudo. O prédio está mal conservado, com paredes sujas, buracos de pregos, marcas de prateleiras. O acervo é pobre e mal organizado. Não há uma lógica na exposição. Em uma sala tem armas, na outra uma exposição sobre o trabalho nos cafezais. Em uma sala com moveis antigos, os objetos não são identificados e alguns que o são, as identificações estão tão distantes da corda que delimita o caminho, que seria necessário um binoculo para enxergar. Fiquei chocada quando vi em uma vitrine com coisas antigas uma lata de cerveja.O que diabos uma lata de Schincariol estava fazendo ao lado de porcelanas, gravuras, moedas e cédulas antigas? Só depois é que fui perceber que era uma edição comemorativa aos 150 anos da independencia. Mas, convenhamos, precisava?

E para completar não é permitido fotos. Não entendi o porquê já que existem coisas para se registrar que não seriam afetadas nem com flashes. Por exemplo,  uma coisa que gostamos muito: grandes depósitos de vidro sustentados por objetos de ferro em estilo art noveau, com água dos principais rios brasileiros. Queria muito ter fotografado o Rio Assu, do meu estado. E o Velho Chico.

Enfim, é uma pena um espaço tão bonito ser tão mal aproveitado e tão pessimamente gerenciado. Ponto negativissimo para a USP.

A parte externa é muito legal. Um  grande parque, com bonitos jardins, que poderiam ser melhor cuidados tambem.

é duro ser estátua

Para chegar lá voce pode tomar o Metro Vila Madalena/Vila Prudente e saltar na estação Alto do Ipiranga. De lá, toma o onibus eletrico que lhe deixa a uma quadra. Se tiver com fome, coma antes porque lá não há nem lanchonete vendendo dim-dim. E a lojinha de lembranças, tadinha, é tão pobrinha.

 

O Memorial da Resistência em São Paulo

No post anterior falei do maravilhoso Museu da Lingua Portuguesa, mas não contei sobre um outro espaço que visitamos. E não contei porque precisei me recuperar do impacto que foi visitar o Memorial da Resistência. É forte demais.

“O Memorial da Resistência de São Paulo é uma instituição dedicada à preservação das memórias da resistência e da repressão políticas por meio da musealização de parte do edifício que sediou o Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo – Deops/SP, entre os anos de 1940 a 1983.” http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?mn=190&c=335&s=0

Com essa descrição já dá pra imaginar o tipo de reação que esse lugar causou em mim, como deve causar em todos da minha geração que viveram esse período. Logo na entrada existem inúmeros paineis com recortes de jornais com noticias dos eventos, sobretudo dos referentes ao período da ditadura militar. E o visitante vai observar como que a imprensa tratou as torturas, as mortes, os colaboradores do regime. Em outro espaço há uma linha do tempo muito interessante, que relaciona o que tava acontecendo internacionalmente, com os fatos no Brasil. E dá para notar toda a articulação direitista na America Latina naquele período.

E voce vai entrando no prédio e vai se aprofundando na História até chegar no espaço mais doloroso: as celas. Ler o que ficou escrito nas paredes é duro. Não consegui resistir ao “eles levaram meu bebê”, escrito por Rose Nogueira. Cai no choro.

O que me consolou foi lembrar que hoje temos na presidencia da República uma mulher que sofreu em um lugar igual aquele. Vencemos. E vencemos pacificamente, democraticamente, conquistando cada pedaço da nossa Liberdade.

A dor foi tão grande que não consegui tirar fotos.

O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo

Sempre que venho a São Paulo marco de ir ao Museu da Língua Portuguesa e, uma coisa e outra, termino não indo. Dessa vez fui. E me encantei. É um lugar que todo brasileiro, aliás, todo o falante da língua portuguesa, deveria ir, obrigatoriamente. Começa que o espaço é muito bem pensado, organizado e bonito, nas dependências do lindo prédio da Estação da Luz. Um imenso telão transmite sem cessar depoimentos e explicações sobre a história do nosso idioma, curiosidades e entrevistas com estudiosos

Uma das enormes paredes laterais trás uma linha do tempo mostrando todo o desenvolvimento do idioma portugues e as influencias que o tornaram o portugues brasileiro de hoje. Super, super interessante.

E para completar havia uma exposição de Oswald de Andrade e o Movimento Antropofágico, muito interessante.

Ah, e descobri que meu nome tem origem alemã…

O Museu fica, como disse, no predio da Estação da Luz, em frente a Pinacoteca do Estado. Aos sábados a entrada é gratis.