O louco tempo no Trópico de Capricornio

Em minha terra, a 5 graus da linha do Equador, é assim: o tempo tá firme.. começa a aparecer nuvens em cima do oceano… 2 horas depois as nuvens ficam mais espessas… 2 horas depois o ceu fica escuro…. 2 horas depois começa a chover. E ai, sobe aquele cheiro deliciosa de terra molhada, cheiro de chuva, como a gente diz, e que minha mãe dizia que era tiro e queda pra um resfriado.

Aqui a coisa é tenebrosa. O dia está lindo, sol a pino, ventinho gostoso, de repente… estrondos de estremecer as janelas e o ceu negro riscado de raios.

Na primeira vez quase morro de medo. Achei que seria uma tempestade de arrasar a cidade e eu estava sozinha em casa, que o povo não ia conseguir chegar por conta das inundações, que ia faltar energia e que se eu não estivesse no 3 andar, teria que ir subindo os móveis. Depois vi que era normal e que ninguem nem liga. E que as vezes cai até pedaço de gelo.

O fato é que um pouco mais de 1 hora depois disso, a chuva parou e o ceu ficou como se  nada. Afffff.

Comer feijoada em São Paulo II

A Feijoada da Lana

Por incrível que possa parecer, esse é mesmo o nome  do restaurante. No coração de Vila Madalena, numa casinha apertada, comum, adaptada para ser um restaurante, está a casa que só serve feijoada, que, diga-se de passagem,  é uma delícia. Pela primeira vez encontramos aquelas coisas sebosas deliciosas tipo rabo e pé de porco, além das carnes comuns. Também pela primeira vez encontramos uma feijoada muito pouco gordurosa, mas não sei se foi mera coincidência.

O preço é que é mais salgado que as carnes: 55 reais por pessoa e inclui caldinho e caipirinha, que estava praticamente  limonada (será que todos são assim? ou meu paladar já não distingue?), e um pequeno buffet de sobremesas com doces caseiros tipo pudim de claras, quindão, pudim de leite.

O ambiente inclui mesas na lateral e no quintal da casa. Lá deveria estar mais fresquinho, porque dentro de casa o calor estava quase insuportável, com apenas um esquálido ventilador de teto tentando dar conta.

Confesso que não me animei muito. Apesar da feijoada gostosa, o preço é alto e o ambiente (pelo menos o interno) não é acolhedor. Mas, acolhedor mesmo é o Silvio, o garçom super simpático que nos informou que a partir de março eles estarão abrindo para o jantar, com um cardápio que vai variar para além da feijoada, naturalmente.

Quem não conhece o Sujinho, não conhece São Paulo

A primeira vez que ouvi falar do Sujinho foi em finais dos anos 70, quando nós, na contramão da onda, vinhamos do Rio passar os finais de semana em São Paulo. Rezava a lenda que era um lugar que nunca fechava e era frequentado por jornalistas e senhoritas de má fama e vida difícil.

Gostávamos do Sujinho primeiro porque era um lugar de comida farta e barata e, depois, porque parecia muito com os botequins do Rio de Janeiro, no seu jeito descontraído, nas paredes com azulejos e ventiladores no teto.

Pois ele continua assim até hoje: simples, descontraído, agradável. Parece que as “meninas” não aparecem mais, mas, será que ainda existem “meninas” na cidade? Numa época em que os restaurantes teimam em cozinha contemporânea, seja lá o que isso signifique, ele continua com a cozinha brasileira autentica. Criou fama de ter a melhor bisteca da cidade, e tem mesmo. É uma bistecona do tamanho do prato, carne suculenta e assada na medida. Mas o cardápio é enorme, tem qualquer coisa e se não tiver a cozinha dá um jeito. Voce come e ao final não sai com a sensação que foi enganado.

Quando o conheci ele situava-se na Consolação, onde ainda está até hoje, mas agora tem uma filial do outro lado da rua e uma outra no centro da cidade. E agora, na Rua Maceio, do lado da Consolação, tem uma Hamburgueria Sujinho. Novos tempos.

Para terem uma ideia do cardápio:

Para saber mais: http://www.sujinho.com.br/

O expresso turístico: um passeio de trem

Gosto muito de trens. De uma maneira geral são mais amplos e mais confortáveis do que ônibus, as estações costumam ser lugares muito interessantes, e ficar olhando o mundo passar lentamente pela sua janela é uma experiência que curto. Pois por conta disso resolvemos conhecer um trem dito turístico da Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos. São 3 roteiros, um aos sábados e dois aos domingos, com percurso que vão até cidades proximas, como Jundiai, Mogi das Cruzes e Paranapiacaba. O trem sai às 8:30 e retorna às 16:30.

Como são apenas duas composições do trem e a procura é muito grande, é preciso comprar as passagens com antecedência. No dia que fomos comprar só encontramos o roteiro para Mogi das Cruzes. As passagens são compradas em um guichê da Estação da Luz e logo do lado dele há um balcão de uma empresa de turismo vendendo passeios nas cidades de destino dos roteiros. Caros! Para dar uma ideia, no roteiro de Mogi há um passeio a uma fazenda de criação de orquídeas com o preço de 50 paus por pessoa. Resolvemos não comprar passeio nenhum. Iriamos conhecer a cidade, dar uma volta a pé, almoçar por lá. Se fosse o caso de encontrarmos algum passeio lá, mais barato, quem sabe.

A viagem é muito legal, o trem é razoavelmente confortável, o pessoal é gentil. Durante todo o percurso uma senhorita vai nos dando informações sobre a importância histórica da região, significado dos nomes dos municípios, das estações.

O trem sai da Estação da Luz, que é um lugar muito bonito

A duração da viagem é de mais ou menos 1 hora e meia, de modo que chegamos em Mogi por volta das 10 horas. Conseguimos um mapa da cidade, tomamos um cafe e começamos a andar. E nada. Era domingo e a cidade estava toda fechada. Não tinha nada que se pudesse fazer, ver, ouvir. Nada. Bem, para não dizer que  não havia nada, quando passamos em frente a catedral estava começando uma missa. Mas nós não queríamos rezar. Em uma das praças há um quiosque turistico, mas parece que apenas para vender aqueles tais passeios para a fazenda de orquideas. Impressionantemente não há nada que se possa fazer, nenhuma alternativa é dada ao turista, que fica perdido na cidade deserta.

A cidade não é bonita. Um ou outro casarão interessante, mas no geral é uma cidade mal cuidada, sem atrativos, pelo menos nessa parte central. A impressão que ficamos é que o trem trás pessoas para os passeios da empresa turística, não trás para Mogi. E que Mogi não está nem ai para quem chega naquele trem. Ficamos imensamente decepcionados.

Um dos poucos casarões interessantes

Com o centro da cidade todo fechado, restou-nos comer em um restaurante chines, que tinha até uma comidinha boa. E nós que imaginávamos entrar um lugar agradável,  ao ar livre, para tomar um cerveja e ver o tempo passar.

Enfim, só vale a pena fazer esse roteiro se voce estiver a fim de gastar dinheiro com os  passeios. E voltar carregada de jarros de orquídeas.

Uma ideia interessante completamente desperdiçada, infelizmente. Quer saber mais? http://www.cptm.sp.gov.br/E_OPERACAO/ExprTur/

 

Comer feijoada em São Paulo

Eu sou daquelas que não troca uma bela feijoada por nenhuma lagosta ou outra dessas coisas frescas finas. Adoro um feijãozinho preto, com costelinha de porco, carne charque, couve picadinho, farofa. E quando chega o sábado, parece que o desejo se torna mais urgente. Talvez resquícios dos meus anos de Rio de Janeiro, onde a feijoada do sábado é obrigatória. Pois resolvi procurar um lugar aqui em São Paulo. E de cara me deparei com um blog ótimo, especializado em feijoadas, com dicas muito legais: http://feijucas.blogspot.com/. Minha idéia agora é conhecer as indicações dele, pelo menos as que estão aqui perto de mim.

O Barthô

Sábado passado estivemos no Barthô, que, por feliz acaso fica na mesma rua onde estou. Infelizmente chegamos já umas 4 e meia da tarde e a comida já estava nos seus momentos finais, mas deu prá sentir que é uma feijoada de qualidade.

O lugar é um botequim em um prédio meio antigo, que lembra muito os bares do Rio, com televisões passando jogos de futebol e mesas na calçada. Quando chegamos duas moças recolhiam seus instrumentos, o que nos indicou que havia rolado um som mais cedo. Pela cara das moças com certeza era MBP.

Tem umas sobremesas ótimas, mas não peça se não quiser ter um susto ao receber a conta: são muuuuiiito caras. Em compensação tem uma batida de limão de graça, que estava uma beleza. A cerveja é uma Golden Ale, delícia. O serviço é buffet, ao preço de 35 reais por pessoa. E fica na Rua Caiubi, 1249, esquina com Apinajés.

Pé de Manga

Esse é um restaurante em Vila Madalena, numa região cercada por outros restaurantes simpáticos e que tambem merecem futuras visitas (de olho no Venga!, que imagino ser espanhol). O lugar é super agradável, com mesas em um jardinzão com mangueiras (claro!) e um espaço interno amplo e bonito. Detalhe: os guarda-sóis tem uns ideogramas japoneses; achamos que o lugar deve ter sido um restaurante japones e o novo dono aproveitou. Mas isso não nos causou boa impressão.

A feijoada  é servida sob a forma de buffet e estava uma delícia, com carnes bem escolhidas. Bom, não tem coisas como pé ou rabo ou orelha de porco, mas as costelinhas estavam ótimas e a charque tambem. A couve estava um pouco além do ponto, muito molhada. É engraçado como aqui as feijoadas são sempre servidas com carre de porco frita. Acho que é coisa paulista, porque não vejo isso em outros lugares.

O maior problema é que a casa é muito cheia de gente. Nós chegamos por volta das 3 da tarde e esperamos por mesa por quase 1 hora. Quando saímos, em torno das 5, ainda havia fila de espera. E olha que o espaço não é pequeno. Bom, quem sabe foi porque era um sábado, e um sábado ensolarado.

O endereço é: Rua Arapiraca, 152, em Vila Madalena