A Rota 40 e o nosso sonho

A Ruta 40 liga a Argentina de norte a sul, indo da província de Jujuy fronteira com a Bolívia até o sul, quase na Patagônia. Quando estivemos por lá, particularmente em El Calafate, no falaram sobre ela, que era um rota mística porque meio que acompanhava os Andes. Naquele momento fizemos uma promessa de alugar um carro e fazer o percurso. E o sonho ficou guardado

E ai agora, no percurso para San Carlos e Cafayate, percorremos um trechinho dela. E nos demos conta que fazer o percurso todo exige umas condições que não vamos dispor: muito tempo para percorrer os seus mais de 5.200 km, condições físicas (que não temos) para os trechos que atinge mais de 5 mil metros de altitude e um homem pra acompanhar as donzelas por trechos tão desertos. Enfim, o sonho acabou.

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Nos arredores de Cafayate

Nos disseram que perto de Cafayate existiam vários pueblitos lindos e que deveríamos visitá-los. Anotamos Tolobom e San Carlos, o primeiro a 12 km e o segundo a 25. Fomos.

Escolhemos primeiro San Carlos. A informação que nos deram é que era um sítio histórico e que durante algum tempo se cogitou ser ele a capital da província. De fato é uma cidadezinha linda. Como nas outras, o ponto principal é a pracinha, onde está a igreja católica e o comercio. Existem algumas lojas de artesanatos, destacando-se a Cooperativa de artesãos, onde encontramos belos trabalhos de cestaria, como não havíamos visto em nenhum outro lugar. Pensávamos em almoçar por lá, mas não há restaurantes, apenas comedores muito simples ou lanchonetes. Rumamos para Tolobom.

Pracinha em San Carlos
Pracinha em San Carlos

Passamos novamente por Cafayate, cruzamos a cidade e tomamos o rumo sul. Alguns quilômetros adiante avistamos o que parecia uma cidade fantasma, desabitada. Na verdade não era mesmo uma cidade, mas uma praça feia, meio destruída, com uma igreja pequenina e algumas casas ao redor. Resolvemos seguir porque aquilo não podia ser Tolobom. Na frente encontramos um restaurante e paramos para comer. E lá perguntamos como chegavamos a Tolobom. E o cara, “aqui é Tolobom, voces já passaram pela cidade”. Olhamos uma pra outra, demos uma risada e voltamos pra Cafayate.

Restaurante, a unica coisa "viva" em Tolobom
Restaurante, a única coisa “viva” em Tolobom

Preciso ainda comentar que em Cafayate se come muitíssimo bem. Há um excelente restaurante, chamado Terruño, que serve uma comida muito boa, tem uma carta de vinhos de primeira e o preço é ótimo. Recomendadíssimo.

De Salta a Cafayate, em busca dos vinhos

Já tínhamos alugado um carro desde o Brasil, para percorrermos calmamente Salta e Jujuy, assim que fomos pega-lo no aeroporto de Salta e de lá rumamos para o sul, para Cafayate. São apenas pouco mais de 180 km, mas nem pense em percorre-los em menos de 4 a 5 horas. Porque a própria viagem já faz parte do passeio. Voce vai se deslumbrar tanto que será impossível passar sem parar algumas vezes.

Saindo de Salta, passamos por alguns “pueblos” que fazem parte da, digamos, grande Salta. Em Coronel Moldes paramos para almoçar em um lugar muito simpático chamado “Posta de las Cabras”, onde traçamos um cabrito ao torrontés. Estava assim mais ou menos. O gosto do torrontés não sentimos. Mas o lugar é legal. E é a última “civilização” antes de entrarmos nos 60 km da Quebrada das Conchas.

Igrejinha em Coronel Moldes

Um parêntesis para falar sobre quebradas. Essa é uma palavra para qual não encontramos consenso. Em uns lugares diz tratar-se de um rio raso e pouco caudaloso, em outro de um vale, em outro de um desfiladeiro. Conto o que vi: montanhas imensas de um lado e do outro, e no meio um riozinho raso tendo nas margens um espaço grande de pedras pequenas, como se fosse um vale. Em alguns lugares as montanhas se aproximam mais do rio, como de fosse um desfiladeiro. Então, para mim o significado de quebrada é a junção disso tudo.

Quebrada das Conchas
Quebrada das Conchas

A Quebrada das Conchas tem esse nome porque se encontrou conchas marinhas nas montanhas e há a hipótese de que o local tenha sido mar ou um imenso lago. E é uma coisa absolutamente majestosa. Para qualquer lado que se olhe, a beleza enche nossos olhos. Nela existem duas formações que é impossível se passar sem parar e visitá-las: a Garganta do Diabo e o Anfiteatro. São lugares especiais, onde percebemos o quanto somos nada diante da imensidão da Natureza.

Garganta do Diabo
Garganta do Diabo
Garganta do Diabo
Garganta do Diabo

 

 

Outra vista da Quebrada das Conchas
Anfiteatro e eu
Anfiteatro e eu

Depois de 60 km sem nenhum vilarejo e por uma estrada absolutamente sinuosa (cuide de olhar a gasolina ainda em Coronel Moldes porque depois só vai encontrar posto em Cafayate!), entra-se em um estrada mais reta e poucos quilometros depois chegamos a Cafayate.

Cafayate é um lugar pequenino, com uma graciosa praça, rodeada de restaurantes, lojinhas de artesanatos, a Igreja de N. S. do Rosário e a “Municipalidad”. O seu grande atrativo são as bodegas de vinho. Aqui, diferente do que vi em Sonoma, na California, não se precisa ir aos vinhedos para se ter degustação dos vinhos. Nas bodegas há degustações e são quase todas elas dentro da cidade, ou a alguns poucos metros. Vizinho ao nosso hotel tinha a bodega Nanni, que faz um vinho orgânico, tanto Malbec quanto Torrotés, maravilhoso. Do outro lado da rua estava a El Povenir. Visitamos a El Esterco e a Etchart, que ficam fora do centro. Provamos ainda vinhos artesanais, os chamados “vinhos butique”. Referencia especial ao vinhos brancos de colheita tardia, mais suaves, próprios para se tomar como aperitivo ou sobremesa, ou simplesmente bebe-lo bem frio em um final de tarde. O recomendado é acompanha-lo com damascos secos. É o must.

Essa é em homenagem a quem nunca mais veremos
Essa é em homenagem a quem nunca mais veremos

E quando estávamos de volta de Cafayate, paramos para ver passar essas coisinhas maravilhosamente fofas, que pousaram para nós.

Uma delas quase não nos deixa passar e por pouco não a colocamos no carro e levamos pra casa.