NY: fim do curso de inglês

 

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Terminei meu curso de inglês. Com direito a diploma e tudo! Foram 4 semanas intensivas, bastante pesadas, com aulas diárias das 9h:00 às 13h00 e trabalhos de casa pra fazer. Agora posso fazer uma avaliação mais qualificada do curso, mas quero deixar claro que essa é a MINHA impressão do curso feito em Nova York, nesse período. Porque as coisas podem ter sido (ou virem a ser) diferentes para outras pessoas.

A Escola foi a LSI – Language Study International e já contei pra vocês da minha decepção de pensar estar matriculada em um curso para pessoas de mais de 40 anos, e isso não ser verdade, apesar da leitura do site dar essa impressão. Mas a LSI é uma escola bastante organizada, com um pessoal simpaticíssimo, professores (pelo menos as duas que conheci) competentes e interessados no aprendizado dos alunos. As turmas tem no máximo 15 alunos e toda terça-feira ela é renovada, seja pela entrada de alunos novos, seja pela progressão de alunos que estavam em outras turmas. Então, nunca se termina com a turma que se começou.

A escola é credenciada pelo órgão educacional do governo, que exige certos padrões de qualidade e de cuidados com coisas como frequência dos alunos e aplicação de avaliações periódicas. Em uma das minhas semanas estava por lá uma equipe de 3 pessoas, avaliadores do Governo Federal, que, entre outras coisas, assistiram algumas aulas e discretamente nos entrevistaram. A quase totalidade dos alunos tem visto de estudante e pra eles a cobrança ainda é mais rigorosa.

Mas, como professora, não pude deixar de ter um olhar crítico à metodologia de ensino, ao material didático, ao estilo de ensino das professoras. E ai observei uma metodologia muito antiquada. Aulas tipo “cuspe e giz”. Sem um laboratório, quando tínhamos partes de listening na aula, era usado um aparelhozinho de som portátil, daqueles gordinhos, que eles chamam aqui bombox, com um CD. CD!!!! No tempo do pendrive, alguém ainda usa CD? A tecnologia passou longe dali, mesmo as mais antigas. Em cada sala há um aparelho de TV e um computador desktop ligado a ela, mas que não estão com seu uso automatizado pelas professoras, que sempre pediam ajuda aos alunos para fazer funcionar. Mesmo assim, essa TV só foi ligada para nos mostrar imagens de algumas palavras ou eventos que não conhecíamos. Ou seja, não era usado como parte da metodologia ou técnica de ensino. Ah, há um ambiente virtual de aprendizagem. Na verdade um velho e conhecido Moodle. Nas vezes que entrei, a página da nossa turma não estava atualizada. Além do que não fomos estimulados a usa-lo. Acho que as professoras também não sabiam como a coisa funciona.

O livro didático é interessante, bastante parecido com o que usei no meu tempo de Yazigi. O problema é que as professoras o seguem fielmente. Quer dizer, não sei se é realmente um problema, mas se eu fosse a professora (hehehehehe), traria informação adicional ao livro, com outros textos, com exemplos de videos, com músicas. Fiquei com a impressão que há um roteiro a seguir e não se pode muito fugir dele, mesmo que isso fizesse as aulas ficarem mais interessantes.

Não sei se essa forma de funcionar é a que tem que ser, não sei se o fato de ter uma turma 90% de gente jovem exige uma metodologia mais formal, não sei se é assim em todas as LSI, mas para mim esse é um ponto bastante negativo. A pessoa estar nos Estados Unidos, e não usar as novas tecnologias de ensino, acho lamentável. E coloquei isso na avaliação final que eles me pediram.

Mesmo assim, digo que terminei o curso com saudade. Pelo acolhimento do pessoal, pelos frágeis vínculos que a gente cria com os colegas. Como eu era, obviamente, a mais velha da turma, aposentada, sem nenhuma ânsia de ser a melhor, eles me achavam interessante ou, talvez, curiosa. Uma senhora de mais de 60 anos, mas com os cabelos vermelhos, as roupas na moda e falando de cultura pop, era realmente para ser alvo de curiosidade.

E foi assim. Melhorei meu inglês? Digo que me sinto mais confiante e já consigo entender melhor o que me falam. E que o ano que entra venho de novo!

Agora tenho mais 1 mês para turistar pela cidade. Mil planos. Conto depois pra vocês.

NY: e segue o curso

 

Essa semana ocorreram mudanças no nosso curso. Mudamos de sala, de professora e de livro. Não que eu tenha saído do intermediate (a sina!), mas trabalhávamos com livros de um inglês britânico e agora estamos com o inglês americano. Todas as professoras estavam exultante com essa troca, que ia ser muito melhor, que nós íamos perceber como o livro era bom. E os alunos também assim, tipo, “oh, que maravilha”, mas eu acho que era só onda porque eu confesso que não vi nenhuma diferença.

A mudança de professora foi interessante. Nos informaram que esse tipo de rodízio faz parte da política da escola, que é importante que a gente experimente outros estilos de ensinar, etc, etc. Não sei, porque não vi outras turmas mudarem, mas para mim não teve o menor problema, afinal meu objetivo não é me tornar fluente e sim conseguir me comunicar (já ia dizendo, continuar no intermediate).

No fim está sendo muito interessante. Saímos de uma professora que me lembrava muito os personagens de Wood Allen, para uma que me lembra os filmes dos anos 50. A primeira tinha aquele modo inquieto e gaguejante de falar, cheia de ahn, uhn. Meio desengonçada, anda sempre com um copo de café (sim, café não é em xícara, é em copo aqui) na mão e umas roupas tipo Annie Hall. A segunda parece com Doris Day, só que velha. Baixinha, toda rechonchudinha, rostinho redondo, bochechas coradas, cabelo bem louro e arrumadinho. Se veste com estilo mais antigo, mas não vintage, antigo mesmo e parece ser uma “bela, recatada e do lar”, se é que me entendem. Fala com uma voz meio estridente e, com certeza foi namorada do melhor jogador de futebol da escola. Ah, e os exemplos que dá quase sempre inclui “my husband” (dela!). Uma gracinha. Eu fico rindo por dentro, porque não tenho com quem comentar. Virei pro meu colega e perguntei se ele não achava ela parecida com Doris Day e ele “who???“. Essa juventude que nunca viu Doris Day e Rock Hudson não está com nada.

A nossa Doris Day é bem professora primária no seu método. Escreve tudo no quadro, fala pausado, dá carão, faz chamada e cobra rigorosamente o horário de chegada. Como eu sempre fui obsessiva com horário, isso não me preocupa. A maior parte das vezes sou a primeira a chegar. Sou uma “early bird“, como disse uma das professoras.

Mas, enfim, o curso segue muito legal. Creio que estou melhorando bastante meu inglês e que está super valendo a pena. Vamos ver se dessa vez eu avanço pelo menos para um “upper intermediate

NY: primeira semana do curso

Hoje terminei a primeira semana do meu curso de inglês, apesar de ser uma segunda-feira, e o que se espera é que as coisas terminem numa sexta. Mas, como temos avaliação cada segunda, considero que a prova que fiz hoje corresponde ao fim da primeira semana.

E como está sendo? Está sendo ótimo!

Como era de se esperar fui incluída em uma turma do nível intermediate. De novo. Lembram do filme O Anjo Exterminador, de Bruñuel? Que as pessoas não conseguiam sair da sala? Pois assim estou eu com meus cursos de inglês: não consigo sair do intermediate. Porque sempre que termino esse nível, largo o curso e quando volto, volto pro… intermediate. Mas, tudo bem, um dia supero esse “trauma”.

Minha turma é verdadeiramente multicultural. Tem 6 japoneses, 4 turcos, 1 colombiana, 1 argelino, 1 francesa, 1 saudita e 1 brasileira, eu. Como eu já disse, não existe curso para pessoas com mais de 40 anos, então fui colocada na turma das crianças. A maioria tem em torno de 20 anos, um ou outro com 25, 26 e nenhum com mais de 30. Afora eu, a anciã. Mas tenho me dado bem com a galerinha porque me trouxe de volta o tempo em que era professora e meu povo tinha essa idade. De qualquer maneira eles ainda me olham com uma certa condescendência e tentam me ajudar, tipo escoteiro quando precisa fazer a boa ação do dia. Eu nem ligo e rio por dentro.

O curso é legal. Com metodologia não muito diferente do que eu já tinha experimentado em cursos no Brasil; o material didático muito parecido com o que usei no Yazigi. Gramática, com os malditos tempos de verbo, conversação (ainda bastante tosca e gaguejante) e o maldito de todos os malditos, o listening, escutar e entender o que o povo fala. Mas eu também vou superar isso.

Oficialmente sou estudante nos EUA, com carteirinha e tudo. Posso pagar meia nos cinemas, nas entradas de museu, nos espetáculos de teatro.

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O problema é que o horário do curso não é moleza. Começamos às 9:10 da manhã e vamos até as 12:50, com um intervalo de 15 minutos. Além disso temos tarefa de casa (dever de casa!!!!) todos os dias. O segundo problema é que, quando eu tiver tempo para passear (depois que terminar o curso), a carteira terá expirado. Mas achei legal ter essa carteirinha, até porque fiquei ótima no retrato hehehehehehe.

Quanto ao Club 40+, que eu tinha me matriculado, cancelei a matricula depois do primeiro dia. Não achei a proposta interessante. Achei que poderia ser bom ter alguém para me mostrar NYC, me falar de seus aspectos históricos, me apresentar coisas importantes nos museus. Mas a coisa não foi bem assim. Achei desorganizado e inútil. O bom foi que eles devolveram o dinheiro integralmente.

Essa é uma tomada da sala de entrada da escola. Bonita, nova e com uma vista linda, como já mostrei.

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Em casa, vou levando. Lavando roupa, cozinhando e limpando. Encontrei um monte de material de limpeza, mas, afora um Pinho Sol, não tinha ideia qual servia para o que. Precisei da assessoria de minha nora para me explicar o que era e como usar. É estranho para nós, mas aqui não se usa vassoura nem pano de chão. Você passa uma espécie de pano absorvente no piso, com um determinado produto quando for cozinha, outro produto quando for taco da sala, e por ai vai. De qualquer maneira a cozinha já deixou as marcas características de uma cozinheira fora de forma.

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Comprei umas costelinhas e convidei meu filho e nora pra jantar. Minha idéia era faze-las no forno, mas na hora, cade que não tinha uma travessa?! Vamos fazer fritas, então. Comecei a fritar e começou a, logicamente, fumaçar. E a fumaçar, e a fumaçar. E ai dispara o detector de fumaça do apartamento, apitando num barulhão enorme dentro de casa. Corremos pra abrir as janelas, abanar o detector. Um estresse. Felizmente os meninos já sabiam como agir em casos assim. Se eu estivesse sozinha ia ficar doidinha.