Um breve passeio no bondinho

Para mim passear naquele bondinho amarelo era obrigatório. Tinha a expectativa de que ele passaria por lugares lindos e típicos, mas o melhor de tudo foram os 40 minutos que ficamos na fila esperando a nossa vez. Foi muito legal observar como eles viram o bonde, para que ele fique de frente para a saída. Eles fazem isso na mão! O bonde anda até chegar em uma plataforma redonda de madeira, dai descem dois caras e simplesmente empurram a plataforma até que ela rode 180 graus e o bonde fique de frente.

O passeio em si é sem graça. O bonde geralmente vai lotado, e mesmo que voce pegue os bancos virados pra rua, vai ter gente em pé na sua frente e voce vai ter que ficar virando o pescoço pra ver por onde está passando. Dei sorte e peguei o banco perto da janela da frente. Pude fazer umas fotos meio mais ou menos. Enfim: decepção.

E hoje é nosso último dia aqui. Mas nosso coração ficou. Voltaremos.

 

Do outro lado da baia, Sausalito

Um dia absolutamente esplendoroso fez ontem. Sol claro, 14 graus de temperatura, ventinho frio, uma beleza. Nos preparamos para um pic nic na Angel Island, uma ilhota que fica muito próxima do continente, depois de Alcatraz. A propósito de Alcatraz, que se tornou um ponto turístico, não sentimos a menor vontade de ir até lá. Qual a graça de se visitar um presidio? Porque era inexpugnável? Achei que devia ter muita energia negativa naquele prédio. Nan! Olha ela aí, sem o nevoeiro da outra foto.

O pier 39 estava animadíssimo. E já que não tinha mais passagem para a tal ilha, resolvemos ir a Sausalito, que está um pouco mais adiante. E foi a melhor coisa que fizemos! Tomamos um barco, grande como o que faz Rio-Niterói, pagamos 22 dólares por ida e volta e fomos. De lá pudemos ter uma visão da Golden Gate, também sem nevoeiro desta vez.

Estávamos com a impressão de que iríamos encontrar do lado de lá da baía uma Niterói, ou seja, um lugar para ter uma bela visão de São Francisco (que me desculpem os niteroienses :-)). Ledo engano. Sausalito é uma super gracinha de cidade. Logo ao sair do barco, damos com uma praça lindinha, arborizada e fresca. Na avenida um monte de lojas, restaurantes, cafés. Mais para além dela, as casinhas de madeiras sobem pelas colinas.

Comemos por lá. Os meninos escolheram pelo Yelp um restaurante italiano bem pontuado, o Poggio. A comida é excelente, mas se voce quer mesmo se alimentar peça 2 pratos, porque as porções são mínimas, mínimas. Eles tem a opção de meia porção ou porção inteira. Não vimos nenhuma diferença entre os dois, todas muito pequenas.

A visão que se tem de SF de lá é tambem muito bonita e existem locais próprio para essa contemplação. Algumas pessoas aproveitam para fazerem o seus lanches por ali, enquanto o hippie remanescente toca sua guitarra e recende a patchouli. Muito legal tudo isso. Recomendadíssimo.

Batendo perna em Chinatown

O que gostamos mesmo em viagem é isso de passear devagar e podemos passar quase um dia inteiro só batendo perna pela cidade, sem rumo certo. Fizemos isso em Chinatown e foi muito divertido. Eu já conhecia duas outras “Chinatowns”, a de Nova York e a Liberdade, em São Paulo. Fátima, quilometros mais viajada do que eu, já conhece a própria China e seus mistérios. Bom, o fato é que achamos a daqui muito diferente das outras, ou pelo menos estava diferente no dia que passeamos por lá: ruas calmas, sem muita gente, sem chinês nos oferecendo coisas ou nos constrangendo a visitar suas lojas.

As lojas de quinquilharias estão lá, mas tem muita loja de jóia e umas lojas de objetos decorativos, como esse móvel com uma incrustação na parte superior em marfim esculpido formando casas, reis, elefantes, e mais um monte de coisa que não identificamos. Pense numa coisa “over”!

Essa luminária também achei D+

Em várias calçada de lojas encontramos esculturas como essa, que achei muito fofinha

Mas, de todos os objetos nas vitrines, a que mais me surpreendeu mesmo foi encontrar o que eu imaginava ser um símbolo mais que ultrapassado

Almoçamos por lá, em um restaurante pequenininho de uma rua lateral. Senti uma enorme dificuldade em fazer o pedido porque além de não conhecer comida chinesa, o cardápio estava escrito em chinês (naturalmente) e em inglês (tambem naturalmente). Dai que pedimos errado e não comemos bem.

O Fisherman’s Wharf

No meio do nosso tour resolvemos descer na região de Fisherman’s Wharf, que, como o nome sugere é lugar perto do mar e, supostamente, com coisas do mar, tipo comida e etc e tal. Queríamos ver o mar e queríamos comer peixe e queríamos conhecer o Pier 39.

O mar quase não vimos. O dia estava muito nublado e não somente enevoado. Tudo era em alguns tons de cinza (não 50). Em compensação o Pier 39 estava animadíssimo. Eu estava imaginando encontrar algo como o Seaport de New York, cheio de buginganga pra turista e comida ruim. Nada mais equivocado. O Pier 39 é muito grande, com lojas de bugingangas sim, mas com algumas lojas muito legais (gostamos de uma com coisas para canhotos, gostamos de outra irlandesa, com coisas celtas lindas) e bons restaurantes. Uma coisa muito fofa são os leões marinhos que ficam lá, descansando, bolando um por cima do outro.

Escolhemos comer em um restaurante italiano que também servia frutos do mar. Excelente escolha. Comida boa, um Chardonnay interessante e um garçon mexicano. Tudo de bom.

Eu posando
Eu, posando

E fizemos como gostamos, ficamos batendo perna por ali, olhando as coisas, mangando do povo e rindo muito, que é a melhor coisa a se fazer. Eram mais de 6 da tarde quando começou a “lebrinar”(eita nordestinês brabo!) e resolvemos ir embora.

Ao fundo, a ilha onde está o antigo presidio de Alcatraz

Observando os contrastes em São Francisco

Como sempre nosso primeiro passeio por SF foi tomar um city tour, tipo hop on hop off, para ter uma visão geral da cidade. O ponto principal de uma das companhias é na Union Square, mas para chegarmos lá caminhamos praticamente toda a Market Street e penso que nessa caminhada vimos tudo que há por aqui. Saimos da Castro, com sua população gay. Caminhamos mais um pouco e começamos a ver casais hetero com seus filhos em carrinhos, tomando café nas dinners. Caminhamos mais e entramos numa zona meio estranha: homelesses, jovens parecendo drogados, pessoas sujas, algumas claramente em delírio. Claro que sentimos um certo medo, mas a polícia estava sempre por alí. Junto a essa região estão os negros com cara de rasta ou rapers. Essas regiões são muito próximas ao Civic Center e a Union Square, portanto é preciso cuidado quando escolher hotel na Downtown, porque se disser “proximo a Union Square”, pode ser justamente nessa região.

Esse predio não é na Market St, mas mostra o clima. Não à toa está em P&B

Ai acontece um fenômeno estranho: estamos atravessando essa terra de ninguem quando, de repente, começam a aparecer prédios luxuosos e lojas de grifes; e estamos na Union Square. Ali estão as mais caras lojas de joias, tipo Tiffany, de roupas, tipo Saks, Prada, Armani, Dior, além de outras menos cotadas, tipo Gap, Sephora, Bloomingdale e a conhecida Macy’s. Um imenso contraste com a vida há 2 quarteirões atrás e que nos faz pensar sobre a justeza deste sistema político-econômico.

Union Square
Union Square

Então, quem quiser ficar nessa região, ela é muito legal para compras e pra comer bem, além de estar vizinho a Chinatown. Vimos alguns hoteis que estão em ruas legais, mas não sabemos os preços, nem sabemos se são bons. Nada que o Booking.com não informe. Vamos lá:

1. O Baldwin Hotel

2. O Stratford Hotel

3. O Hotel Triton, esse já na entrada de Chinatown.

Castro, a região alegre de São Francisco

A casa que alugamos fica na 18th Street, quase esquina com a Castro. A região é declaradamente gay e afirma isso pra quem por aqui chegar: bandeiras arco-íris estão em todos os postes e em várias fachadas das casas, bares, restaurantes e lojas dedicadas aos produtos gays. Uma coisa muito linda de se ver, porque aqui as coisas acontecem naturalmente, sem necessidade de nenhum subterfúgio. Um belo clima de liberdade, longe da homofobia. As casas são lindas, daquele tipo característico de São Francisco que eu amo.

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Castro é um bairro que guarda toda a história da luta pelos direitos homossexuais. Foi aqui que viveu Harvey Milk. Se voce não viu, precisa urgentemente ver o filme “Milk”para entender melhor o que significa Castro. Fiquei emocionada ao ver a praça com o seu nome e uma imensa bandeira arco-iris.

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Mas tem uma coisa que ainda não consegui entender por aqui: somente encontramos gays masculinos, não sabemos onde se encontram as mulheres. Talvez em outra região? De todas as maneiras, estamos adorando estar em Castro.

E chegamos a São Francisco sob fog

Uma das primeiras imagens de São Francisco foi a Golden Gate. Enevoada. Nuvens tão baixas que quase as tocávamos. Assim a atravessamos, sem conseguir ver o que havia por baixo dela.

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O que conseguimos ver do mar tambem estava com as nuvens muito baixas, mas deu pra eu ver o Pacifico pela primeira vez.

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Arriscando resolvemos ir até Twin Peaks, uma região alta da cidade, de onde se tem um panorama único: a cidade interinha aos nossos pés. Demos sorte. Quando chegamos lá o dia estava aberto, o sol das 4 da tarde iluminando toda a cidade.

A avenida enorme é a Market St
A avenida enorme é a Market St
Olha as duas lindas ai
Olha as duas lindas ai

O melhor vinho que provei na Califórnia

Antes de tomarmos o rumo de San Francisco ainda arriscamos uma última fazenda de vinhos. Daniel e Thaisa já a conheciam e gostavam muito, dai que sugeriu que fossemos até lá. É a Sonoma Cutrer. O lugar é lindo, tranquilo, com pouca gente, um atendimento muito gentil e generoso nas porções de vinho.

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Nos serviram 3 tipos de Chardonnay excelentes, mas quando eles serviram o Pinot Noir os céus se abriram e os anjos vieram tocar trombetas junto a nós. Nunca em minha curta vida de apreciadora de vinho tinha tomando uma coisa mais maravilhosa. Pinot Noir já é o meu tinto preferido, mas aquele… aquele não tem adjetivo suficiente para descreve-los. Resolvemos levar pelo menos 1 garrafa, que custa pouco mais de 36 dolares, e qual não foi nossa surpresa quando não nos cobraram o “taste”, que seria de 15 dolares por pessoa. Com a economia compramos outra garrafa.

 

Pelos vinhedos da Califórnia

Estamos na Califórnia ha 3 dias e estamos ótimas, refrescadas com uma temperatura máxima de 20 graus; umas manhãs e uns entardeceres friozinhos de 11. Isso tudo com um céu claro, sem nuvens. Melhor impossível!

Passamos 1 dia em Mountain View (Daniel ainda estava trabalhando) e depois viemos para Santa Rosa, já na região dos vinhedos. Alugamos uma casa agradável, num condominio charmoso.  E ontem fomos a Sonoma. Visitamos duas fazendas produtoras de vinho. A primeira foi a Berzinger, onde fizemos um tour e conhecemos uma das caves, seguido por uma prova dos vinhos produzidos ali. A fazenda é linda. Rodeada de colinas e flores. As casas são charmosissimas e eu viveria ali tranquilamente.

Viveria ali, tranquilamente, não fosse o vinho que eles produzem, que não tem nada de excepcional. Mesmo o Merlot, uma espécie de especialidade deles, é aguado, sem corpo nenhum. Esse é um vinhedo bastante visitado, e eu fiquei imaginando que deve ser pelo entorno, que é lindo, mas não pode ser pelo vinho.

Depois fomos para uma menorzinha, a Ravenwood, sem o monte de gente que tinha na anterior e com um pessoal muito simpático. Mas o que destaca esse vinhedo é a uva que eles produzem: a Zinfandel, uma uva produzida em apenas 10% dos vinhedos dos EUA. E é dos deuses!!! O nome não me parecia estranho, mas eu não conseguia me lembrar de onde, até que o senhor nos explicou que essa é uma uva original da Croácia e ai tenho quase certeza que foi lá que ouvi esse nome. O vinho é delicioso. Provamos 6 variedades e cada um é melhor que o outro. Foi dificil escolher qual trazer pra casa. Recomendadíssima!

E demos por visto. Porque eu queria mesmo era conhecer a cidade de Sonoma. E fiquei completamente satisfeita; a cidade é a maior gracinha que se possa imaginar. Tranquila, com um enorme parque central rodeado de restaurantes, cafés, lojinhas lindas. Encontramos até uma loja de lãs, onde uma senhora alemã de seus 80 anos ensina tricô. Amei Sonoma!!!