10 coisas sobre a Escandinávia

  1. O povo escandinavo é extremamente afável. Estão sempre sorrindo pra você, lhe atendem amavelmente. Mesmo na rua, os transeuntes passam e sorriem para você. Isso foi uma supresa, porque sempre achei que gente de país frio tendia a ser também frio. Mais um preconceito que se vai. Eles também tratam bem o imigrante, apesar de não oferecer a eles as mesmas oportunidades que aos nativos.
  2. Em todos os países há uma alta qualidade de vida. Educação de qualidade, pública e quase sempre gratuita. Na Dinamarca é cobrado uma taxa nas universidades mas há subsídios do governo pra quem não pode. Na Finlândia é totalmente gratuita em todos os níveis. Da mesma maneira a saúde. Na Suécia nos disseram que a atenção pública especializada não é de qualidade. Na Finlândia se paga os 3 primeiros atendimentos do ano, a partir dai tudo é grátis. 
  3. Os impostos são altíssimos, mas são sempre proporcionais à quanto se ganha e ninguém é isento. Na Finlândia por exemplo, um professor primário ganha 4.500 euros e paga cerca de 35% de impostos. Curioso na Finlândia é que a proporcionalidade passa inclusive para multas como as de trânsito. Para a mesma infração são cobradas multas em proporção à quanto se ganha.
  4. A cidade com maior população no mundo usando bike não é Amsterdam e sim Copenhagen. Todos usam e cada vez mais o governo restringe o uso de carros. Há obras atualmente criando uma terceira faixa de ciclovia na cidade. O turista tem que está atento porque as faixas deles são deles, e se você estiver no meio periga ser atropelado.
  5. Carros elétricos são a maioria em todos os lugares que passamos. Há postes com carga para eles também em todas as cidades.
  6. Em todas as cidades observamos uma grande quantidade de obras em execução. Seja o plantio de árvores nas praças, sejam obras maiores como novas linhas de metrô, as cidades aproveitam o período sem frio e neve para fazer suas melhorias.
  7. O extremamente moderno se mescla com o tradicional. Apenas em Oslo ouvimos falar de se demolir prédios antigos para construir novos. Como todos os países foram atingidos pela Segunda Guerra, em alguns prédios eles deixam a marca das balas ou reconstroem o destruído deixando uma parte para que não se esqueçam.
  8. Todos são países de muita água. Canais, fiordes ou o mar mesmo estão presente em todos. Daí a gastronomia mais importante é de frutos do mar. Na Noruega o bacalhau, mas em todos o salmão, o halibut, e outros peixes que nunca ouvi falar. Mas também há carne de caça, sobretudo carne de rena, de alce, de pato. Em alguns lugares vimos carne de urso, mas não provei. 
  9. No café da manhã come-se também peixe, geralmente arenque, com salada verde, além dos conhecidos itens do tal café continental. Os pães, ah os pães! São todos maravilhosos! Já o café… em alguns lugares precisei acrescentar uma colherzinha de Nescafé para ficar quase forte. Na Dinamarca não deixe de comer um smørrbrød, um sanduíche aberto, com apenas uma face do pão e onde se colocam as maravilhas deliciosas que eles tem a oferecer.
  10. Para nós as coisas são muito caras. Uma refeição simples, em restaurante, com uma taça de vinho da casa, não sai por menos de 150 reais. Mas, é claro, se pode comer mais barato em lanchonetes. Disseram que roupas eram mais baratas em Estocolmo, mas a moda que estava nas vitrines era de verão e ai eram coisas muito feias. Os sapatos são horríveis. Talvez porque usem botas a maior parte do ano.

Helsinki? Gostei muito!

E estamos chegando ao nosso último destino nessa viagem. Eu não tinha nenhuma opinião formada sobre Helsinki. Sabia da excelência do ensino na Finlândia, do belíssimo design de móveis e objetos e do idioma cheio de letras repetidas. Assim, cheguei a Helsinki sem nenhuma expectativa. E me surpreendi. Helsinki é muito legal! Até agora estou em dúvida se gostei mais de Copenhagen ou de Helsinki. Talvez das duas porque é difícil comparar. Copenhagen me pareceu vibrante, animada, cheia de surpresas. Helsinki me pareceu aquela beleza plácida, calma, que é bonita de nascença, por assim dizer.

Parque Sibelius, com escultura em sua homenagem

Andar pelo centro de Helsinki é se deparar pra todo lado com água. São lagos (aliás a Finlândia é o país dos lagos), pedaços do Mar Báltico, praias (cuja temperatura mais alta, em pleno calor do verão é de 23 graus). Ocorre que esses lugares congelam durante o verão, então para isso existem piscinas públicas com aguas aquecidas. Sem falar nas famosas saunas, que além de existirem para uso público, existem nas próprias casas. A casa pode não ter garagem, mas se não tiver uma sauna ela perde o valor de revenda. Outra curiosidade é que o porto de Helsinki é o único da Europa que congela no inverno! Dai que estão sempre à postos navios quebra-gelo para permitir o acesso dos navios.

No centro de Helsinki duas belas construções se destacam: a Igreja Ortodoxa, em uma elevação do terreno, e a Igreja Luterana, alguns metros adiante, em outra elevação. São estilos arquitetônicos distintos, bem como seus interiores. Os Luteranos, sóbrios, os Ortodoxos, com seus ícones dourados. Ao visitarmos a Igreja Luterana estava ocorrendo uma celebração (missa? culto?) e quem a oficiava era uma mulher. Claro que isso deve ser comum em igrejas protestantes, mas eu nunca tinha visto e achei o máximo. Mas uma coisa curiosa é que para frequentar a igreja a pessoa precisa se inscrever e pagar um imposto, que lhe dá direito a batizar seus filhos e oficiar casamentos. Se você não paga o imposto, não pode casar no religioso. Isso tem esvaziado a igreja, já que o povo não é bobo.

Não é possível falar em igreja em Helsinki sem fazer uma referencia especial a Igreja de Pedra, a Temppeliaukio kirkko. É uma coisa impressionante. Escavada na rocha, por fora se vê apenas uma cúpula baixa e uma entrada que parece de um prédio qualquer. Mas quando se entra… nossa! que coisa linda. O teto é de fitas de cobre e na sua lateral abrem-se feixes verticais de luz natural. Ela é circular e as paredes são da própria rocha. Linda, linda!!

O mercado de Helsinki é outra visita indispensável. Na verdade, durante toda a viagem onde encontramos mercado entramos e comemos muito bem. O de Helsinki tem suas lojinhas em madeira, vendendo comida, muitos frutos do mar, mas também carne de alce e rena empacotadas para se levar. Do lado de fora, numa ampla esplanada, barraquinhas vendem frutas e servem comida como peixes e linguiças fritos na hora. Se resolver comer aqui, o cuidado é com as gaivotas que fazem vôo rasante e arrancam a comida de sua mão sem dó nem piedade.

No enorme “calor” de 14 graus que estava fazendo, as pessoas estão de bermudas, tomando sorvete e lavando seus tapetes (!). Isso mesmo, existem lugares nas margens do mar, tipo um deck de madeira, específicos para as pessoas lavarem os tapetes. E alguns varais para secá-los. Vimos uma senhora fazendo isso e, de maiô, aproveitando para tomar sol. A questão imediata é: como lavar com agua do mar? e o sal? Supresa! a agua do mar é mais doce que salgada. E isso se deve a agua do degelo das montanhas vizinhas que escorrem para o mar, diminuindo bastante a salinidade.

A partir da esplanada do mercado se extende um grande bulevar, com lojas finas e restaurantes idem. E no fim dele, o comercio mais popular, que não é o mesmo popular que estamos acostumados. Na verdade o popular é Zara, H&M e a Stockmann, a mais importante loja de departamento daqui.

Uma visita que deixei de fazer e me arrependi muito foi à nova Biblioteca Nacional. Os meus amigos foram e voltaram completamente encantados não só com o prédio em si, mas também com o que funciona lá dentro. Não se trata somente de uma biblioteca no sentido clássico do termo, mas de um enorme centro de informação multimídia e tecnologia.

Fotos de Andre Salgado

A uma distância de alguns minutos de barco (5 euros, ida e volta), está uma pequena ilha que foi uma fortaleza militar: a fortaleza de Suomenlinna. Um espaço muito bonito, com parques bem legais para concertos ao ar livre. E uma cervejaria! Parece muito com Governors Island, em Nova York.

Enfim, Helsinki não é para apenas um dia, como ficamos. Fiquei com desejo de bater perna ainda pelo menos mais dois.

O mico de visitar Papai Noel é inevitável

Alguém me imagina visitando Papai Noel? Não, né? Pois é, eu fui. Esse foi o segundo “programaço” de Rovaniemi. A vila de Papai Noel é uma coisa impressionante de estratégia de consumo. Tudo está à venda, tudo é pago. Logo que você entra encontra o Santa Claus Post Office, onde se pode mandar um cartão para o próprio ou pode-se postar um cartão como se fosse ele lhe respondendo. E você pode pedir para o cartão só ser entregue no dia de Natal. Fofo. Confesso que paguei um Euro por um postal e escrevi para o velhinho.

Uma coisa interessante (se de fato for verdade, nessa vila de mentira) é que justamente aqui passa a tal linha imaginária que marca o inicio do Circulo Polar.

Depois você segue para a “caverna” onde ele está lhe esperando para pousar pra filmes e fotos. Chamo de “caverna” porque o lugar é meio esquisito mesmo. Depois de ultrapassar inúmeras lojinhas de bugenir, você entra em um corredor meio escuro, sobre umas escadas meio escuras, chega a um corredor que no fundo tem uma cortina guardada por uma “duende”, que controla a entrada na sala propriamente dita. E lá está ele, lindinho, rosadinho, branquinho, com uma barba encaracolada longa. E – surpresa – não está de vermelho da cabeça aos pés. Ele é uma simpatia. Conversou conosco, sabia algumas palavras em português e eu lhe disse que tinha enviado um postal para ele com um pedido, que ele por favor atendesse, que eu prometia continuar boazinha. E com ele tiramos uma foto tipo família feliz. O que não sabíamos era que desde a nossa entrada somos filmados e que além da foto nos é oferecido também o filme (55 euros!). 

A família Do Mundo 😀

Ainda tem na vila o lugar onde estão os cães ruskies, que quando tem neve são atrelados a trenós e dão um passeio com quem quer pagar. Aliás pra vê-los também precisa pagar. Ainda vimos que tinha um castelo do chocolate e outras coisas assim, mas nem olhamos onde era. Demos mais um giro, encontramos mais lojas e fomos embora.

E rumamos para o aeroporto com destino a Helsinki.

Dois programaços em Rovaniemi. #SQN

Nossa programação do dia seguinte previa uma coisa dita como “flutuação em um lago gelado”, e lá fomos nós, eu curiosa pra ver como seria aquilo exatamente. A empresa responsável nos levou para a beira de um lago, distante uma meia hora desde nosso hotel. O lugar é lindo, deslumbrante mesmo. Um bosque, um lago, cabanas, um resto de neve. Lindo! A água deve estar gelada, mas não há gelo no lugar onde está o deck. 

E aí começa a parte realmente divertida dessa tal flutuação: vestir a roupa. É uma roupa usada em resgate em águas geladas. Ela é de borracha pesada e cobre desde os pés até a cabeça. Para os que me conhecem, imaginem o “tamanhozinho” da minha. Você se enfia dentro daquilo, sem, obviamente, tirar a roupa que você está vestindo, inclusive os casacos, e os pés já ficam grande demais. Depois você enfia os braços e as luvas ficam dançando na sua mão. Daí você põe uma balaclava para cobrir os cabelos e puxa o capuz pra cabeça. A essas alturas alguém tem que fazem isso pra você porque as mãos estão completamente inoperantes. Um imenso zíper é puxado até sua cara. Vejam, não é até o pescoço, e até a lateral do rosto, do lado da orelha. Quando ele faz isso seu queixo sobe, suas bochechas são empurradas para perto dos olhos, seu pescoço fica duro e você mal consegue falar. Mas a gente ria e ria e ria. Naquelas alturas estávamos todos iguais, ninguém conseguia saber quem era quem.

Daí a gente entra na água e deita de costas para flutuar. Só que tem dois complicadores: o vento vai carregar você e levantar ondinhas, e você não pode deitar a cabeça na água para não entrar água no traje. Então a posição deve ser com a cabeça ligeiramente erguida e você vai “remar” com as mãos para sair do lugar. E voltar, naturalmente.

Atrevidamente fui a segunda a entrar na água. E a primeira a sair, menos de 5 minutos depois. A coisa de ficar com a cabeça erguida, do traje não permitir movimentar o pescoço, e a certeza de que minhas vértebras estropiadas iriam reclamar me expulsaram de dentro da água rapidinho. Mas teve quem ficou bem e curtiu o barato por algum tempo. Então, não foi ruim. Mas também não foi bom. Só valeu por uma sopa de rena que os caras prepararam e nos serviram depois.

Ah, na programação estava também a pesca nesse mesmo lago. Eu imaginava que seria aquilo que a gente vê nos filmes, de fazer um buraco no gelo no meio do lago e pescar ali. Mas não, era aquela coisa sem graça de colocar uma minhoca no anzol e ficar esperando um peixe fisgar. Claro que não se pescou nada.

Enfim foi uma programação que só valeu porque nosso grupo é muito animado, alegre e que ri de tudo, até da própria desgraça. 

Sexta parada: nosso desembarque

No sexto dia chegamos a Kirkenes e aí desembarcamos. De Kirkenes mesmo não vimos nada, apenas descemos do navio e tomamos um ônibus para uma cidadezinha próxima onde estava nosso hotel. Na verdade nem uma cidadezinha era e sim uma estação de esqui, que nessa época do ano está praticamente vazia, apesar de ainda haver neve. 

A essas alturas já tínhamos cruzado a fronteira para a Finlândia. E também estávamos muito próximos da fronteira com a Rússia, então aquele é um ponto de quase tríplice fronteira: Noruega, Finlândia e Rússia.

Eu nunca havia estado em uma estação de esqui e não sei como a coisa funciona na alta estação. Fizemos uma caminhada pelos bosques até uma cabana de onde, segundo a propaganda, se pode avistar a aurora boreal, em sua temporada. O caminho estava lindo, com ainda grossas camadas de neve degelando, riachos correndo, numa paisagem muito bonita e num frio de rachar. Esperava com a caminhada entender um pouco onde estariam as pistas de esqui, mas não entendi nada. Pistas de esqui ficam me devendo.

E no dia seguinte rumamos de ônibus para Rovaniemi, a capital da Lapônia, região bem ao norte da Finlândia, ainda dentro do Círculo Polar Ártico. Essa região vive em função de uma lenda: a lenda de Papai Noel. A figura de um senhor que no Natal distribui presentes aparece em varias culturas, inclusive vimos um no País Basco, mas um belo dia um jornalista resolve dizer que Papai Noel viveria no Polo Norte e como a cidade habitável mais próxima é Rovaniemi, aqui ficou sendo a cidade dele. E haja exploração comercial em cima disso. O nosso hotel se chama Santa Claus, enfeites natalinos parecem estar à venda todo ano, os cafés e lojas são decorados com coisas alusivas. 

Rovaniemi é uma cidade pequena mas bem desenvolvida. Vive sobretudo da exploração da madeira, que é feito com bom remanejamento e, obviamente, do turismo.

E foi aqui que tivemos os dois programas mais “de índio” de toda nossa viagem. Vou contar no próximo post.

O sol da meia noite

Por aqui a proporção que vai se aproximando o verão o sol vai se pondo cada dia mais tarde e nascendo cada dia mais cedo, tornando os dias mais longos.

Observamos isso muito bem uma vez que desde o navio era mais fácil olhar o horizonte. Não chegamos a ver o sol não se pôr porque estamos viajando em maio, ainda faltando quase um mês para o verão, mas foi lindo e extremamente perturbador ver um deslumbrante pôr do sol às 23:30. Sobretudo porque dali a menos de 3 horas ele viria a nascer de novo.

A verdade é que nunca escurece. Ver estrelas, nem pensar. Por consequência, aurora boreal também não. Há sempre uma luminosidade no céu, como se estivéssemos em um eterno anoitecer (ou amanhecer). Isso perturbou intensamente o meu ritmo circadiano. Eu acordava às 2 da manhã achando que já tinha amanhecido e não conseguia dormir mais.

No inverno dá-se justamente o contrário: de novembro a janeiro o sol não nasce. Imagino que fique uma claridade semelhante à essa, mas com a diferença de que dura pouco tempo, com as noites super longas. Acho que eu não suportaria essa obscuridade por tanto tempo, mas gostaria muito de ver. Por uns 3 dias, talvez.

No fim do mundo ao Norte: o paralelo 71

A nossa quinta parada foi em Honningsvåg. A cidade em si nós nem vimos porque o grande atrativo daqui era tomar um ônibus, andar cerca de 40 minutos e chegar ao ponto mais ao norte da Europa, o ponto habitável mais próximo do Polo Norte desde aqui, o paralelo 71. O tempo estava tenebroso, nublado, com chuva e vento. E gelado, naturalmente.

Antes de chegarmos lá a guia nos falou sobre a população nativa, o povo sami. Daí paramos em um simulacro de aldeia, com direito a um alce pastando e um cidadão vestido trajes típicos (coitados), além de uma loja de souvenir, naturalmente.

O ponto exato – chamado Cabo Norte (ou Nordkapp) é um imenso promontório, onde há um bem organizado centro de informações (com loja de suvenir), café e sala de conferências onde é exibido um vídeo sobre o significado daquele local.

A vista do promontório é algo deslumbrante. A gente fica sem palavras, sério. Essas demonstrações do poder da Natureza sempre me emocionam muito. Fico olhando para aquilo e pensando em o quanto somos pequenos, em como nós perdemos em coisas insignificantes frente a essa grandeza. Enfim, sempre tenho uma certa epifania nesses lugares. Aqui não foi diferente.

Minutos depois de andarmos pelo promontório, fotografarmos e nos embasbacarmos, baixou o maior nevoeiro. Tomando o chocolate na cafeteria não víamos mais nada. Que sorte que demos!