Mercado Central de Santiago

Além de ser uma dica que vi em todos os blogs, adoramos visitar mercados. É sempre um lugar interessante para se ver o que se come na cidade, apreciar as frutas e verduras que não conhecemos e observar as pessoas.

Infelizmente os mercados estão se transformando em pontos turísticos, mas para turistas com outros interesses. O Mercado Municipal de São Paulo já é um pouco assim. Quem for lá pensando em ver o que as pessoas comem, vai imaginar que o paulista come umas frutas absolutamente exóticas, vindas da polinésia francesa, sei lá. O Mercado Central de Santiago é ainda mais assim: 80% do seu espaço está dedicado a restaurantes. Pouquissimas bancas de frutas e algumas mais de venda de pescados e frutos do mar. Dois restaurantes dividem a maior parte do espaço, o Donde Augusto e La Joya del Pacifico (na verdade, não sei se existem outros). Me pareceram absolutamente iguais, com mesas no centro do mercado e mesas em uma espécie de mezanino, com cardápios e preços iguais. A diferença parece estar apenas na cor da roupa dos garçons. Assim, não há nada a fazer no Mercado Central que não seja comer.

O calor estava forte lá fora e buscamos desesperadamente algum lugar que tivesse ar condicionado. Nenhum. No máximo ventiladores potentes. Terminamos entrando no Donde Augusto (tinha mais gente, então devia ser melhor… essa foi a nossa lógica maluca) e fomos para o mezanino. E encontramos garçons que “falavam” português e queriam a todo custo saber de que região do Brasil estávamos vindo. Acho isso um saco e digo logo que vim de São Paulo pra encurtar a conversar, porque explicar que vim de Natal, que fica na região nordeste, etc, etc, dá muito trabalho.

E foi ai que comemos centolla (que eles, diferente dos argentinos, pronunciam “centôia”). Eu já tinha comido aquela coisa pre-histórica na Patagônia, mas era ela já “descascada” e feito uma espécie de guisado. Aqui pedimos uma inteira, tamanho médio. O ritual de abri-la é feito pelo garçom, na nossa mesa, com toda uma técnica interessante. Primeiro ele nos dá um babador, depois calça luvas, pega uma tesoura de cortar crustáceos e começa tirando as patas, abrindo a carapaça e cortando em sentido horizontal.  O mais embaraçoso e que nos deixou com uma pulga atras da orelha, foi que, quando nosso prato chegou, o povo das mesas vizinhas, se virou pra olhar, uma moça até pediu pra tirar umas fotos. Por que aquilo?

20131227_141133O prato confirmou a impressão que eu já tinha: nada é melhor que nosso camarão. Ary adorou, mas eu continuei achando que tem um gosto adocicado e insípido que não me agrada.

Ao final ficamos sabendo porque todo mundo olhou pro nosso prato. Ninguem tinha tido coragem de pedi-lo porque o preço é muuuuuuito alto, cerca de 200 reais a de tamanho médio, para duas pessoas. Quase pedimos para lavar os pratos! Pagamos e saímos daquela arapuca.

Resumo da ópera: se voce quiser ir ao Mercado Central, entre, tire fotos e saia correndo. Ou os garçons vão te fisgar.

Santiago pela primeira vez – La Moneda

Depois de praticamente todo mundo já ter vindo ao Chile, eis-me aqui pela primeira vez. Resolvemos vir passar o nosso aniversário (de Ary e meu) e o reveillon aqui, apesar de saber do calor que íamos enfrentar. Mas viemos para apenas 6 dias e o calor não pode ser maior do que o passei em Tilcara.

Estamos hospedados em um apart hotel legal (Park Plaza Apartaments), situado em uma rua super bonita, pequena, arborizada e tranquila, mas a uma quadra da Avenida Nova Providência e da estação Los Leones, do metrô. O hotel tem a particularidade de nos trazer o café da manhã na noite anterior, de modo que não precisamos nos preocupar com os horários de acordar, coisa que, viajando com quem viajo, poderia ser um grande problema.

Quando pensamos no Chile a primeira coisa que vem a mente de pessoas como nós é o sangrento golpe militar e posterior governo do tirano Pinochet. Assim, a primeira coisa que quisemos ver foi, sem dúvida, o famoso Palácio de La Moneda, onde os militares assassinaram o presidente legitimamente eleito Salvador Allende. E ainda quiseram que se acreditasse que foi suicídio.

Tomamos a linha 1 – vermelha, do Metrô e lá fomos. Primeira surpresa: obras por toda parte. O jardim posterior está em obras de recuperação, com estreitos caminhos para os pedestres e trânsito meio caótico. Segunda surpresa: o Palácio é de uma simplicidade quase espartana. Nada de torres pomposas, jardins majestosos, ele está ali, com sua entrada bem próxima dos transeuntes.

Naturalmente ficamos ali parados, imaginando os aviões militares bombardeando o Palácio, no meio de todos os outros edifícios que existiam e existem ao redor, e imaginando o terror que deve ter tomado conta da população.

A praça é muito significativa. Nas suas extremidades há estátuas de ex-presidentes, menos a do “inombrable”. E bandeiras do Chile fazem um enorme e bonito arco. Aliás, quase como o povo norte-americano, os chilenos gostam de estender sua bandeira em locais públicos.

Chama a atenção também a presença de muitos carabineiros na praça. Nenhum na porta do Palácio, mas muitos ao redor da praça, com seus cães pastores, que não dão nenhuma bola pra gente e ficam procurando uma sombrinha pra se deitar. Não entendi muito bem o que eles estão protegendo. As estátuas?

Muitos turistas estão por ali e, interessante, tirando fotos da estátua de Allende. Mas nesse meio, ouço o nosso idioma. Um grupo do que parecia ser uma família, cujo filho morava já aqui (adoro inventar histórias para as pessoas). Ele: “aqui trabalha o presidente da república”. A mãe: “e quem é?” Ele: “Houve eleição agora… é… é um cara de cabelo branco”. Suspirei e segui adiante, sentindo pena da nossa pouca educação política.