O mico de visitar Papai Noel é inevitável

Alguém me imagina visitando Papai Noel? Não, né? Pois é, eu fui. Esse foi o segundo “programaço” de Rovaniemi. A vila de Papai Noel é uma coisa impressionante de estratégia de consumo. Tudo está à venda, tudo é pago. Logo que você entra encontra o Santa Claus Post Office, onde se pode mandar um cartão para o próprio ou pode-se postar um cartão como se fosse ele lhe respondendo. E você pode pedir para o cartão só ser entregue no dia de Natal. Fofo. Confesso que paguei um Euro por um postal e escrevi para o velhinho.

Uma coisa interessante (se de fato for verdade, nessa vila de mentira) é que justamente aqui passa a tal linha imaginária que marca o inicio do Circulo Polar.

Depois você segue para a “caverna” onde ele está lhe esperando para pousar pra filmes e fotos. Chamo de “caverna” porque o lugar é meio esquisito mesmo. Depois de ultrapassar inúmeras lojinhas de bugenir, você entra em um corredor meio escuro, sobre umas escadas meio escuras, chega a um corredor que no fundo tem uma cortina guardada por uma “duende”, que controla a entrada na sala propriamente dita. E lá está ele, lindinho, rosadinho, branquinho, com uma barba encaracolada longa. E – surpresa – não está de vermelho da cabeça aos pés. Ele é uma simpatia. Conversou conosco, sabia algumas palavras em português e eu lhe disse que tinha enviado um postal para ele com um pedido, que ele por favor atendesse, que eu prometia continuar boazinha. E com ele tiramos uma foto tipo família feliz. O que não sabíamos era que desde a nossa entrada somos filmados e que além da foto nos é oferecido também o filme (55 euros!). 

A família Do Mundo 😀

Ainda tem na vila o lugar onde estão os cães ruskies, que quando tem neve são atrelados a trenós e dão um passeio com quem quer pagar. Aliás pra vê-los também precisa pagar. Ainda vimos que tinha um castelo do chocolate e outras coisas assim, mas nem olhamos onde era. Demos mais um giro, encontramos mais lojas e fomos embora.

E rumamos para o aeroporto com destino a Helsinki.

Dois programaços em Rovaniemi. #SQN

Nossa programação do dia seguinte previa uma coisa dita como “flutuação em um lago gelado”, e lá fomos nós, eu curiosa pra ver como seria aquilo exatamente. A empresa responsável nos levou para a beira de um lago, distante uma meia hora desde nosso hotel. O lugar é lindo, deslumbrante mesmo. Um bosque, um lago, cabanas, um resto de neve. Lindo! A água deve estar gelada, mas não há gelo no lugar onde está o deck. 

E aí começa a parte realmente divertida dessa tal flutuação: vestir a roupa. É uma roupa usada em resgate em águas geladas. Ela é de borracha pesada e cobre desde os pés até a cabeça. Para os que me conhecem, imaginem o “tamanhozinho” da minha. Você se enfia dentro daquilo, sem, obviamente, tirar a roupa que você está vestindo, inclusive os casacos, e os pés já ficam grande demais. Depois você enfia os braços e as luvas ficam dançando na sua mão. Daí você põe uma balaclava para cobrir os cabelos e puxa o capuz pra cabeça. A essas alturas alguém tem que fazem isso pra você porque as mãos estão completamente inoperantes. Um imenso zíper é puxado até sua cara. Vejam, não é até o pescoço, e até a lateral do rosto, do lado da orelha. Quando ele faz isso seu queixo sobe, suas bochechas são empurradas para perto dos olhos, seu pescoço fica duro e você mal consegue falar. Mas a gente ria e ria e ria. Naquelas alturas estávamos todos iguais, ninguém conseguia saber quem era quem.

Daí a gente entra na água e deita de costas para flutuar. Só que tem dois complicadores: o vento vai carregar você e levantar ondinhas, e você não pode deitar a cabeça na água para não entrar água no traje. Então a posição deve ser com a cabeça ligeiramente erguida e você vai “remar” com as mãos para sair do lugar. E voltar, naturalmente.

Atrevidamente fui a segunda a entrar na água. E a primeira a sair, menos de 5 minutos depois. A coisa de ficar com a cabeça erguida, do traje não permitir movimentar o pescoço, e a certeza de que minhas vértebras estropiadas iriam reclamar me expulsaram de dentro da água rapidinho. Mas teve quem ficou bem e curtiu o barato por algum tempo. Então, não foi ruim. Mas também não foi bom. Só valeu por uma sopa de rena que os caras prepararam e nos serviram depois.

Ah, na programação estava também a pesca nesse mesmo lago. Eu imaginava que seria aquilo que a gente vê nos filmes, de fazer um buraco no gelo no meio do lago e pescar ali. Mas não, era aquela coisa sem graça de colocar uma minhoca no anzol e ficar esperando um peixe fisgar. Claro que não se pescou nada.

Enfim foi uma programação que só valeu porque nosso grupo é muito animado, alegre e que ri de tudo, até da própria desgraça.