Escandinávia pela primeira vez: Estocolmo

E aqui estamos para mais uma aventura com André Salgado e a nossa gostosa trupe de viajantes amigos para um percurso por essas terras de além Norte. Além das risadas (muitas) e das biritas (muuuuitas) percorreremos Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia, sendo que na Noruega subiremos a costa de barco até os limites do círculo polar ártico. Vai se divertido. Vai ser animado. Vou contar (quase) tudo pra vocês.

Primeira parada, Estocolmo

A primeira coisa que me chamou atenção em Estocolmo foi a diversidade cultural. Já no primeiro dia cruzamos com sul-americanos falando espanhol, africanos, indianos e os imprescindíveis asiáticos. E me surpreendeu porque não imaginava que essas terras tão geladas, tão ao norte, com uma cultura tão própria, pudessem ser destino de migrantes de tão diferentes origens. Imagino que um país com a pequena densidade demográfica como a Suécia (22 habitantes por quilômetro quadrado) deva precisar de gente e seria uma ótima se pudesse abrigar muitos dos refugiados tangidos da África.

Chegamos, deixamos as coisas no hotel e fomos bater perna. Uma rua legal de pedestres, com lojas alinhadas e caras está do lado e por ela chegamos à ponte que da entrada a parte histórica da cidade. Já daí avistamos os fundos do Palácio Real, a Ópera e o Parlamento. Um entardecer belíssimo, daqueles que o sol demora a cair e fica jogando dourado em toda a cidade. Apesar de ser uma segunda-feira a cidade estava estranhamente calma e pudemos caminhar tranquilamente.

E desde aí já deu pra ver que Estocolmo é uma cidade muito linda. Nessa parte mais antiga – Gamla Stan – caminhamos por becos, subimos e descemos passando por cafés e restaurantes interessantes. E chegamos a uma praça que é a mais emblemática daqui, a Stortorget, onde está o Museu do Prêmio Nobel é um conjunto de edificações que lembram muito Amsterdam.

O Palácio Real é um blocão quadrado com trocentos aposentos, feio, sem graça, talvez porque tenhamos sempre a ideia que um Palácio precisa ser arquitetonicamente enfeitado, ao seu lado a catedral também não chama a atenção, apesar de dizerem que por dentro ela é muito bonita, o que não vimos. Agora me dou conta que estamos acostumadas a apreciar a riqueza e ostentação das igrejas católicas, mas aqui a religião predominante é a luterana, que justamente condenava os exageros do Vaticano. Talvez seja esse o motivo da catedral simplesinha.

A nossa visita coincidiu com o 1o. de maio e aí foi outra surpresa. Por um lado, a cidade calminha que a gente tinha visto ao chegar, de repente se encheu de gente, as ruas ficaram movimentadas, os bares cheios, as margens dos canais com gente passeando. Por outro lado, manifestações de trabalhadores em varias praças, com faixas e cartazes que não conseguimos ler e passeatas com gente gritando palavras de ordem que não conseguimos entender. Até que passa uma com uma pequena banda tocando “A Internacional”. Aí foi emoção pura!

Uma das coisas que vale a pena visitar é o Museu Vasa. Vasa é o nome de um incrivelmente lindo galeão do século XVII que tem uma história legal. O rei Gustavo Adolfo, em 1626, manda construir um potente e rico navio de guerra, que deveria ser o mais rico e mais poderoso que se tivesse notícia. Assim foi feito. O navio tem esculturas em madeira lindíssimas em todo seu exterior e, para sua função de guerra, duas fileiras de canhões, o que era inusitado. O navio ficou pronto e marcou-se a data para sua saída ao mar. Todos assistindo, o navio sai do cais, navega pouco menos de 2 km e afunda. E ficou na água por 333 anos. Até que, no final dos anos 1950, um explorador resolve encontrá-lo e iça-lo. E o Vasa é retirado da água praticamente intacto. A história desse içamento é absolutamente incrível.

Estocolmo é assim, cercada de água, já que é um arquipélago, e as águas dos canais são tão limpas que há anualmente um concurso que dá prêmios a quem pescar o maior salmão ali mesmo. No meio desse conjunto de ilhas as águas do Mar Báltico se encontram com as do lago Malar, e como há um desnível nessas águas, foi construído um conjunto de eclusas, bem no meio da cidade.

Se na cidade antiga você vai encontrar um comércio de lojinhas lindas, pequenas, com coisas originais e diferentes, na parte mais moderna o comércio é das grandes marcas e das caríssimas grifes internacionais. Mas de qualquer maneira a cidade é muito cara para os nossos padrões. E mesmo assim é tida como a mais barata da Escandinávia.

A chuva não nos permitiu visitar um museu ao ar livre que reproduz a arquitetura e o modo de vida dos suecos ao longo da sua História. Ao invés disso fomos visitar algumas estações do metrô. Os caras construíram as estações e chamaram os estudantes de arquitetura e artes para decora-las. O resultado é uma lindeza de criatividade e alegria. Super vale a pena.

Enfim, a cidade é lindinha, tranquila, fácil de se deslocar por suas ruas e becos, sobretudo na parte antiga.