Montevideu, primeiras miradas

Estamos hospedadas na Ciudad Vieja, um bairro cujo nome já diz de que se trata. Todos os blogs de viagem que li previamente me diziam para buscar hospedagem em Pocitos ou Puntas Carretas por serem bairros de classe média alta, onde há maior movimentação noturna e bons bares e restaurantes. E foi justamente esse tipo de vantagem que nos afastou desses lugares. Não gostamos da vida noturna e, imaginamos, aqueles lugares devem estar cheio de turista, vamos pra o outro lado. E viemos para cá, a parte antiga, maltrata, comercial, por onde passam e vivem os uruguaios.

A primeira impressão que tive foi que essa parte aqui deve ser parecida com Havana, ou é assim que imagino que ela (Havana) seja. Construções antigas, provavelmente do início do século passado, com uma arquitetura esquisita, indefinida e lindamente kirtch, algumas mal conservadas, dando um aspecto de velhice muito mais do que antiguidade. Ao lado delas, prédios, provavelmente de meados do século XX, horrorosamente “modernos” e decadentes. Isso tudo nos deu a impressão primeira de uma Montevideu “tadinha”, aquela tia simpática, doce, que a gente quer bem, mas coitadinha, tá tão acabadinha.

Na rua o povo não anda correndo (como em Nova York), nem as mulheres estão exageradamente maquiadas (como em Buenos Aires), mas, se em Nova York as pessoas andam apressadas com um copo de café na mão, aqui as pessoas andam calmamente com uma cuia de mate e uma garrafa térmica embaixo do braço. O mate é toda uma cultura. Quando chegamos à nossa casa, alugada via AirBnB, uma das coisas que nossa senhoria nos mostrou foi pacotes de mate nos armários da cozinha. Ainda vou buscar um tutorial no Youtube ensinando como preparar.

E saímos, como gostamos, com um mapa na mão, batendo perna pelo Centro. E já nesse primeiro dia encontramos duas coisas interessantíssimas, que merecem uma visita a quem faz turismo despretensioso como nós. Um é o Mercado de Artesanias, que diferente de todos os outros que eu particularmente tinha conhecido até agora, é de fato um mercado de artesãos. Produtos originais, lindos, de encher os olhos com a variedade de materiais utilizados na sua elaboração. E os artesãos estão ali do lado para conversar conosco, explicar de que é feito, como procede, enfim, um artista feliz falando de sua arte. 

E recomendadíssimo é um almoço ou jantar no Mercado de las Abundancias. Trata-se de um grande espaço com mesas e cadeiras e vários pequenos restaurantes ao redor, com um cardápio único, como se fosse um restaurante só com várias opções, de pescados a carnes. Simples, agradável, boa comida e bons preços. Almoçamos por lá, mas a mim me pareceu que o jantar deve ser mais animado, para quem gosta de animação. 

Como tricoteira sabia que por aqui se produz excelentes lãs e que a Manos del Uruguay é uma das marcas mais famosas, produzindo fios conhecidos internacionalmente. É claro que queria ir a uma das lojas. Mas pesquisei e vi que apenas uma loja própria vendia as lãs, a maior parte das lojas de Manos vende produtos produzidos com suas lãs. Dai saímos do Mercado de la Abundância e fomos caminhando meio que a toa, quando me deparo justo que a loja das lãs. Nem imaginem o estrago feito nas minhas combalidas finanças. Voltei para casa feliz, mesmo que ainda não saiba o que fazer com a maravilhosa lã merino mesclada que comprei.