Vicri, a joia escondida

De todos os países que visitamos a Romênia tem o mais lindo meio rural. Como nosso percurso foi rodoviário fomos passando por vilarejos lindos, pequenininhos, com pastores e suas ovelhas, carroças carregando feno, enfim, aquele cenário que temos na nossa mente quando pensamos em interior de antigamente na Europa.

Pois eu particularmente tive uma surpresa quando chegamos a Vicri. Sabia que íamos para lá, que era um vilarejo pequeno, mas nunca imaginei que pernoitaríamos em uma típica aldeia do interior da Romênia. Gente, o que aquilo?! Uma aldeiazinha minúscula, como que parada no tempo. E a gente ia dormir lá!!! A pousada em que ficamos já era uma lindeza. Uma casa antigona, mas com os confortos da vida moderna, como aquecimento, agua quente e… wifi!!!! A casa tem uma horta, de onde saem os produtos que se consome. Saladas fresquinhas!

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Nossa Pousada

Vicri tem duas coisas importantes: um linda igreja luterana fortificada e a casa do Príncipe Charles, da Inglaterra. Sério! O Principe Charles é apaixonado (sic) pela Romênia e escolheu Vicri para comprar uma casa e passar lá alguns dias do ano. Além do mais ele criou incentivos para que os camponeses passassem a produzir e comercializar seus produtos, estimulando a economia local. Assim, Vicri tem uma produção de produtos artesanais, dos quais o que encantou foram os feitos com lã, seja lã em fio, seja lã feltrada. Casacos em tricô, sapatos e chapéus em feltro, tudo muito rústico e bonito.

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Foto de Andre Salgado

 

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Foto de Irene

A igreja luterana foi construída originalmente no ano de 1100 e colocada em funcionamento pelos colonos saxões em 1185. Para prevenir de invasões dos povos bárbaros, foi construído ao redor dela duas muralhas, protegendo-a. A construção está praticamente intacta desde o século 12 e é muito linda com suas paredes largas, sacadas e torre de madeira, bancos estreitos e altar singelo. Como não tinham dinheiro para pagar artistas que a decorasse, os próprios habitantes fizeram as toscas pinturas nas paredes.

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E foi em Vicri que fizemos a maior e melhor farra de toda a viagem. Na pousada havia só o nosso grupo e duas pobres irlandesas perdidas, que assistiam a nossa cantoria e bebedeira encantadas.

No dia seguinte, afastando a ressaca com o frio que fazia, seguimos rumo a Bucareste.

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Sibiu e a chuva que não nos larga

E chegamos a Sibiu com a chuva que nos acompanhava desde Shigosoara. Mesmo molhada, Sibiu é uma lindinha cidade. Ela foi durante anos a capital da Romênia e é uma cidade de médio porte.

Sua parte antiga, que foi o que visitamos, tem duas praças principais, a Praça Grande e a Praça Pequena, que se interligam e que entre uma e outra há a torre da Casa do Conselho. Obviamente, ambas estão repletas de restaurantes e cafés, bastante turístico. Há ainda uma outra praça, onde se encontra a mais antiga igreja protestante de toda a Europa, a Praça Huet.

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Praça pequena – Torre do Conselho

No final da Praça Pequena há a interessante Ponte da Mentira. Uma das versões para esse nome é que lá os rapazes costumavam fazer suas declarações de amor para as meninas, apenas com a finalidade de roubarem beijos das moçoilas. Outra versão diz que era ali que os comerciantes propalavam a qualidade de seus produtos. Em ambos os casos, deslavadas mentiras.

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Ponte da Mentira

Pois bem, se você quiser comer decentemente passe por baixo desta ponte, ande mais uns 3 quarteirões e você vai encontrar o Max, um restaurante bonitinho e onde se come muito bem.

Um passeio verdadeiramente imperdível é ao museu ao ar livre de Astra, que está a poucos quilômetros do centro de Sibiu. Trata-se de uma imensa área onde se replicou a vida nas aldeias. As casas, os instrumentos de trabalho,  os móveis e utensílios domésticos, tudo isso foi trazido de aldeias da região e recolocadas nesse museu, nos dando uma exata ideia de como era se viver ali em épocas passadas. Até uma igreja ortodoxa foi trazida e um lago artificial construído, onde há alguns moinhos de vento e muitos gansos fazendo um barulho enorme. O lugar é lindo, e olha que o percorremos debaixo de chuva.

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Ficamos pensando como seria interessante ter um museu desse em cada região do nosso país.