Biertan e o quarto da reconciliação 

No caminho para Sibiu, visitamos uma igreja evangélica do sec 15, no vilarejo de Biertan

É uma bela igreja no seu despojamento e rusticidade, mas achei interessante porque, apesar de evangélica, tem imagens de estátuas. No mais é extremamente despojada, com bancos rústicos e madeira trabalhada.


Mas, o legal mesmo dessa igrejinha foi o “quarto da reconciliação”, que fica em uma construção separada. É um quartinho de uns 5 m2 com cama pequena, mesa, um único talher, um único prato e pouca coisa mais, onde o casal que pretendia se separar ficava confinado por 2 semanas, para uma DR intensiva. Reza a lenda que em quase 300 anos, apenas 2 casais se separaram. Não se sabe o número de quantos assassinatos 😄.


Sighisoara e a influência teutônica 

No caminho para Sibiu pernoitamos em Sighisoara, que vem a ser a cidade onde nasceu o conde Vlad. Mas não creio que esse tenha sido o real motivo de pararmos aqui. Sighisoara é a cidade onde começamos a notar a forte influência alemã nessa parte da Transilvânia. Segundo nossa guia essa região toda foi habitada originalmente pelos Dácios e, em seguida, pelos cavaleiros teutônicos que aqui permaneceram por séculos. A influência dos teutônicos, pelo que observei, se dá na arquitetura – as casinhas me lembram muito Blumenau – e na religião, quando deixamos de encontrar igrejas ortodoxas e passamos a encontrar igrejas protestantes.


A cidade é pequena, mas tem uma cidadela medieval no seu centro, que é muito gracioso. Ladeiras, ruas estreitas, casinhas lindas que são cafés ou restaurantes, enfim, todas aquelas coisas que eu adoro. Único problema: começou a chover. 


À noite tivemos um jantar em um dos restaurantes ditos medievais decorado com imagens do conde Vlad, armas, mesas e cadeiras rústicas. E aí começou verdadeiramente a chover. Raios, trovões, ventania. Lá fora tudo deserto, o vento forte varrendo as folhas das calçadas e os relâmpagos riscando o céu. O cenário não podia ser mais propício. Para completar, nosso retorno a pé para o hotel exigia que passássemos por umas escadarias de pedras em uns becos escuros. Um cachorro negro começou a nos seguir. Olhe, não sei se foi encenado, mas se não estivéssemos em grupo tinha dado medo.