Viajar em grupo vale a pena?

Nunca havia viajado em grupo. Sempre achei que excursão, além de ser um negócio cafona, era um horror, com guias apressando você para todos os muitos compromissos, de modo que você perdia a noção do que estava visitando. Além do fato de ter que conviver com 30 pessoas durante todo tempo. Porque gosto de viajar “slow”, parando onde acho bonito, “dando por visto” quando a coisa enche o saco, e não me sentindo obrigada a visitar TODOS os pontos turísticos. Por isso sempre rejeitei a idéia de viajar com mais de 3 pessoas.

Pois desta vez topei ir e ver como a coisa funcionava. E fui viajar com Andre Salgado. Primeiro preciso dizer que Andre é um fôfo, gracinha, gostosinho, gentil, prestativo, carinhoso, enfim, tudo que você precisa para um acompanhante de viagem. Que é o que, no fundo, ele é. Depois, ele só viaja com grupos pequenos. O nosso, por exemplo, tinha 10 pessoas, contando com ele. E ele também te deixa à vontade para participar da programação que quiser. Além de ser um bom tomador de cerveja, o que é uma excelente qualidade!

Mas, enfim, o que eu achei? Existem prós e contras, como tudo na vida.

Por que foi ótimo? Porque é muito bom:

  1. Ter alguém que desenrole tudo pra você nos aeroportos, desde fazer o check in até pegar sua mala, providenciar os vistos em alguns países, dizer quando você deve fazer câmbio de moeda e quanto você deve cambiar.
  2. Ter alguém te esperando nos aeroportos, ônibus parado pra você só sentar (porque alguém já providenciou colocar sua mala dentro).
  3. Ter alguém que faça seu check in nos hoteis, que só lhe entregue a chave do apartamento, já dizendo o horário do café da manhã e a senha do wifi.
  4. Ter alguém que conhece tudo do lugar, porque em países como esses que a gente visitou, onde o idioma é indecifrável e os hábitos e costumes não nos são familiares, isso pesa bastante.
  5. Mas, sobretudo, porque Andre é um cara com visto de entrada no Céu já garantido. Ele é dono de uma paciência sem fim, de um carinho fraterno maravilhoso, de uma disposição física invejável. E no fim do dia ainda dá umas cutucadas na gente, dizendo “vamos tomar uma?”, quando é tudo que a gente quer naquele momento!

 

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E o que fez falta?

  1. Bater perna. Como me fez falta bater perna pelas cidades, explorando o que está fora do circuito, descobrindo coisas, comendo as coisas da rua, vendo o povo. Prá mim isso é mais enriquecedor em uma  viagem do que restaurantes e hoteis caros, visitar todos os pontos turísticos que “tenho” que visitar.
  2. Botar a cabeça pra funcionar e ver o mapa da cidade, saber onde estou, por onde estou indo, como as coisas funcionam. Claro que eu poderia ter feito isso, mas se já que está tudo organizado, me acomodei.

E fora do bom ou ruim queria falar do grupo. Estava com muito receio de passar duas semanas convivendo o dia inteiro com as mesmas pessoas. Quem me conhece sabe que não sou fácil de fazer amizades, nem de puxar conversas com que não conheço direito. Encarei porque achei que precisava me testar nisso também. E nosso grupo foi super legal, apesar de bastante diverso. E foi legal, sobretudo, o respeito que eles tiveram conosco com relação às nossas posições políticas. A viagem transcorreu em um momento político complicadíssimo em nosso país e apenas eu e Dete tínhamos posição diferente do resto grupo. No entanto, como disse, nos respeitamos mutuamente e conseguimos conviver com harmonia, alegria e fraternidade, mesmo que por dentro estivéssemos morrendo de ansiedade. Valeu, gente! A gente se encontra em outra Viagem com André Salgado! (quero um desconto pelo “merchan”, visse? 😀 )

 

Se você vai ao Sudeste Asiático…

Se você está pensando em visitar esses lugares que visitei, fique atento/a para algumas coisinhas:

1.Não vimos nenhuma farmácia no Vietnam. Pelo menos não do jeito que a gente está acostumado, com remédios e produtos de higiene pessoal. Portanto, por via das dúvidas, leve seus remédios nas quantidades necessárias, seu desodorante e pasta dental preferidos, enfim… Não digo que elas não existam, digo que não vi.

2. A melhor época para se visitar esses países, dito por todos os guias locais, é dezembro e janeiro, quando a temperatura oscila em torno dos 25 graus Celsius. Se não quiser passar o calor infernal que passamos, se planeje pra esses meses. Mas fique atento que o norte do Vietnam é sempre mais frio. Apesar do calor que passamos, tive que comprar roupa de frio para ir a Halong Bay.

3. Comprar roupas pode ser um problema se você for uma plus size, como eu. As mulheres dessa região toda são magrinhas, pequenininhas, tipo mignon, e as roupas que elas fazem para os turistas seguem o tamanho delas. Ai, voce vê umas saias lindas, umas roupas maravilhosas, e quando olha perto do seu corpo vê que aquilo lá serve pra manequim 38, 40 no máximo. Voce pergunta se tem outras tamanhos e elas respondem “one size, mam”. E você quer morrer! Se você for um tamanho além do 42, sugiro comprar em Hoi An, que foi o único lugar onde vi numeração nas roupas.

4. O respeito que os países budistas tem com Buda é imenso. Nas lojas de souvenirs vimos vários avisos de que não se comprasse imagens do Buda para servir de enfeite ou adorno, que ele era pra ser venerado. Então, por favor, não pense em comprar uma cabeça do Buda pra fazer um suporte para abajur. O respeito é tamanho, que dentre as pessoas com prioridade para sentar nos bancos do metrô estão os monges.

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